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terça-feira, 25 de junho de 2013

Rede Globo, o povo não é bobo

por Plínio de Arruda Sampaio Jr.  

Assustada com as mobilizações populares que romperam duas décadas de marasmo político e letargia social, após um momento de grande perplexidade, a ordem estabelecida deu uma primeira resposta à revolta social que toma conta do Brasil. Seu ponto de vista aparece de maneira escancarada na estética e no discurso da grande mídia falada e escrita. Não por acaso, as grandes redes de televisão tornaram-se um dos alvos preferenciais da fúria popular, ao lado de outros símbolos do poder burguês e da modernidade fútil - os prédios públicos, os bancos, as concessionárias de automóveis.

Por representar o que há de mais comprometido com tudo o que há de pior do capitalismo selvagem, a perspectiva da Rede Globo é emblemática de como a plutocracia brasileira enxerga as mobilizações populares que abalam a “paz social” e ameaçam seus privilégios seculares. As imagens da Rede Globo são quase que invariavelmente feitas a partir de duas perspectivas: do alto das coberturas dos prédios e dos helicópteros ou atrás da tropa de choque. É uma verdadeira metáfora de como a burguesia lida com o conflito social: distante dos problemas da população e em oposição frontal a quem luta por direitos coletivos.

Preocupados com a possibilidade de a revolta popular transformar-se numa revolução política, a grande mídia martela dia e noite palavras de ordem que têm como objetivo neutralizar o potencial subversivo da revolta popular. No “fim da história”, as rebeliões não podem ter causa. Daí a insistência em instrumentalizar a ira contra os partidos da ordem – PT, PSDB, PMDB, PSB etc. –, para estigmatizar todo e qualquer partido e para banir toda e qualquer bandeira política que possa dar um horizonte revolucionário à energia humana que brota de baixo para cima.

A ladainha ultraconservadora é repetida ad nauseam nos jornais, rádios e televisão. Bonner à frente, os grandes meios vociferam consignas reacionárias. seguir lendo >>

