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segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Denúncia: As 10 estratégias de manipulação midiática

por Noam Chomsky

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes.

A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade (ver "Armas silenciosas para guerras tranqüilas")".

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas')".

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

fonte: 
http://www.diarioliberdade.org/opiniom/outras-vozes/5177-as-10-estrategias-de-manipulacao-midiatica.html#

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

82 ANOS DO DIREITO AO VOTO FEMININO.


Às Mulheres do PT.


Convidamos você companheira, para o dia 25 de fevereiro de 2014, apartir das 19h, na sede do PT, para que possamos refletir e fortalecer a luta das mulheres no contexto da Reforma Política bem como nossa maravilhosa COMEMORAÇÃO DA LUTA PELOS 82 ANOS DO DIREITO AO VOTO FEMININO.

A Secretaria de Formação estará realizando esta atividade especialmente às mulheres que compõe o Diretório municipal e bem como as mulheres do PT de Porto Velho para socializar e fortalecer a luta pela garantia dos Direitos Humanos.

Na certeza de contar com vossa presença, estamos à disposição para maiores informações.

Saudações feministas.


Michele Albuquerque
Secretária de Formação
Diretório Municipal de Porto Velho
michelealbuquerquepvh@gmail.com


Para saber um pouco mais.

por José Eustáquio Diniz Alves

No dia 24 de fevereiro de 2014, o Brasil comemora os 82 anos do direito de voto feminino. As mulheres passaram a ter o direito de voto assegurado pelo Decreto nº 21.076, de 24/02/1932, assinado pelo presidente Getúlio Vargas, no Palácio do Catete, no Rio de Janeiro. Esta conquista, porém, não foi gratuita.

A luta pelos direitos políticos das mulheres começou ainda no século XVIII. No início da Revolução Francesa, o Marquês de Condorcet – matemático, filósofo e iluminista – foi uma das primeiras vozes a defender o direito das mulheres. Nos debates da Assembleia Nacional, em 1790, ele protestou contra os políticos que excluíam as mulheres do direito ao voto universal, dizendo o seguinte: “Ou nenhum indivíduo da espécie humana tem verdadeiros direitos, ou todos têm os mesmos; e aquele que vota contra o direito do outro, seja qual for sua religião, cor ou sexo, desde logo abjurou os seus”.

As ondas revolucionárias francesas chegaram na Inglaterra e os escritores progressistas Mary Wollstonecraft – no livro A Vindication of the Rights of Woman (1792) – e William Godwin – no livro An Enquiry Concerning Political Justice (1793) – também defenderam os direitos das mulheres e a construção de uma sociedade democrática, justa, próspera e livre.

Mas a luta pelo direito de voto feminino só se tranformou no movimento sufragista após os escritos de Helen Taylor e John Stuart Mill. O grande economista inglês escreveu o livro  The Subjection of Women (1861, e publicado em 1869) em que mostra que a subjugação legal das mulheres é uma discriminação, devendo ser substituída pela igualdade total de direitos.

Com base no pensamento destes escritores pioneiros, o movimento sufragista nasceu para estender o direito de voto (sufrágio) às mulheres. Em 1893, a Nova Zelândia se tornou o primeiro país a garantir o sufrágio feminino, graças ao movimento liderado por Kate Sheppard. Outro marco neste processo foi a fundação, em 1897, da “União Nacional pelo Sufrágio Feminino”, por Millicent Fawcett, na Inglaterra. Após o fim da Primeira Guerra Mundial, as mulheres conquistaram o direito de voto no Reino Unido, em 1918, e nos Estados Unidos, em 1919.

