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quarta-feira, 24 de abril de 2013

Roteiro para plenária de novos filiados ao PT.

O roteiro abaixo foi apresentado como proposta para as Plenárias de Formação para Novos Filiados do Partido dos Trabalhadores.

1. Saudação Incial: Bom dia/boa tarde/boa noite
2. Apresentação
3. Agradecimento
4. Começar a exposição refletindo sobre o nome: Partido dos Trabalhadores.
5. Partidos políticos, como os conhecemos hoje, surgem na revolução francesa de 1789.
6. Apesar dos partidos serem uma criação da revolução burguesa, a burguesia com o passar do tempo foi diminuindo a importância dos partidos. E quem herdou a tradição partidária foram os trabalhadores, a esquerda.
7. Por quê? Porque os partidos são instrumentos para conquistar o poder político. E como a burguesia já detém o poder político, ela dispõe de outros mecanismos para manter o poder: o Estado, a mídia, a indústria cultural, as escolas, as igrejas conservadoras, a disciplina empresarial imposta aos trabalhadores e, se nada disso funciona, as forças armadas.
8. Já os trabalhadores que não dispõem do poder, precisam do Partido para conquistar o poder. Ou seja, para defender suas ideias, para organizar a sociedade, para mobilizar a sociedade, para implementar as estratégias, as táticas, as formas de organização e luta necessárias para conquistar o poder político.
9. Por isto os partidos são tão importantes para nós, trabalhadores, pessoas de esquerda.
10. Vamos agora olhar o outro termo: partido dos trabalhadores.
11. Se fosse criado hoje, é possível que nos chamássemos dos trabalhadores e das trabalhadoras. Ou partido da classe trabalhadora. Por razões de gênero.
12. As mulheres são metade e foi a luta que deu visibilidade para suas reivindicações e direitos.
13. Os trabalhadores e trabalhadoras são a ampla maioria da sociedade. Mas não controlamos o poder. Vivemos numa democracia, mas a maioria social não é maioria política.
14. Quem é a classe trabalhadora? Os que vivem do seu trabalho, que não exploram o trabalho dos outros.
15. Há basicamente três grandes classes sociais no Brasil: os que vivem de explorar o trabalho dos outros (os capitalistas, os burgueses, o grande empresariado); os que vivem do seu trabalho e não exploram o trabalho dos outros (a classe trabalhadora, o proletariado); e os que combinam as duas características, vivendo em parte de seu trabalho e em parte explorando o trabalho dos outros, familiares ou agregados ou assalariados (os pequenos proprietários).
16. O PT é o partido dos que vivem do seu trabalho.
17. Isto não quer dizer que não possam se filiar ao PT empresários ou pequenos proprietários. Nem significa que o Partido esteja impedido de fazer alianças com partidos que expressam os interesses de outras classes.
18. Mas significa que o PT como partido tem como objetivo programático, estratégico, defender os interesses da ampla maioria, que é de trabalhadores assalariados.
19. Estas duas noções são fundamentais: somos um partido (portanto estamos numa organização que luta para conquistar o poder) e um partido da classe trabalhadora (portanto defendemos os interesses de uma parte da sociedade). Notem que a palavra “partido” já traz embutida a ideia de “parte”.
20. Isso às vezes gera preconceito: vocês são apenas de uma parte. Sim, mas somos de uma parte que é a maioria e cuja proposta é universal, ou seja, queremos uma sociedade onde não haja exploração nem opressão, o socialismo.
21. Isto nos remete para a segunda parte da exposição: o que propomos?
22. Um partido político deve ser definido não pelo que acha de si mesmo, mas pela sua obra. E sua obra não pode ser apenas o passado, mas sim principalmente o presente e o futuro.