fonte: http://www.correiocidadania.com.br

sábado, 22 de junho de 2013

Presidente do PT faz cobrança dura à juventude petista


O presidente do PT, Rui Falcão, cobrou a secretaria de juventude petista por não ter identificado, na origem, o movimento que começou como um protesto contra o aumento da passagem do ônibus, em São Paulo, e se estendeu depois por todo o país, numa onda de manifestações.
Jovens petistas contaram que Falcão foi incisivo com o secretário Jefferson Lima: "Que juventude é essa incapaz de identificar o processo que vai surgir, que não é espontâneo mas político e, depois de identificado, não se organizou para dar um rumo às manifestações". Falcão confirmou que conversou com os jovens, mas não deu detalhes sobre os assuntos tratados.
A reportagem é de Raymundo Costa e publicada pelo jornal Valor, 21-06-2013.
Na cobrança feita à Secretaria de Juventude do PT o presidente do partido disse que os jovens petistas não disputaram o Movimento do Passe Livreporque não se prepararam para o debate sobre transporte público e mobilidade urbana. E questionou seu preparo para discutir política ambiental, por exemplo, quando Marina Silva (Rede Sustentabilidade) propuser o debate na campanha presidencial de 2014.
A juventude petista decidiu engrossar as manifestações depois de Falcão"pagar o sapo". A ideia, segundo um dos jovens, "não é conter o movimento, mas disputá-lo". O PT perdeu terreno na disputa pelo Movimento do Passe Livre - que não é novo em São Paulo - para siglas como o PSOL e PSTU. O partido também não comanda a Associação Nacional de Estudantes Livres (Anel), o grupo Juntos e a central sindical Conlutas, recebidos pelo prefeito Fernando Haddad para discutir a revogação do aumento no preço das passagens.
Os jovens do PT são divididos em relação às políticas de juventude. Em São Paulo não entraram nos protestos contra o aumento da passagem porque o prefeito é do PT. Além disso, há uma acomodação nos cargos, na perspectiva de ascensão dentro do próprio partido. A juventude se afastou dos movimentos e até por isso não teria identificado o potencial explosivo do protesto em São Paulo. Integrar o Diretório Nacional é um prêmio na escalada do jovem petista.
Integrantes da Secretaria Nacional da Juventude disseram ao Valor, com a condição de não serem identificados, que a desmobilização não é um problema dos jovens. A exemplo do partido, eles também reclamam do tratamento dispensado pelo governo da presidente Dilma Rousseff.
São dois os tipos de queixosos: o que não conseguiu fazer as indicações que desejava para cargos no governo; e o outro, aquele que se ressente da falta de diálogo da presidente com os movimentos sociais. Ao cobrar a juventude petista,Falcão teria ameaçado, inclusive, com cortes de financiamentos.
Preocupada em escalar cargos na burocracia, boa parte da juventude petista sequer considera política para jovens o Prouni, o Reune, os empregos gerados pelo PAC majoritariamente para jovens e cargos preenchidos pela Caixa por pessoas com até 30 anos de idade. A Secretaria Nacional da Juventude da Secretaria-Geral da Presidência da República, que está na esfera do PT, seria também mais dedicada a políticas de varejo regional.
A última palavra desta secretaria sobre as manifestações foi no dia 17, segunda-feira. Dizia repudiar "veementemente a violência empregada pela Polícia Militar nas manifestações pela redução da tarifa do transporte público que recentemente ocuparam ruas de diversas capitais brasileiras". Desde o fim de semana passado a oposição já adotava o discurso contra a violência e tentava enquadrar as manifestações como um movimento contra a alta dos preços. Os jovens petistas reconhecem que a inflação preocupa, mas não que haja uma espiral.
Os jovens petistas entram nas manifestações replicando o discurso da cúpula: a oposição manipula um "pesado esquema de mídia" cuja pauta deixou de ser o vandalismo, aspecto mais destacado nos primeiros dias, para salientar desde as preocupações com a volta da inflação ao custo elevado para realizar a Copa do Mundo. O projeto de regulamentação da mídia deve voltar, assentada a poeira.
A conversa de Rui Falcão com a Secretaria de Juventude do PT está no contexto de outras realizadas nos últimos dias, como a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com as centrais sindicais. O objetivo é botar o PT e suas bandeiras dentro de um movimento que até agora rejeitou as siglas partidárias.
Em alguns Estados o partido e a juventude petistas estiveram por trás da organização das manifestações, inclusive fornecendo meios como carros de som. Isso já ocorreu em Belém (PA). Tanto o Estado do Pará como sua capital são governados pelo PSDB. Secundariamente, também estiveram em São Paulo, em manifestações anteriores às de ontem. Presença diluída que pode ganhar força nos Estados e capitais menores. Cidades onde não tem oMovimento Passe Livre. Essa, pelo menos, é a expectativa.

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(*)NR. Em Tempo: 

O piloto perdido. 

por Jorge Werley
Me lembrei de uma piada que ouvia quando trabalhava num banco.
Conta-se que certo gerente tinha o balonismo por robby. Num ensolarado final de semana aquele homem foi dar uma volta com seu balão de ar quente pelas cercanias da cidade. Tão absorto estava que acabou se perdendo na vasta paisagem. Levado por uma errante corrente de ar, viu lá de cima uma rodinha de jovens adolescentes num campo de peladas e resolveu baixar um pouco e perguntar onde estava. Soltou parte do ar quente, se aproximou a ponto de ser ouvido pela galera estupefata e gritou perguntando: - Ei, vocês podem me dizer onde eu estou. Um dos mancebos se apressou a informar: - Você está num balão. Decepcionado, o nosso gerente balonista retrucou com outra pergunta: - Você deve ser estagiário, pois não? - Sou sim, como o senhor advinhou, respondeu o prestativo jovem. E o balonista esclareceu: - É que sua informação está tecnicamente correta mas não serve pra nada nesta conjuntura. O jovem gritou: - Ah, tá, entendi ... e o senhor deve ser gerente, não é? - Sou, como você sabe? devolveu o homem. -Ora, o senhor fez alguma merda no caminho, se perdeu e agora quer botar a culpa em algúem. O gerente alteou o fogo, ganhou altitude e foi-se indignado com o atrevimento, pois tinha certeza que a culpa de estar perdido era do vento.

terça-feira, 18 de junho de 2013

O que o MPL está dizendo ao PT


Por Paulo Nogueira

Nunca na história do PT, para usar uma expressão cara a Lula, o partido enfrentou uma pressão social tão genuína, tão intensa e tão espontânea.