No Brasil, uma líder fundamental foi Bertha Maria Julia Lutz (1894-1976). Bertha Lutz conheceu os movimentos feministas da Europa e dos Estados Unidos nas primeiras décadas do século XX e foi uma das principais responsáveis pela organização do movimento sufragista no Brasil. Ajudou a criar, em 1919, a Liga para a Emancipação Intelectual da Mulher, que foi o embrião da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, criada em 1922 (centenário da Independência do Brasil). Representou o Brasil na assembleia geral da Liga das Mulheres Eleitoras, realizada nos EUA, onde foi eleita vice-presidente da Sociedade Pan-Americana. Após a Revolução de 1930 e dez anos depois da criação da Federação Brasileira pelo Progresso Feminino, o movimento sufragista conseguiu a grande vitória no dia 24/02/1932.

A primeira mulher eleita deputada federal foi Carlota Pereira de Queirós (1892-1982), que tomou posse em 1934 e participou dos trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte. Com a implantação do Estado Novo, em novembro de 1937, houve o fechamento do Legislativo brasileiro e grande recuo das liberdades democráticas. Na retomada do processo de democratização, em 1946, nenhuma mulher foi eleita para a Câmara. Até 1982, o número de mulheres eleitas para o Legislativo brasileiro poderia ser contado nos dedos da mão.

Somente com o processo de redemocratização, da Nova República, o número de mulheres começou a aumentar. Foram eleitas 26 deputadas federais em 1986, 32 em 1994, 42 em 2002 e 45 deputadas em 2006 e 2010. Mas este número representa apenas 9% dos 513 deputados da Câmara Federal. No ranking internacional da Inter-Parliamentary Union (IPU), o Brasil se encontra atualmente no 142º lugar. Em todo o continente americano, o Brasil perde na participação feminina no Parlamento para quase todos os países, empata com o Panamá e está à frente apenas do Haiti e Belize. No mundo, o Brasil perde até para países como Iraque e Afeganistão, além de estar a uma grande distância de outros países de lingua portuguesa como Angola, Moçambique e Timor Leste.

Portanto, as mulheres brasileiras conquistaram o direito de voto em 1932, mas ainda não conseguiram ser representadas adequadamente no Poder Legislativo. Até 1998 as mulheres eram minoria do eleitorado. A partir do ano 2000, passaram a ser maioria e, nas últimas eleições, em 2010, já superavam os homens em 5 milhões de pessoas aptas a votar. Este superávit feminino tende a crescer nas próximas eleições. Contudo existem dúvidas sobre a possibilidade de as mulheres conseguirem apoio dos partidos para disputar as eleições em igualdade de condições.

Nas eleições de 2010, a grande novidade foi a eleição da primeira mulher para a chefia da República. Neste aspecto, o Brasil deu um grande salto na equidade de gênero, sendo uns dos 20 países do mundo que possui mulher na chefia do Poder Executivo. Com a alternância de gênero no Palácio do Planalto, o número de ministras cresceu e aumentou a presença de mulheres na presidência de empresas e órgãos públicos, como no IBGE e na Petrobrás.

Nos municípios, as mulheres são, atualmente, menos de 10% das chefias das prefeituras. Nas Câmaras Municipais as mulheres são cerca de 12% dos vereadores. Mas, em 2012, quando se comemoram os 80 anos do direito de voto feminino, haverá eleicões municipais. A Lei de Cotas determina que os partidos inscrevam pelo menos 30% de candidatos de cada sexo e dê apoio financeiro e espaço no programa eleitoral gratuito para o sexo minoritário na disputa. Os estudos acadêmicos mostram que, se houver igualdade de condições na concorrência eleitoral, a desigualdade de gênero nas eleições municipais poderá ser reduzida.

As mulheres brasileiras já possuem nível de escolaridade maior do que o dos homens, possuem maior esperança de vida e são maioria da População Economicamente Ativa (PEA) com mais de 11 anos de estudo. Elas já avançaram muito em termos sociais e não merecem esperar mais 80 anos para conseguir igualdade na participação política.