23. E como o presente e o futuro estão sendo construídos, discutir isto é discutir onde queremos chegar (o programa), como queremos chegar (a estratégia, a tática e as formas de luta) e como nos organizamos para chegar (as formas de organização).
24. O programa de um partido começa com um diagnóstico da sociedade em que vivemos.
25. Qual o nosso diagnóstico: vivemos numa sociedade capitalista, mas numa sociedade capitalista específica, marcada por grande dependência externa, grande desigualdade social e pouca democracia. Estas três características são ligadas uma as outras.
26. O território que hoje chamamos de Brasil foi invadido pelos europeus, mais ou menos na mesma época em que o restante do continente. E após a invasão, as riquezas existentes aqui foram exploradas para subsidiar a economia de algumas regiões europeias e, com isso, acabamos ajudando a fazer nascer o capitalismo.
27. Aí alguém pode se perguntar, 500 anos depois: como pode um país como o Brasil que começou depois e durante séculos foi colônia, ter se convertido em uma das principais economias capitalistas do mundo?
28. Esta questão é objeto de muitos debates. Portanto, o que vamos falar aqui é uma simplificação: apesar de sermos dependentes, chegamos aonde chegamos, porque entre outros motivos abusamos da exploração, o que gerou uma das sociedades mais desiguais do mundo.
29. Lembrando que desigualdade não é pobreza, mas sim a distância entre os que mais tem e os que menos tem.
30. E como foi que durante tantos séculos mantivemos tanta desigualdade? Mantendo baixas taxas de democracia: muito império, muita monarquia, muita ditadura, muita ditadura limitada.
31. Portanto, o tipo de sociedade que temos aqui no Brasil é capitalista, mas um capitalismo dependente, desigual e com baixas doses de democracia.
32. Para exemplificar este tema da democracia: temos 513 anos de história, dos quais 322 de império, 388 de escravidão, 389 de monarquia, depois 41 anos de uma república velha com voto fraudulento, depois 15 anos de ditadura varguista, depois 18 anos de uma democracia pela metade (com repressão ao movimento sindical e restrições a vida política de esquerda), depois mais 21 anos de ditadura militar, depois mais 4 anos de uma transição conservadora e, só em 1989, 489 anos depois, tivemos eleições presidenciais relativamente livres.
33. E bastou isto para quase o PT ganhar a presidência.
34. E depois de 1989, foram necessários apenas 13 anos para o PT vencer. Entendem porque a democracia política é um perigo para a classe dominante?
35. Voltando: nossos principais problemas são a dependência, a desigualdade e a democracia restrita. Estes problemas foram mantidos durante a época do desenvolvimentismo conservador, de 1930 a 1980; e foram mantidos na época neoliberal, de 1990 a 2002.
36. Frente a estes problemas, o que defendemos: acabar com o neoliberalismo, realizar reformas estruturais democráticas e populares, construir uma sociedade socialista.
37. Há toda uma discussão, dentro do PT, sobre como estes três objetivos programáticos se traduzem em políticas concretas e como eles se articulam uns com os outros. Ou seja: como combinar a luta contra o neoliberalismo, contra o desenvolvimentismo conservador e contra o capitalismo; e como traduzir estes objetivos em programas, em ações concretas.
38. Esta discussão é o que chamamos de estratégia.
39. No PT existem diferentes visões sobre a estratégia do Partido. O que podemos destacar aqui são algumas premissas fundamentais e fundantes da estratégia petista: o caráter de massas, a acumulação de forças e a necessidade de diferenciar as alianças estratégicas das táticas.
40. O PT é um partido de massas. Muita gente interpreta isto como número e, é claro, falar de massas também é falar de números. Mas quando a gente fala que somos um partido de massas, estamos nos referindo a um aspecto estratégico de nossa política: fazemos política para dezenas de milhões de pessoas, com o objetivo de ganhar estes milhões para nossas posições, com o objetivo de que estes milhões façam por si mesmo política, se organizem e lutem e construam uma sociedade diferente.