O PT se acostumou à vida mansa proporcionada por sindicatos e associações estudantis domesticadas.

A folga acabou. Se não é bom para o PT, para o Brasil é.

Sem indignação, sem mobilização, sem protesto você não consegue nada. Teríamos que nos conformar com a baixa velocidade do PT nas reformas sociais que mitiguem a vergonhosa desigualdade entre os brasileiros.

A cada lista internacional de desenvolvimento social, lá está o Brasil em colocações medíocres, abaixo mesmo dos vizinhos latino-americanos.

O PT acabou se abarrotando de alianças com setores que combatem pelo atraso social – como os ruralistas, por exemplo.

Tinha que irromper protesto no Brasil, e tinha que ser de movimentos sem compromisso com o PT.

Não estamos falando da fajutice retrógrada de pseudomovimentos como o Cansei e coisas do gênero.

Falamos de coisas reais.

Uma é o Movimento Passe Livre, o já conhecido MPL. A insatisfação de seus integrantes vai muito além, naturalmente, das tarifas de ônibus, embora se expressem por elas.

Não é um grupo antipetista, embora os petistas gostem de dizer que é. Eles já estavam fazendo os mesmos protestos contra Kassab. Apenas a mídia ignorou.

A mídia está dando destaque agora porque, presumivelmente, acha que pode fixar nos paulistanos a ideia de que Haddad não consegue gerir a cidade.

Essa percepção, eventualmente, pode ajudar o PSDB mais para a frente, nas eleições para governador, em 2014.

A Juventude do PT, que acaba de declarar apoio às reivindicações do MPL, já estava lado a lado com seus líderes nos protestos contra Kassab.

É positivo tirar o PT da zona de conforto social. Há que cobrar mais, exigir mais realizações. Dez anos no poder não são cem anos, é certo, mas também não são dez semanas ou dez meses.

Não dá para os brasileiros aturarem a mesma ladainha de sempre: a de que o PT herdou uma situação horrorosa e não teve tempo ainda de fazer o serviço.

Em outra fronte também aparece uma pressão que só pode merecer aplausos: a dos índios.

Indigenistas apontam um fato incrível: a falta de diferença entre o tratamento dispensado aos índios na ditadura militar e o que o governo Dilma dá a eles hoje.

Dilma, há poucos dias, disse que não perdia um Sai de Baixo. Ora, se ela tem tempo para ver esse lixo televisivo deveria abrir uma brecha na agenda para receber os índios.


Até agora, ela não falou pessoalmente com os indígenas. Mas está constantemente com os ruralistas.

Desde Collor, nenhum presidente demarcou tão poucas terras para os índios quanto Dilma.

Não basta ao PT ter discurso social. Há que ter ação.

Tremo quando ouço Lula dizer que nunca os banqueiros ganharam tanto como ganharam sob ele. Está errado. Eles tinham que ter ganhando menos, para que sobrassem mais recursos para os milhões de miseráveis brasileiros.

O que Lula pensa que é uma virtude é, na verdade, um defeito: ele mexeu bem menos do que deveria nos privilégios do chamado 1%.

Tinha que dar no que deu: a voz rouca das ruas, seja branca ou vermelha, negra ou amarela, parda ou o que for, tem um limite de paciência.

E ele se esgotou.

Se o PT não quer se tornar amanhã o que o PSDB é hoje, um partido desconectado do que acontece na sociedade, tem que se mexer.

Tem que acelerar, e muito, o pedal das reformas.

