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sábado, 7 de fevereiro de 2015

Socialismo e caridade religiosa.

Muita gente no PT se diz socialista. Porém a grande maioria dos petistas sequer sabem o que é socialismo. Para muito desses, o socialismo é uma disposição de dividir entre os pobres o dinheiro dos ricos. E era isso que  fazia o Robin Hood, do livro. Somente isso não adianta. Se os meios de produção continuarem nas mãos de uma pequena classe, no fim de um certo período de tempo os pobres voltarão a ser pobres e os ricos voltarão a serem ricos. Em verdade para os verdadeiros socialistas, Robin Hood era apenas um ladrão com boas intenções (e de boas intenções o inferno tá cheio, segundo Dante Alhiguieri, noutro livro). Robin Hood em vez de apenas roubar produtos e dinheiro, devia, principalmente, organizar o povo para assumir os meios de produção. Aí ele seria revolucionário.

Em 1905, a revolucionária alemã Rosa Luxemburgo, a Rosa Rubra, escreveu um pequeno texto onde esclarece esse mecanismo de acumulação de riqueza e poder pela burguesia e seus lacaios. Transcrevo abaixo um pequeno trecho desse conciso opúsculo:

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Rosa Luxemburgo
"Suponhamos, por exemplo, que os ricos proprietários, influenciados pela doutrina crista, oferecessem para distribuir para o povo todas as riquezas que possuíam em forma de dinheiro, cereais, frutas, vestuário e animais. Qual seria o resultado? 

A pobreza desapareceria por algumas semanas e , durante este tempo, a população poderia alimentar-se e vestir-se. Mas os produtos são rapidamente consumidos. Após um pequeno lapso de tempo, as pessoas, tendo consumido as riquezas distribuídas, teriam uma vez mais as mãos vazias. 

Por outro lado, os proprietários da terra e dos instrumentos de produção podiam produzir mais, graças ao poder laboral dos escravos, e assim nada se mudaria. 

Bem. Aqui está porque os sociais democratas consideram estas coisas de um modo diferente dos comunistas cristãos. 

Eles dizem: “Não queremos que os ricos repartam com os pobres: não queremos nem caridade nem esmolas; ambas as coisas são incapazes de impedir o retorno da desigualdade entre os homens. Não é de modo algum uma partilha entre ricos e pobres que nós desejamos, mas a completa supressão de ricos e pobres”. 

Isto é possível desde que as fontes de toda a riqueza, a terra, em comum com todos os outros meios de produção e instrumentos de trabalho, se tornem propriedade coletiva do povo trabalhador que irá produzir para si próprio, de acordo com as necessidades de cada um. 

Os primeiros cristãos acreditaram que podiam remediar a pobreza do proletariado por meio das riquezas oferecidas pelos possuidores. Isso seria deitar água numa peneira!"

[Rosa Luxemburgo no folheto O Socialismo e as Igrejas, cuja integra está em:
http://www.espacoacademico.com.br/017/17roslux.htm ]

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