41. Isto significa, por uma parte, que não queremos o poder para o Partido, mas sim queremos que a maioria da sociedade detenha o poder e, para que isto seja possível, construa um jeito diferente de exercer o poder.
42. Isto significa, por outro lado, que o PT não pode fazer política apenas nos locais tradicionais. O PT não surgiu para disputar eleições, exercer mandatos e governar. O PT surgiu para organizar a classe trabalhadora, para organizar a maioria da sociedade, para que esta maioria se auto-governe. Por isto temos que estar presentes e atuantes em todos os espaços da sociedade. E por isto disputar eleições, exercer mandatos e governar constituem meios, não fins em si.
43. Isto nos remete para a combinação de formas de luta. Para o PT atingir seus objetivos, é preciso construir um movimento político cultural de massas, organizar os movimentos sociais, disputar espaços institucionais e organizar o próprio Partido.
44. A ideia de movimento político cultural de massas é muito importante: se queremos viver numa sociedade diferente, temos que lutar para nos libertar dos velhos hábitos, costumes, inércias, obediências devidas que caracterizam a sociedade que vivemos.
45.Quando a gente fala da luta contra o racismo, contra a homofobia, contra o machismo, contra o preconceito contra idosos e contra jovens, contra o individualismo etc. estamos falando disto. Quando a gente fala de desenvolver novos conteúdos na educação, de construir uma cultura que não seja voltada ao lucro, de construir uma mídia democrática, de construir uma cultura de tolerância e solidariedade, estamos falando disto.
46. Organizar os movimentos sociais significa que devemos estimular a autoorganização, a conscientização e a mobilização de cada setor de nossa parte da sociedade. Tem gente que vem direto para o PT, mas o PT não deve querer ser o Partido de todos os trabalhadores e trabalhadoras. Mas o PT deve sim lutar para que todos os trabalhadores e trabalhadoras, todos os aposentados e todos os filhos e filhas da classe trabalhadora estejam organizados em sindicatos, em grêmios, em associações de bairro, em organizações de mulheres, de negros, de jovens, de índios. É fundamental que nossa sociedade se auto-organize, e que lute, porque a classe dominante esta tem seus próprios meios e os usa muito bem, em seu interesse.
47. Disputas espaços institucionais é outra dimensão estratégica para o Partido: trata-se de disputar as eleições, exercer mandatos parlamentares e exercer mandatos executivos.
48. Isto é importante porque nos permite começar a implementar, agora, parte de nosso programa. Mas atenção: um bom mandato, especialmente um bom mandato executivo, não é o objetivo final. É um meio. E para ser um meio exitoso, precisa estar articulado com as outras dimensões estratégicas que eu citei: a cultura de massas, a organização da sociedade; e com a organização do Partido.
49. Vejam o caso de nossos 10 anos de governo federal. Estamos melhor do que estávamos sob FHC e estamos melhor do que estaríamos se Serra ou Alckmin tivessem ganho as eleições presidenciais.
50. Mas atenção: parte importante do povo que melhorou de vida graças aos nossos governos, não atribui isto ao PT nem aos governos encabeçados pelo PT. Atribui isto a seu esforço pessoal. Isto tem um lado bom: é importante que as pessoas confiem em si mesmas e ninguém deve ficar grato por ter seus direitos. Mas tem um lado ruim: significa que parte das pessoas que melhoraram de vida, continuam culturalmente, politicamente, prisioneiras das mesmas forças políticas que querem que o povo piore de vida.