Fonte: Diáriodocentrodomundo

segunda-feira, 17 de junho de 2013

A revolta é contra o aumento das passagens, mas o movimento é outro

por Renato Rovai
Na quinta-feira (6) presenciei parte do conflito entre os manifestantes do Movimento Passe Livre e a Polícia Militar. Estava no Centro de São Paulo por conta de um debate com o vereador, Ricardo Young, na Faculdade de Direito do Largo São Francisco. O debate, promovido pelo grupo Contraponto, foi sobre se a questão da sustentabilidade será um tema importante na eleição de 2014. Foi uma conversa muito agradável, mas neste texto vou falar do que vi no caminho para a Faculdade e não do debate em si. Vi, como poucas vezes, muitos jovens de periferia naquela manifestação. Garotos e garotas negros ou quase negros e muitos deles com raiva, muita raiva.
Não pareciam ser filhinhos de papai revoltados com o atraso da mesada. Ou esquerdistas que têm como única causa o confronto, seja ele contra quem for. Havia gente dessas duas categorias e algumas (poucas) bandeiras de partidos onde essas duas categorias se fazem presentes com certo peso. Mas o movimento não era isso.
É importante o registro porque ganha força nas plataformas de redes sociais a tese da desqualificação do Movimento Passe Livre com a utilização deste argumento fácil de que é coisa de mimadinhos e mimadinhas que não trabalham. Coisa de baderneiros de classe média.
Os rostos daqueles jovens não traduziam isso. Eram garotos pobres, com muita raiva. Garotos e garotas indignados e revoltados. E que pareciam não estar ali só por conta do aumento da passagem, mas porque precisam gritar que existem. E precisam dizer que querem ser ouvidos. E precisam gritar que estão cansados de ser ignorados pelos donos da cidade, que os expulsam para o extremo da periferia, onde não há diversão, equipamentos de cultura, qualidade de vida, sonhos. E onde o transporte público é um lixo.
A juventude que foi naquela quinta-feira à noite ao Centro e à Paulista não está protestando só por conta de vinte ou trinta centavos a mais no preço da passagem. Isso é apenas um pedaço da história. A periferia brasileira está em movimento e em disputa. E se a cidade não passar a ser pensada para esses milhões de jovens, em breve algo muito maior do que aconteceu na quinta vai estourar.
O jovem pobre não quer só comida. E não quer só migalhas. Seus pais podem ter aceitado o acantonamento. Mas eles não estão dispostos a repetir essa história. Querem estar no Centro. Querem descatracalizar a cidade. Querem poder entrar e sair. Querem circular. O acesso ao transporte público ganha essa dimensão porque é parte direta desse problema. Mas ele não é nem o todo e nem tudo. Há muitas outras coisas em jogo.
Um pouco disso se explica porque há uma cidade para poucos onde tudo acontece. Uma cidade que está sempre de braços abertos aos que têm carro, dinheiro e roupas de grife. E há outra cidade escura, onde as luzes mais brilhantes da noite são as das sirenes dos carros de polícia.
Ouvir e dialogar com o grito das ruas é sempre o melhor caminho. E fazê-lo entendendo que o protesto que ganhou as ruas de São Paulo não é de baderneiros ou de mimadinhos ajudará muito. A revolta é de jovens. E muitos pobres. E com raiva. E isso ninguém me contou. Eu vi.

Fonte: Blog do Rovai

Que as manifestações não sejam passageiras

Diante das mobilizações contra os aumentos e pela reversão das tarifas do transporte coletivo em diversas cidades do país, a Direção Nacional da Articulação de Esquerda, tendência interna do Partido dos Trabalhadores, manifesta seu repúdio à repressão: a questão social não é caso de polícia e, portanto, não deve ser tratada dessa maneira. O direito à livre manifestação foi conquistado duramente e não podemos permitir que seja ameaçado.

A ação truculenta da PM-SP já virou rotina em toda e qualquer manifestação popular, o que reforça a necessidade de rever o modelo de polícia militarizada vigente no país e demonstra o autoritarismo do governo estadual e seu desprezo pelas demandas populares. Atos isolados de provocadores inconsequentes não podem servir de pretexto para a ação violenta dos órgãos de repressão, especialmente da Polícia Militar do estado de São Paulo, sob comando do governador Geraldo Alckmin (PSDB).

