123

domingo, 17 de março de 2013

Domenico Losurdo e o “retorno” da luta de classes

José  Reinaldo  Carvalho

Acaba de ser publicado na Itália, pela Editora Laterza o novo livro do filósofo político marxista Domenico Losurdo: A luta de classe - Uma história política e filosófica. Em mais um trabalho de fôlego, de 388 páginas, o filósofo marxista italiano enfrenta polêmicas sobre temas instigantes contra as correntes oportunistas que negam a luta de classes ou distorcem seu sentido. A entrevista foi realizada por Paolo Ercolari, para a revista italiana Critica Liberale.

----------

Domenico Losurdo é um dos estudiosos italianos de filosofia mais traduzidos no mundo. Todos os seus livros tiveram de fato edições em inglês, britânico e americano, alemão, francês, espanhol e também em português, chinês, japonês e grego. Seguramente, esquecemos de mencionar algum idioma. Os jornais Financial Times e Frankfurter Allgmeine Zeitung, entre outros, lhe dedicaram páginas inteiras. Um tratamento que contrasta com o que lhe é reservado no próprio país, onde frequentemente, de maneira deliberada, os seus trabalhos são objeto de um silêncio bem estudado. O que, entretanto, não incide sobre suas vendas, tendo em conta as reiteradas edições dos seus livros.

Nos últimos dias veio à luz o seu novo trabalho intitulado A luta de classe - Uma história política e filosófica (388 páginas, Ed. Laterza). Por esta razão, Critica Liberale o entrevistou na sua casa/biblioteca, situada numa colina no entorno da cidade italiana de Urbino. (Paolo Ercolari))

Critica Liberale: Professor Losurdo, como explica esta ideia de escrever um livro sobre a luta de classe, conceito tido por muitos como morto?

Domenico Losurdo: Enquanto grassa a crise econômica, engrossam os ensaios que evocam o “retorno da luta de classe”. Tinha desaparecido? Na realidade, os intelectuais e os políticos que proclamavam o crepúsculo da teoria marxista da luta de classe cometiam um duplo erro. Por um lado, embelezavam a realidade do capitalismo. Nos anos 1950, Ralf Dahrendorf afirmava que se estava verificando um “nivelamento das diferenças sociais” e que aquelas mesmas modestas “diferenças” eram somente o resultado do mérito escolástico; contudo, bastava ler a imprensa estadunidense, até a mais alinhada, para dar-se conta de que mesmo nos países-guias do Ocidente subsistiam pavorosos bolsões de uma miséria que se transmitia hereditariamente de uma geração a outra. Ainda mais grave era o segundo erro, de caráter mais propriamente teórico. Eram os anos em que se desenvolvia a revolução anticolonial no Vietnã, em Cuba, no Terceiro Mundo; nos Estados Unidos os negros lutavam para pôr fim à supremacia branca, ao sistema de segregação, discriminação e opressão racial que ainda pesava sobre eles. Os teóricos da superação da luta de classes estavam cegos ante as ásperas lutas de classes que se desenvolviam sob seus olhos.

leia toda a entrevista no blog do Zé Reinaldo clickando no endereço abaixo:

quinta-feira, 14 de março de 2013

Qual é o grande diferencial do PT perante os demais partidos de esquerda no Brasil?

O jornal Página13 publicou recentemente, em encarte especial, uma entrevista com o historiador Valter Pomar, que é membro do Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores. Entre outras tantas perguntas de interesse da militância, temos estas abaixo transcritas.
Se quizer pode baixar todo o encarte em formato .pdf no endereço: http://pagina13.org.br

Qual é o grande diferencial do PT perante os demais partidos de esquerda no Brasil?