51. E porque acontece isto? Porque não conseguimos fazer reforma política, porque não conseguimos democratizar a comunicação, porque não conseguimos organizar a sociedade como deveríamos e precisamos, porque o Partido ainda é muito débil.
52. Temos muito o que fazer e só faremos o que precisa ser feito se continuarmos ganhando eleições presidenciais, se governarmos os grandes estados brasileiros, a começar de SP, RJ e MG; se conquistarmos a maioria do parlamento nacional, dos parlamentos estaduais e municipais, bem como das prefeituras.
53. E isso será possível se tivermos partido, luta social, disputa político-cultural. Portanto, é muito importante onde a gente é governo, não confundir a defesa dos nossos governos, com o governismo.
54. Governismo é aquela atitude de quem acha que ser governo basta. Quem defende o governo sabe que é importante ter partido, ter movimento social, ter debate de ideias e, inclusive, sabe que às vezes é preciso que o Partido pressione o governo de fora para dentro e de baixo para cima, para compensar as pressões que outras forças fazem.
55. Isto nos remete para o último aspecto que eu citei: a política de alianças.
56. O PT não é o único partido que busca defender  os interesses da classe trabalhadora, não é o único partido socialista, não é o único que critica o neoliberalismo e o desenvolvimentismo conservador.
57. Por outro lado, sozinhos não vamos conseguir dar conta dos nossos objetivos programáticos. Assim, o PT está disposto a fazer alianças, tanto alianças estratégicas (com aqueles partidos que coincidem conosco nos objetivos mais gerais) quanto alianças táticas (com aqueles partidos com os quais divergimos quanto ao objetivo final, mas estamos de acordo em temas pontuais ou intermediários).
58. Evidentemente existe uma grande polêmica dentro do PT acerca de quem são nossos aliados estratégicos e táticos.
59. Já falei de onde queremos chegar (o programa), de como queremos chegar (a estratégia, a tática e as formas de luta) e agora quero falar das formas de organização.
60. Somos um partido, um partido de trabalhadores, um partido socialista, democrático-popular e antineoliberal, que acumula forças no debate ideológico, na luta de massas, na luta institucional e que constrói a si mesmo.
61. O tema da construção do Partido é muito importante, pois de certa forma o PT deve antecipar, no seu funcionamento interno, aquilo que desejamos para a sociedade.
62. Queremos ser um partido de milhões. Temos apenas 1.800.000, precisamos de muito mais.
63. Queremos milhões de pessoas conscientes, por isto precisamos de formação política, de meios de comunicação internos e de instituições como a Fundação Perseu Abramo.
64. Queremos que estes milhões interajam com o restante da sociedade, por isto precisamos de comunicação de massas, setoriais, núcleos de base e diretórios que funcionam permanentemente.
65. Queremos que o Partido expresse a classe trabalhadora, por isso precisamos de jovens, de negros, de mulheres, de expressão regional. Daí as cotas.
66. E queremos que o Partido seja dirigido por si mesmo, o que significa que deve haver eleições periódicas, liberdade de opinião e organização de tendências, funcionamento intenso.
67. Por fim: estamos num momento muito especial da vida do Brasil, da América Latina e do mundo. No mundo há uma enorme crise, uma crise do capitalismo, combinada com grandes transformações: uma potência ainda poderosa, mas que vai perdendo espaço; e novos polos de poder que vão emergindo, entre eles o próprio Brasil e nosso continente.
68. Portanto, estamos num momento muito perigoso, mas também cheio de esperanças e possibilidades. O que vai predominar? Depende em parte de todos nós e de cada um de vocês. Por isto, para vocês que estão entrando no PT, o que dizemos é sejam bem vindos e ao trabalho, que há muita luta, uma boa luta, para travarmos juntos por um mundo e um Brasil sem opressão nem exploração.

