123

quinta-feira, 14 de março de 2013

Qual é o grande diferencial do PT perante os demais partidos de esquerda no Brasil?

O jornal Página13 publicou recentemente, em encarte especial, uma entrevista com o historiador Valter Pomar, que é membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Entre outras tantas perguntas de interesse da militância, temos estas abaixo transcritas.
Se quizer pode baixar todo o encarte em formato .pdf no endereço: http://pagina13.org.br

Qual é o grande diferencial do PT perante os demais partidos de esquerda no Brasil?

Bom, esta pergunta é uma pegadinha clássica, pois é óbvio que como filiado desde 1985 e como dirigente nacional do PT desde 1997, eu só posso responder coisa boa acerca do Partido. Mas antes de falar da parte boa, deixa eu insistir em algo que já disse na primeira parte desta entrevista. O PT não pode viver do seu passado glorioso, nem dos êxitos do presente (governos Lula/Dilma). Nossa sobrevivência, nossa utilidade para a classe trabalhadora brasileira, depende de sermos capazes de articular a solução dos problemas do presente, com a construção de um futuro diferente. E não está garantido que consigamos fazer isto. É uma luta cotidiana contra os hábitos e costumes da política tradicional, contra a influência da direita e do grande capital, contra a acomodação e a adaptação que afeta cada um de nós. Isto posto, eu acho que o grande diferencial do PT está em termos conseguido construir e manter um partido de esquerda, popular, de massas, com forte raiz entre os trabalhadores e trabalhadoras. E isto é produto de opções políticas. Fizemos isto nos anos 80, radicalizando, enquanto alguns partidos de esquerda apostaram na conciliação com a transição democrática. Fizemos isto nos anos 90, quando não abrimos mão de ser, ao mesmo tempo, oposição ao neoliberalismo e alternativa de governo. E seguimos fazendo isto depois de 2003, quando não abrimos mão de ser partido e de governar. Claro que, com o passar dos anos, acumulam-se também fatores negativos. Por exemplo, se dependesse de alguns setores, o PT deixaria de existir como Partido e se tornaria apenas governo. Embora, é verdade, também haja setores muito minoritários que gostariam de ver o PT fazendo oposição a seu próprio governo. Outro exemplo: se o PT continuar dependente do financiamento privado empresarial, nossos vínculos com a classe trabalhadora podem se tornar apenas eleitorais: deixaremos de ser o Partido da classe trabalhadora e nos converteremos em partido que busca o voto dos trabalhadores,como fazem outros partidos.

Para além do financiamento público de campanha, que outras medidas devem ser tomadas para uma profunda reforma política?

Bom, se é para ser profunda, precisa ampliar o controle social sobre o Estado. Exige estabelecer o primado de uma pessoa, um voto, que hoje é amplamente desrespeitado na composição do Congresso Nacional. Exige acabar com o Senado ou pelo menos eliminar seu poder revisor e legislador sobre temas não federativos, além de reduzir mandatos para quatro anos e eliminar a figura do suplente. Uma reforma política profunda exige, ainda, formalizar mecanismos de participação popular, consulta popular e controle social sobre o Executivo, em seus três níveis. Exige, também, democratizar o judiciário, o único dos três poderes poderes que não se submete nem ao sufrágio popular nem a mecanismos de controle social. Do ponto de vista mais eleitoral, reforma política para valer implica em financiamento público exclusivo para campanhas eleitorais, criminalizar o financiamento privado empresarial, adotar o voto em lista fechada e a paridade na composição das listas, assim como o fim das coligações proporcionais. Salvo engano, acho que estas posições coincidem, ao menos em grande parte, com o que o PT já deliberou a respeito.

fonte:
http://pagina13.org.br/download/jornalpg13/Pagina_13_Encarte_Especial_entrevista_valter_final.pdf


Nenhum comentário:

Postar um comentário