Bom, esta pergunta é uma pegadinha clássica, pois é óbvio que como filiado desde 1985 e como dirigente nacional do PT desde 1997, eu só posso responder coisa boa acerca do Partido. Mas antes de falar da parte boa, deixa eu insistir em algo que já disse na primeira parte desta entrevista. O PT não pode viver do seu passado glorioso, nem dos êxitos do presente (governos Lula/Dilma). Nossa sobrevivência, nossa utilidade para a classe trabalhadora brasileira, depende de sermos capazes de articular a solução dos problemas do presente, com a construção de um futuro diferente. E não está garantido que consigamos fazer isto. É uma luta cotidiana contra os hábitos e costumes da política tradicional, contra a influência da direita e do grande capital, contra a acomodação e a adaptação que afeta cada um de nós. Isto posto, eu acho que o grande diferencial do PT está em termos conseguido construir e manter um partido de esquerda, popular, de massas, com forte raiz entre os trabalhadores e trabalhadoras. E isto é produto de opções políticas. Fizemos isto nos anos 80, radicalizando, enquanto alguns partidos de esquerda apostaram na conciliação com a transição democrática. Fizemos isto nos anos 90, quando não abrimos mão de ser, ao mesmo tempo, oposição ao neoliberalismo e alternativa de governo. E seguimos fazendo isto depois de 2003, quando não abrimos mão de ser partido e de governar. Claro que, com o passar dos anos, acumulam-se também fatores negativos. Por exemplo, se dependesse de alguns setores, o PT deixaria de existir como Partido e se tornaria apenas governo. Embora, é verdade, também haja setores muito minoritários que gostariam de ver o PT fazendo oposição a seu próprio governo. Outro exemplo: se o PT continuar dependente do financiamento privado empresarial, nossos vínculos com a classe trabalhadora podem se tornar apenas eleitorais: deixaremos de ser o Partido da classe trabalhadora e nos converteremos em partido que busca o voto dos trabalhadores,como fazem outros partidos.

Para além do financiamento público de campanha, que outras medidas devem ser tomadas para uma profunda reforma política?

Bom, se é para ser profunda, precisa ampliar o controle social sobre o Estado. Exige estabelecer o primado de uma pessoa, um voto, que hoje é amplamente desrespeitado na composição do Congresso Nacional. Exige acabar com o Senado ou pelo menos eliminar seu poder revisor e legislador sobre temas não federativos, além de reduzir mandatos para quatro anos e eliminar a figura do suplente. Uma reforma política profunda exige, ainda, formalizar mecanismos de participação popular, consulta popular e controle social sobre o Executivo, em seus três níveis. Exige, também, democratizar o judiciário, o único dos três poderes poderes que não se submete nem ao sufrágio popular nem a mecanismos de controle social. Do ponto de vista mais eleitoral, reforma política para valer implica em financiamento público exclusivo para campanhas eleitorais, criminalizar o financiamento privado empresarial, adotar o voto em lista fechada e a paridade na composição das listas, assim como o fim das coligações proporcionais. Salvo engano, acho que estas posições coincidem, ao menos em grande parte, com o que o PT já deliberou a respeito.

fonte:
http://pagina13.org.br/download/jornalpg13/Pagina_13_Encarte_Especial_entrevista_valter_final.pdf


quarta-feira, 6 de março de 2013

Estamos de luto: Morreu Hugo Chaves.

 Hugo Chaves Frias, 
28/07/1954 - 05/03/2013 

 quatro vezes eleito presidente da Venezuela.


Comandante, tu sueño no morirá.
Hasta la victória, siempre.

Conheça Nicolás Maduro, potencial sucessor de Chávez na revolução bolivariana.


do portal iG

Responsável por anunciar a notícia da morte do presidente da Venezuela, Hugo Chávez , o vice Nicolás Maduro se torna agora o principal herdeiro político do chavismo. O próprio Chávez foi quem o indicou como sucessor na presidência antes de viajar para Cuba para realizar sua quarta e última cirurgia.

Ex-motorista de ônibus, Maduro porta quase sempre um sorriso por trás de seu farto bigode. O também ministro das Relações Exteriores parece ser imbuído de uma calma constante - algo que pode estar relacionado a suas crenças hinduístas.

Amigo leal de Chávez desde os tempos em que o presidente esteve preso pela tentativa de golpe de Estado de 1992, Maduro era considerado o político mais próximo a Chávez desde que o câncer foi diagnosticado, em junho de 2011 .

Em seu período como chanceler, Maduro ganhou fama de amável nos círculos diplomáticos latino-americanos, mas isso não impediu que fosse também um duro crítico do "império" e o coartífice de uma política externa que deu tantos desgostos a Washington.

Como chefe da diplomacia venezuelana, Maduro seguiu a linha chavista de buscar abertamente "a construção de um mundo multipolar livre da hegemonia do 'imperialismo americano'", como descreveu à BBC o analista Carlos Luna.

Ele foi considerado uma peça-chave na aplicação da política externa do país além das fronteiras latino-americanas, para se aproximar de qualquer governo que pudesse rivalizar com os EUA por uma questão ou outra.

Socialista e sindicalista de longa data, Maduro fez parte da Assembleia Constituinte que redigiu a Constituição Bolivariana proposta por Chávez, em 1999. Posteriormente foi eleito deputado e chegou ao posto de presidente do Legislativo em 2005.