Consideramos que frente às legítimas reivindicações de setores da população, cabe aos governos negociar. Neste caso, negociar na perspectiva de reverter o aumento das passagens e, principalmente, alterar os parâmetros que organizam o transporte público nas cidades brasileiras, que deve ser financiado cada vez mais coletivamente, pelos impostos, e não individualmente, pelos usuários, via pagamento de tarifas.

É importante lembrar que as manifestações das juventudes brasileiras dos grandes centros urbanos demonstram que a insatisfação com os transportes não se limita ao preço da tarifa. Constituem também uma reação contra um modelo que privilegia a lucratividade da iniciativa privada, que explora economicamente o direito fundamental de mobilidade, que é especialmente prejudicado nas regiões metropolitanas.

Para esquerda brasileira, em especial para o Partido dos Trabalhadores, estas manifestações devem servir como um alerta acerca do mal-estar existente nas juventudes, nos setores populares, nos grandes centros urbanos. Afinal, apesar do Brasil estar hoje muito melhor do que na era neoliberal e muito melhor do que estaríamos se os tucanos tivessem vencido as eleições de 2002, 2006 e 2010, ainda assim o país continua sendo brutalmente desigual.

Uma desigualdade que está presente na vida pessoal e na vida pública. O acesso à habitação, à saúde, à educação, à cultura, ao esporte, ao lazer, à comunicação, ao transporte e, de maneira geral, o acesso a tudo aquilo que a vida urbana pode nos oferecer, ainda é distribuído de maneira totalmente desigual. A isto se agrega a violência, que atinge especialmente as periferias e os setores populares, inclusive por obra de uma polícia tantas vezes racista e brutal.

Também por isto, o PT deve enxergar nesta explosão de parcelas da juventude de nossas cidades não apenas um sinal de alerta, mas um sinal de vitalidade, um ponto de apoio fundamental para nós que desejamos prosseguir na obra que iniciamos em 1980 e que continuamos desde 2003.

Por isto dizemos aos nossos governos que negociem. Por isto propomos aos nossos parlamentares e militantes, que estejam presentes nas manifestações. Para defender o direito à mobilização, para isolar os provocadores e, principalmente, para apoiar a luta por uma vida melhor. Pois é a luta que faz a lei.

O papel de defender a ordem e o status quo é das forças da direita. A nós cabe lutar para ultrapassar os limites do possível. Por isto, nós do PT devemos ser os primeiros a dar um viva às manifestações e clamar para que não sejam passageiras.

Direção Nacional da Articulação de Esquerda
15 de junho de 2013

quarta-feira, 12 de junho de 2013

O fim do delírio neodesenvolvimentista

O avanço da crise econômica mundial pôs uma pá de cal nos delírios neodesenvolvimentistas do governo brasileiro.  A impossibilidade de continuar surfando na bolha especulativa, gerada pela entrada maciça de recursos externos, obrigou as autoridades econômicas a se adaptar aos novos tempos.

O pesado legado de uma política econômica temerária, cuja essência consistia em ignorar a gravidade da situação internacional e promover uma farra de consumo, financiada pelo endividamento das famílias e do país, deixou a economia brasileira sem margem de manobra para enfrentar as terríveis pressões do grande capital financeiro nacional e internacional em tempos de crise.

A ausência de horizonte para os investimentos produtivos, a elevada vulnerabilidade cambial provocada pela explosão do passivo externo, o altíssimo comprometimento da renda das famílias trabalhadoras com o pagamento de dívidas e o avançado estado do processo de desindustrialização são apenas alguns dos fenômenos mais conspícuos que caracterizam a extraordinária fragilidade da economia brasileira para enfrentar os tempos tempestuosos que se avizinham.

Quando vista em conjunto, a iniciativa do Planalto de privatizar o SUS, a entrega dos portos aos grupos privados, o açodamento na venda do pré-sal e a decisão do Banco Central de voltar a elevar os juros, priorizando o combate à inflação em detrimento do crescimento econômico, refletem uma rendição incondicional às novas exigências do grande capital.

A guinada na política econômica, caracterizada pela nova onda privatista e pela recomposição do rentismo, é apenas o primeiro ato de uma nova ofensiva do capital sobre a economia brasileira. 

fonte: http://www.correiocidadania.com.br