quinta-feira, 18 de abril de 2013

Abril Vermelho: As mobilizações do MST em Rondônia

Manifestação em Jaru do MST - foto lenir
Em Jaru, Ouro Preto, Alvorada e outras cidades  militantes do  MST em Rondônia fizeram manifestação em lembrança ao Massacre de Eldorado de Carajás, fazendo parte da programação do Abril Vermelho - atividades que lembram que a REforma Agrária deve estar na pauta do dia, assim, como a Justiça no Campo.

Em total MST realizou protestos em cinco trechos da BR-364 no estado de Rondônia, na manhã desta quarta-feira (17/4/13), para cobrar o assentamento das 800 famílias do movimento acampadas no estado, dentro de um plano emergencial do governo federal para todo o país.

As ações, que envolveram 300 militantes, aconteceram na altura dos municípios de Porto Velho, Presidente Médici, Ouro Preto do Oeste, Jaru e Ariquemes na BR-364. Os Sem Terra fizeram atividades de panfletagens e bandeiraços em memória aos mortos no Massacre de Carajás e em defesa da Reforma Agrária.

Segundo o MST a Reforma Agrária está parada em Rondônia. Desde 2001, apenas 48 famílias foram assentadas. Dois pré-assentamentos ainda não foram consolidados por falta de agilidade do Incra. “Nenhuma famílias foi assentada no ano passado. Há famílias que estão acampadas no estado por mais de 10 anos”, disse Cláudio Pereira Santos, dirigente do MST em Rondônia.

Em Jaru os manifestantes se concentraram as margens da BR 364, utilizando cartazes, faixas e bandeiras, lembravam a população que ainda há muito para ser feito para que a Justiça no Campo aconteça.

Além da memória do massacre e mortes de sem terra, contra a impunidade do campo, pela reforma agrária assentando para combater a pobreza, contra a priorização judiciária da propriedade da terra por cima da função social, pela manutenção da legislação trabalhista do campo, contra o uso de agrotóxicos no campo, por uma nova matriz produtiva, com um programa de agroindústrias para os assentamentos. (veja abixo o texto completo).

EM MEMÓRIA AO MASSACRE E ÀS MORTES DE SEM TERRA
A jornada de lutas é realizada em memória aos 21 companheiros assassinados (19 morreram no local) no Massacre de Eldorado de Carajás, em operação da Polícia Militar, no município de Eldorado dos Carajás, no Pará, no dia 17 de abril de 1996. Após esse acontecimento, tal dia se tornou oficialmente o Dia Nacional de Luta pela Reforma Agrária. Depois de 16 anos de um massacre de repercussão internacional, o país ainda não resolveu os problemas da pobreza no campo. Os fazendeiros continuam promovendo diversos atos de violência por causa da impunidade e da lentidão do Poder Judiciário para julgar esses crimes. Nos últimos meses, foram assassinados trabalhadores rurais no Pará e no Rio de Janeiro.

CONTRA A IMPUNIDADE NO CAMPO
Dados da Comissão Pastoral da Terra (CPT) apontam que entre 1985 e 2011, 1.637 pessoas foram assassinadas no Brasil em decorrência de conflitos no campo. Destes, apenas 91 casos foram julgados, resultando na condenação de 21 mandantes e 72 executores. Isso significa que a Justiça no Brasil levou às grades um criminoso para cada 17 pessoas assassinadas em todos esses anos. O Massacre de Eldorado dos Carajás é um exemplo da impunidade do crimes do latifúndio. O coronel Mario Colares Pantoja e o major José Maria Pereira de Oliveira foram presos 16 anos após o Massacre de Eldorado dos Carajás, em maio de 2012, depois Eles foram julgados e condenados em 2002, mas desde então vinham recorrendo em liberdade. Os 155 policiais militares executores diretos do massacre foram absolvidos. O então governador do Estado do Pará, Almir Gabriel (que morreu em fevereiro de 2013) e secretário de Segurança Pública, Paulo Sette Câmara, não foram indiciados.

POR QUE ESTAMOS MOBILIZADOS?
A Reforma Agrária está parada no Brasil. 150 mil famílias estão acampadas no Brasil. O governo parou a política de criação de assentamentos. O Poder Judiciário tem travado o andamento dos processos de desapropriações das áreas. Existem 69.233 grandes propriedades improdutivas no país, que controlam 228 milhões de hectares de terra (IBGE/Censo de 2010).

1- Exigimos um plano emergencial do governo federal para o assentamento das famílias acampadas até o final deste ano. Temos famílias acampadas há mais de seis anos, vivendo em situação bastante difícil à beira de estradas e em áreas ocupadas, que são vítimas da violência do latifúndio e do agronegócio. Assentar as famílias sem-terra nos perímetros irrigados na região Nordeste, que serão beneficiadas com terra e acesso a água.

