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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Hoje o PT vê como principal adversário Aécio ou Campos?

Entrevista com o deputado André Vargas.

Apoiado pelas pesquisas favoráveis à reeleição da presidente Dilma Rousseff, o PT começou 2014 com a estratégia de campanha calibrada. Apesar do tom de novidade da aliança entre Eduardo Campos e Marina Silva, do PSB, o partido acredita que o principal adversário continuará sendo o PSDB de Aécio Neves. “Nosso adversário é o Aécio. O Eduardo Campos é uma aventura, porque o PSB é um partido que não existe nacionalmente”, diz o deputado federal André Vargas (PT). Vice-presidente da Câmara dos Deputados e ex-secretário nacional de comunicação do PT, Vargas é um dos poucos paranaenses que circulam pela restrita coordenação de campanha de Dilma. O petista explica que o núcleo duro do grupo tem apenas cinco nomes – o ex-presidente Lula, o presidente do partido, Rui Falcão, o publicitário João Santana, o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, e o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social Franklin Martins. Segundo ele, Lula é uma “peça-chave” que estará na linha de frente da campanha, com mais liberdade do que em 2010.

Como está a organização da campanha à reeleição?

Ainda não se formou propriamente uma coordenação de campanha. Eu tenho falado sempre com o Rui Falcão sobre alianças, coligações. Em princípio, o que temos é um comando da campanha, com Rui Falcão, Lula, Aloizio Mercadante, Franklin Martins e João Santana. É pouca gente, mas tem de ser assim. Do outro lado, temos uma preparação do partido, em si, para a campanha. Aí cada um vai desempenhando suas funções.

À primeira vista, é uma composição diferente da coordenação de campanha de 2010, comandada pelo grupo que ficou conhecido como “três porquinhos” – José Eduardo Dutra [então presidente do PT], José Eduardo Cardozo [atual ministro da Justiça] e Antonio Palocci [ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil].

Sim. É uma situação diferenciada. A começar porque o Lula não vai estar no exercício do mandato, vai ter mais liberdade. Mas só em fevereiro vai se formatar mesmo quem assume qual função na coordenação.

Qual será o papel do ex-presidente Lula?

Um papel-chave. Primeiro tem que ficar claro que ele vai para a campanha. Segundo, que ele vai para a campanha com um olhar nas pesquisas. Ele é um homem pragmático. Ele vai fazer campanha no Nordeste e no Sudeste. O Lula também tem atuado na pré-campanha abrindo alianças. Essa proximidade do PT com o Gilberto Kassab (PSD), com o PP, é obra dele. A deferência que o mundo político tem por ele é enorme.

Qual é a visão interna que existe hoje dos principais desafios da campanha?

Nós temos várias frentes. Há a frente do governo, que tem que estar entregando aquilo que se comprometeu a entregar para a população – uma economia estável, com seguridade fiscal e geração de empregos. Há a frente política, que tem a missão de montar uma aliança forte. Aliás, já estamos vislumbrando uma aliança poderosa. Já temos definido o apoio do PMDB e estamos quase fechados com PSD e PP, que têm o segundo, o quarto e o quinto maior tempo de televisão – fora o nosso, que é o primeiro. Também estão muito avançadas as conversas com o PCdoB, o PDT, o PR e o PTB. Isso indica uma chapa ainda mais forte que a de 2010.

Está mais fácil formar alianças agora do que em 2010?

Sim, está tudo mais possível. Porque há uma estabilidade no governo. Depois dos protestos de junho, a presidenta conseguiu fazer algumas inserções políticas importantes, que deram estabilidade a ela no Congresso Nacional. Com isso, há uma tendência lógica de que os partidos que apoiam o governo no Congresso fechem conosco na eleição.

A saída do PSB da base, com o lançamento da candidatura de Eduardo Campos, colaborou para esse cenário favorável de alianças?

Não melhorou. O PSB é um aliado antigo do PT. Há setores da esquerda do PT que entendem que ainda hoje eles deveriam ser nossos aliados prioritários. O que estou percebendo é que esse movimento do Eduardo Campos dificultou a vida do PSDB. Até o momento o PSDB não tem aliança com ninguém. Nem o DEM declarou ainda apoio a Aécio Neves.

Então a leitura é que a candidatura de Campos pode ter prejudicado mais a oposição que o PT?

É a leitura que eu já fazia na época em que o PSB atraiu a Marina Silva. A oposição tinha quatro concorrentes potenciais – Aécio Neves, Eduardo Campos, Marina Silva e José Serra, que podia trocar o PSDB pelo PPS. Agora só sobraram dois [Aécio e Campos]. E ela não tem nenhuma mulher como concorrente direta. Estamos preparados para uma eleição de dois turnos. Mas o desafio de evitar que a presidenta faça mais de 50% dos votos no primeiro turno é deles. Tanto o Eduardo Campos quanto o Aécio não podem tirar votos um do outro porque não resolve essa situação. É uma matemática difícil para eles.

Hoje o PT vê como principal adversário Aécio ou Campos?

Nosso adversário é o Aécio. O PSDB é um partido mais estruturado. O Eduardo Campos é uma aventura, porque o PSB é um partido que não existe nacionalmente. O PSB ainda está tentando montar um palanque. Campos vai ter sérias dificuldades de entrar no Sul e no Sudeste. Até no Nordeste a vida dele não está fácil. Ele não conseguiu montar palanques na Bahia e no Ceará. Só sobrou Pernambuco.

O PT trabalha com a hipótese de uma briga entre Aécio e Campos? Até agora, o discurso deles está afinado.

Tudo indica que haverá uma canibalização da oposição. Nós estamos muito confortáveis. Temos palanque em todos os grandes estados. É só ver o caso do Paraná, em que podemos até ter dois [com Gleisi Hoffman (PT) e Roberto Requião (PMDB)]. Claro que a eleição não está ganha, que precisa ser monitorada até o dia da votação. Mas nós temos hoje um cenário mais claro e que indica a reeleição da presidenta. A crise econômica é internacional. Os efeitos aqui foram e ainda são mornos. Então a oposição não tem pauta para nos atacar.

(Fonte: Gazeta do Povo)

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