José Eustáquio Diniz Alves, doutor em Demografia e professor titular do mestrado em Estudos Populacionais e Pesquisas Sociais da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE/IBGE); apresenta seus pontos de vista em caráter pessoal.
Contato com o autor: (21) 2142.4689 / 2142.4696 / 9966.6432 -jed_alves@yahoo.com.br
  
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Outras fontes:
Clara Araújo – socióloga e pesquisadora
Departamento de Ciências Sociais da UERJ e Coordenadora do núcleo de estudos sobre desigualdade e relações (Nuderg) de UERJ / (21) 2334-0933 / 8441-2719 / claramaria.araujo@gmail.com

Guacira de Oliveira – socióloga
Cfemea (Centro Feminista de Estudos e Assessoria) - (61) 3224-1791 / 9984-5616 / guacira@cfemea.org.br

Maria Hermínia Tavares de Almeida - cientista política
Professora da USP - (11) 3091-6029 / mhbtdalm@usp.br

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Convite aos Petistas e amigos em Porto Velho.

Neste dia 10 o Partido dos Trabalhadores completou 34 anos de fundação. Realizaremos, em Rondônia, um Café da Manhã Comemorativo, no próximo dia 13 de Fevereiro de 2014 (quinta-feira), a partir das 9h, na Sede do PT Estadual (End: Av. Calama, nº 895 - Olaria - Porto Velho/RO).

Convidamos nossos/as companheiros/as petistas Militantes, Deputados Estaduais, Federais e Vereadores/as, para este ato de confraternização.

Contamos com a presença de todos/as. Mobilizem e divulguem as comemorações em suas regionais!

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje o PT vê como principal adversário Aécio ou Campos?

Entrevista com o deputado André Vargas.

Apoiado pelas pesquisas favoráveis à reeleição da presidente Dilma Rousseff, o PT começou 2014 com a estratégia de campanha calibrada. Apesar do tom de novidade da aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva, do PSB, o partido acredita que o principal adversário continuará sendo o PSDB de Aécio Neves. “Nosso adversário é o Aécio. O Eduardo Campos é uma aventura, porque o PSB é um partido que não existe nacionalmente”, diz o deputado federal André Vargas (PT). Vice-presidente da Câmara dos Deputados e ex-secretário nacional de comunicação do PT, Vargas é um dos poucos paranaenses que circulam pela restrita coordenação de campanha de Dilma. O petista explica que o núcleo duro do grupo tem apenas cinco nomes – o ex-presidente Lula, o presidente do partido, Rui Falcão, o publicitário João Santana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins. Segundo ele, Lula é uma “peça-chave” que estará na linha de frente da campanha, com mais liberdade do que em 2010.

Como está a organização da campanha à reeleição?

Ainda não se formou propriamente uma coordenação de campanha. Eu tenho falado sempre com o Rui Falcão sobre alianças, coligações. Em princípio, o que temos é um comando da campanha, com Rui Falcão, Lula, Aloizio Mercadante, Franklin Martins e João Santana. É pouca gente, mas tem de ser assim. Do outro lado, temos uma preparação do partido, em si, para a campanha. Aí cada um vai desempenhando suas funções.

À primeira vista, é uma composição diferente da coordenação de campanha de 2010, comandada pelo grupo que ficou conhecido como “três porquinhos” – José Eduardo Dutra [então presidente do PT], José Eduardo Cardozo [atual ministro da Justiça] e Antonio Palocci [ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil].

Sim. É uma situação diferenciada. A começar porque o Lula não vai estar no exercício do mandato, vai ter mais liberdade. Mas só em fevereiro vai se formatar mesmo quem assume qual função na coordenação.

Qual será o papel do ex-presidente Lula?

Um papel-chave. Primeiro tem que ficar claro que ele vai para a campanha. Segundo, que ele vai para a campanha com um olhar nas pesquisas. Ele é um homem pragmático. Ele vai fazer campanha no Nordeste e no Sudeste. O Lula também tem atuado na pré-campanha abrindo alianças. Essa proximidade do PT com o Gilberto Kassab (PSD), com o PP, é obra dele. A deferência que o mundo político tem por ele é enorme.