2-Reivindicamos a universalização das políticas públicas para o desenvolvimento dos assentamentos, com investimentos públicos, crédito agrícola, habitação rural, educação e saúde. Os assentados melhoraram de vida e estão produzindo, mas parte deles enfrentam uma situação bastante difícil, com a falta de investimento público para crédito rural e infraestrutura em áreas de reforma agrária, como casa, saneamento básico, escola e hospital.

3-Cobramos a criação de uma linha de crédito especial para as famílias assentadas, para fomentar a produção de alimentos e garantir renda às famílias. O Pronaf é insuficiente para atender ao público da reforma agrária e da agricultura familiar, pois o volume de recursos não atende a todos os setores. Dois milhões de agricultores familiares pobres continuam sem ter acesso à principal política pública de desenvolvimento rural do país, por que o programa não considera especificidades das áreas de reforma agrária.

4-Exigimos medidas para garantir educação nos assentamentos, com a construção de escolas nos assentamentos (em todos os níveis: infantil, fundamental, médio, escolas técnicas e universidades), um programa de combate ao analfabetismo e políticas para a formação de professores no meio rural.

ACAMPAMENTO EM BRASÍLIA
A nossa mobilização tem foco nos estados em que estamos organizados. No entanto, estamos mobilizados também em Brasília com um acampamento de 500 pessoas para pressionar o governo e cobrar do Poder Judiciário agilidade para julgar e condenar os latifundiários e pistoleiros responsáveis pelos casos de violência no campo contra trabalhadores rurais.

ASSENTAR PARA COMBATER A POBREZA
Um levantamento da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) aponta que a insegurança alimentar é maior na área rural do que na urbana. Enquanto 6,2% e 4,6% dos domicílios em área urbana apresentavam níveis moderado e grave de insegurança alimentar, respectivamente, na área rural as proporções foram de 8,6% e 7%. A presidenta Dilma fez o compromisso de acabar com a pobreza no seu governo. Só é possível acabar com a pobreza com a realização da Reforma Agrária e políticas para o desenvolvimento dos assentamentos. A Reforma Agrária, casada com um amplo programa de agroindustrialização da produção, é a resposta para enfrentar a pobreza, porque gera renda, cria empregos e aumenta a produção de alimentos.

COMERCIALIZAÇÃO PARA GERAR RENDA
O governo precisa universalizar as políticas públicas de compra da produção de alimentos, de qualidade e saudáveis para atender a demanda dos municípios próximos dos assentamentos e as compras governamentais, para escolas e hospitais, fortalecendo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) e os programas PNAE e PAA. Esses programas são muito importantes e tem cumprido o papel de dinamizar a produção de assentamentos. No entanto, poucas famílias têm acesso e o orçamento é muito pequeno.

PODER JUDICIÁRIO DEFENDE O LATIFÚNDIO
O processo de aquisição de terras para a reforma agrária é lento, porque se transforma em uma disputa judicial pela falta de instrumentos do Incra e pela posição do Poder Judiciário de proteger o direito da propriedade acima da necessidade de cumprimento da função social. Assim, os juízes não aplicam a Constituição e a Lei Complementar que dispõe que o processo de desapropriação deve obedecer rito sumário e deve ter trâmite preferencial. Atualmente, 193 áreas se encontram com processos judiciais que impedem aquisição pelo Incra. São mais de 986 mil hectares de terras, em todo o País, que dependem da Justiça para a sua liberação para a Reforma Agrária.

DESPEJOS EM 15 DIAS
Somos contra a aprovação do projeto de lei (PLS 251/2010) que obriga governadores a executar reintegração de posse, em imóveis urbanos e rurais, no prazo máximo de 15 dias. Esse projeto criminaliza as ocupações de terra, que são uma forma de pressão popular organizada para que o governo cumpra o seu papel e desaproprie as áreas que não cumprem função social, como manda a Constituição. O projeto tramita em regime terminativo na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal. Se aprovado, seguirá direto para a Câmara dos Deputados sem necessidade de passar no plenário. A proposta, que classifica como crime de responsabilidade o descumprimento da medida pelos governadores , foi apresentada pela senadora Kátia Abreu (PSD-TO), presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

PELA MANUTENÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRABALHISTA NO CAMPO
Exigimos a manutenção dos direitos trabalhistas no meio rural. A bancada ruralista se organiza para flexibilizar as leis trabalhistas do campo. Os ruralistas querem tornar as relações trabalhistas mais precárias: aumento da jornada de trabalho no período de colheita (para mais de 10 horas), ajustes no regime de terceirização dos trabalhadores, flexibilização da Norma Regulamentadora 31 (NR31), que obriga os empregadores de procedimentos que garantam o trabalho decente e direitos humanos.