Qual é a visão interna que existe hoje dos principais desafios da campanha?

Nós temos várias frentes. Há a frente do governo, que tem que estar entregando aquilo que se comprometeu a entregar para a população – uma economia estável, com seguridade fiscal e geração de empregos. Há a frente política, que tem a missão de montar uma aliança forte. Aliás, já estamos vislumbrando uma aliança poderosa. Já temos definido o apoio do PMDB e estamos quase fechados com PSD e PP, que têm o segundo, o quarto e o quinto maior tempo de televisão – fora o nosso, que é o primeiro. Também estão muito avançadas as conversas com o PCdoB, o PDT, o PR e o PTB. Isso indica uma chapa ainda mais forte que a de 2010.

Está mais fácil formar alianças agora do que em 2010?

Sim, está tudo mais possível. Porque há uma estabilidade no governo. Depois dos protestos de junho, a presidenta conseguiu fazer algumas inserções políticas importantes, que deram estabilidade a ela no Congresso Nacional. Com isso, há uma tendência lógica de que os partidos que apoiam o governo no Congresso fechem conosco na eleição.

A saída do PSB da base, com o lançamento da candidatura de Eduardo Campos, colaborou para esse cenário favorável de alianças?

Não melhorou. O PSB é um aliado antigo do PT. Há setores da esquerda do PT que entendem que ainda hoje eles deveriam ser nossos aliados prioritários. O que estou percebendo é que esse movimento do Eduardo Campos dificultou a vida do PSDB. Até o momento o PSDB não tem aliança com ninguém. Nem o DEM declarou ainda apoio a Aécio Neves.

Então a leitura é que a candidatura de Campos pode ter prejudicado mais a oposição que o PT?

É a leitura que eu já fazia na época em que o PSB atraiu a Marina Silva. A oposição tinha quatro concorrentes potenciais – Aécio Neves, Eduardo Campos, Marina Silva e José Serra, que podia trocar o PSDB pelo PPS. Agora só sobraram dois [Aécio e Campos]. E ela não tem nenhuma mulher como concorrente direta. Estamos preparados para uma eleição de dois turnos. Mas o desafio de evitar que a presidenta faça mais de 50% dos votos no primeiro turno é deles. Tanto o Eduardo Campos quanto o Aécio não podem tirar votos um do outro porque não resolve essa situação. É uma matemática difícil para eles.

Hoje o PT vê como principal adversário Aécio ou Campos?

Nosso adversário é o Aécio. O PSDB é um partido mais estruturado. O Eduardo Campos é uma aventura, porque o PSB é um partido que não existe nacionalmente. O PSB ainda está tentando montar um palanque. Campos vai ter sérias dificuldades de entrar no Sul e no Sudeste. Até no Nordeste a vida dele não está fácil. Ele não conseguiu montar palanques na Bahia e no Ceará. Só sobrou Pernambuco.

O PT trabalha com a hipótese de uma briga entre Aécio e Campos? Até agora, o discurso deles está afinado.

Tudo indica que haverá uma canibalização da oposição. Nós estamos muito confortáveis. Temos palanque em todos os grandes estados. É só ver o caso do Paraná, em que podemos até ter dois [com Gleisi Hoffman (PT) e Roberto Requião (PMDB)]. Claro que a eleição não está ganha, que precisa ser monitorada até o dia da votação. Mas nós temos hoje um cenário mais claro e que indica a reeleição da presidenta. A crise econômica é internacional. Os efeitos aqui foram e ainda são mornos. Então a oposição não tem pauta para nos atacar.

(Fonte: Gazeta do Povo)

Punhos sem renda

por: Saul Leblon

da folhapress
O deputado André Vargas (PT-PR) não foi orientado por um script publicitário a erguer o braço e cerrar o punho na presença da toga que se esponja no desfrutável papel midiático de algoz do PT.

Genoíno, que o antecedeu na afirmação simbólica de identidade e protesto, ou Dirceu, que assim também se confraternizou com os militantes solidários que o aguardavam na entrada da Papuda, tampouco  obedeceram aos alertas  de ‘luzes, câmera, ação!’

Milhares de petistas e não-petistas anônimos que fizeram chegar doações a Genoíno e Delúbio –e aqueles que repetirão a solidariedade a Dirceu e  João Paulo, por certo não podem ser confundidos com coadjuvantes de uma  eleitoral.

O significado desses sinais de vitalidade enviados do metabolismo profundo não apenas do PT, da esquerda em geral,  já foram sublinhados pela argúcia de vários analistas da blogosfera.

O que eles evidenciam deixou inconformados colunistas e togas engajados em anos de desqualificação diuturna do partido, de seu legado e  valores.

Depois de tanto sangrar, o esquartejado ainda teima –e respira?

Da perplexidade ao ataque, passaram-se poucos dias até o impoluto doutor duplo habeas corpus, Gilmar Mendes,  puxar a coleira da matilha que passou a farejar operosa e incansavelmente: em algum ponto há de se achar  uma cubana das doações.

O fato é que  eles não contavam com a sobrevida da solidariedade no espinhaço ferido  da esquerda. Tudo isso já foi dito e bem dito.

Faltou dizer  que parte expressiva desta esquerda também se surpreendeu.

Surpreendeu-se  ela com o efeito demolidor de algo esquecido na prática minuciosamente monitorada pela conveniência  do exercício do poder: a espontaneidade de André Vargas.

Sem falar da solidariedade sem hesitação a Genoíno e Delúbio  –que por certo inclui doações expressivas de instituições e personalidades, a exemplo do cheque de R$ 10 mil enviado pelo ex-ministro Nelson Jobim.

Mas nada que diminua a vitalidade do que verdadeiramente incomoda e sacode: milhares de doadores anônimos não esperaram uma peça publicitária para sair em defesa de quem personifica referências inegociáveis de sua visão de vida, de mundo e de Brasil.

A criatividade inexcedível do protesto espontâneo e o efeito demonstração incomparável da prontidão solidária hibernavam na memória algo entorpecida do PT.

Há mais de uma década desafiado a ser partido de massa e governo --  a bordo das sabidas contradições que a dupla jornada encerra, o partido impôs-se, compreensivelmente, o gesso da previsibilidade e as algemas do risco zero.

Ademais dos comedimentos  da responsabilidade  de ser governo, o próprio êxito dessa trajetória  -- reiterado nas urnas—instituiu um protocolo de autopreservação: ele delega ao pensamento publicitário a última palavra (não raro a primeira também) sobre o que o partido deve falar, quando e como fazê-lo.

Cabe a pergunta: que publicitário petista orientaria um dirigente a cerrar o punho, de braço erguido, diante da toga colérica, a essa altura do jogo? E quantos bancariam uma campanha massiva de doações aos incômodos condenados do chamado ‘mensalão’?

‘E pur si muove...’

A eficácia do improvável deveria inspirar arguições no pragmatismo que planeja a campanha presidencial deste ano.

Todo cuidado é pouco  –estão aí as togas, o jornalismo isento, os mercados sedentos, os netos oportunistas e os verdes convertidos no altar do tripé.

‘Não vai ter Copa’ é o mínimo que eles ambicionam.

Mas estão aí também a democracia e o desenvolvimento brasileiro perfilados  num horizonte de encruzilhadas imunes à receita de mais do mesmo em nova embalagem e sabores reciclados.

Aquilo que cabe em um script competente, mas exatamente por isso encilhado em baixos teores de ousadia e residual  espaço à mobilização, talvez seja suficiente para vencer o conservadorismo nas urnas de outubro.

Mas o será para liderar a transição do novo pacto de desenvolvimento necessário à construção da democracia social brasileira?

A ver.

fonte: http://www.cartamaior.com.br/?/Editorial/Punhos-sem-renda/30199