PROGRAMA DE AGROINDÚSTRIAS PARA ASSENTAMENTOS
O governo lançou um programa importante para a instalação de agroindústrias em áreas da Reforma Agrária. Precisamos fortalecer, ampliar e universalizar esse programa para todos os assentamentos . Com a industrialização dos alimentos, a produção ganha valor agregado, elevando a renda das famílias. A criação das agroindústrias vai criar uma cadeia produtiva para a geração de empregos no campo. Há um grande potencial de criação de postos de trabalho, mas nossos assentados passam por uma situação bastante difícil, com a falta de investimento público para crédito rural e infraestrutura em áreas de reforma agrária, como casa, saneamento básico, escola e hospital.

CONTRA O USO DOS AGROTÓXICOS
O Brasil é o maior consumidor de agrotóxicos do mundo desde 2009. Mais de um bilhão de litros de venenos foram jogados nas lavouras, de acordo com dados oficiais. Os agrotóxicos contaminam a produção dos alimentos que comemos e a água (dos rios, lagos, chuvas e os lençóis freáticos) que bebemos. Mas os venenos não estão só no nosso prato. Todo o ambiente, os animais e nós, seres humanos, estamos ameaçados. Os agrotóxicos causam: câncer, problemas hormonais, problemas neurológicos, má formação do feto, depressão, doenças de pele, problemas de rim, diarreia, vômitos, desmaio, dor de cabeça, problemas reprodutivos, contaminação do leite materno.

NOVA MATRIZ DE PRODUÇÃO
Precisamos de uma nova matriz de produção agrícola. O governo precisa fortalecer e universalizar o programa nacional para o desenvolvimento de técnicas de produção com base na agroecologia. Implementar um amplo programa de reflorestamento, para todas as áreas de Reforma Agrária para recuperar as áreas degradadas e fontes de água destruídas pelo latifúndio. O modelo do agronegócio se sustenta no latifúndio, na mecanização predadora, na expulsão das famílias do campo e no uso exagerado de agrotóxicos. Queremos a proibição do uso dos venenos. No lugar dos latifúndios, defendemos pequenas e médias propriedades e Reforma Agrária. Somos favoráveis ao “Desmatamento zero”, acabando com devastação do ambiente. Em vez da expulsão campo, políticas para geração de trabalho e renda para a população do meio rural. Novas tecnologias que contribuam com os trabalhadores e acabem com a utilização de agrotóxicos. Daí será possível um jeito diferente de produzir: a agroecologia.

NOSSAS CRÍTICAS AO MODELO DO AGRONEGÓCIO
O modelo imposto pelas empresas transnacionais, pelos bancos e pelo Estado para o campo brasileiro – chamado de agronegócio – não tem condições de melhorar a vida dos trabalhadores rurais e garantir a nossa soberania alimentar. As empresas estrangeiras passam a controlar o território brasileiro, por meio da associação com os latifúndios improdutivos, e se apropriando de terras que deveriam ser destinadas à Reforma Agrária. Não produzem alimentos para o povo brasileiro. Deterioram o ambiente com o uso da monocultura, como de soja, eucalipto, cana-de-açúcar e pecuária intensiva. Gera poucos empregos: 10 vezes menos que a agricultura familiar. Concentra a terra para a monocultura para exportação, baseada em baixos salários, no uso intensivo de agrotóxicos e de sementes transgênicas. Desrespeitam as leis trabalhistas e ambientais, inclusive com a utilização de trabalho escravo.