Em 2006, atendeu a um pedido de Chávez para assumir o cargo de ministro das Relações Exteriores, nomeação que foi muito criticada pelos opositores, já que o chanceler não tem formação universitária: ele é um ex-motorista de ônibus que nunca concluiu os estudos formais.

Como para demonstrar pouco caso das críticas que recebe entre os círculos opositores, Maduro chegou a dirigir o caminhão sobre o qual Chávez fez campanha para as eleições presidenciais de 7 de outubro .

O chanceler era citado por Chávez como exemplo de gente do povo que exerce o poder diretamente e não por meio de representantes provenientes das classes mais abastadas. "Olha onde vai Nicolás, de motorista de ônibus a vice-presidente. E como ri da burguesia por isso", afirmou o presidente pouco depois de ganhar as eleições de outubro. "Tremendo chanceler", afirmou Chávez em um ato solene durante o 201º aniversário da independência.

Entretanto, o chanceler também teve momentos "pouco diplomáticos" nos quais pareceu perder sua compostura tranquila, como quando chamou de "funcionariozinho" o subsecretário de Estado dos EUA, John Negroponte.

E, apesar de ser considerado como um dos menos radicais no governo em política interna, Maduro chegou a chamar o adversário de Chávez na disputa pela Presidência, Henrique Capriles , de "bichona e fascista". Posteriormente, Maduro se desculpou pela expressão, dizendo que ela "tinha outra conotação" e que "não especularia com a opção sexual de Capriles nem de ninguém".

A última vez que Maduro havia sido destaque na imprensa latino-americana, antes de ter sido nomeado vice-presidente, foi por sua intervenção na crise política paraguaia que terminou com a destituição do então presidente Fernando Lugo .

Maduro fez parte da comitiva de chanceleres organizada por diferentes governos da região logo após a informação de que Lugo estava a ponto de ser destituído. O venezuelano terminou sendo acusado pelo novo governo paraguaio de atiçar os militares para que se revoltassem e defendessem Lugo, o que o levou a ser considerado persona non grata no país.

Próximo a Chávez

A proximidade entre Chávez e Maduro é de longa data. Remonta aos tempos em que o mandatário cumpriu pena na prisão de Yare pela tentativa de golpe de Estado que comandou em 1992.

Na ocasião, Maduro se converteu em um ativista a favor da libertação de Chávez. Nessa época conheceu a mulher, a advogada Cilia Flores, que fazia a defesa do então coronel do Exército Chávez. A amizade permaneceu forte ao longo dos anos.

Nas imagens de Chávez em Cuba durante seu tratamento contra o câncer, seus acompanhantes mais recorrentes eram suas filhas e Maduro. De fato, o chanceler sempre foi considerado um dos poucos confidentes do presidente que teve acesso aos detalhes do diagnóstico, que recebeu tratamento de segredo de Estado.

Até então era somente ministro das Relações Exteriores. Desde outubro, acumula também o cargo de vice-presidente, uma decisão de Chávez que, para os observadores, foi interpretada como sua indicação como sucessor, algo que foi confirmado na noite de sábado.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Proposta de debate para a reunião do DN-PT no dia 01/03.

 O DN do PT, reunido em Fortaleza nos dias 1 e 2/3/2013, considerando:

1. A decisão do governo federal de adiar indefinidamente a implantação de um novo marco regulatório das comunicações, anunciada em 20 de fevereiro pelo Ministério das Comunicações;

2. A isenção fiscal, no montante de R$ 60 bilhões, concedida às empresas de telecomunicações, no contexto do novo Plano Nacional de Banda Larga;

3. A necessidade de que as deliberações democraticamente aprovadas pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), convocada e organizada pelo governo federal e realizada em Brasília em 2009 — em especial aquelas que determinam a imediata reforma do marco regulatório das comunicações, maior controle sobre as concessões de rádio e TV,adequação da produção e difusão de conteúdos às normas da Constituição Federal, e anistia às rádios comunitárias — sejam urgentemente postas em prática pela União;

4. O fato notório de que a Argentina aprovou sua Ley de Medios e em países como Equador e Venezuela registram-se grandes avanços na regulação e democratização das mídias;

5. Por fim, mas não menos importante, que o oligopólio que controla o sistema de mídia no Brasil é um dos mais fortes obstáculos, nos dias de hoje, à transformação da realidade do nosso país e à emancipação da classe trabalhadora,

RESOLVE:

I. Exortar o governo Dilma a rever, imediatamente, a atitude do Ministério das Comunicações, dando início à reforma do marco regulatório das comunicações, nos moldes determinados pela Confecom; bem como a abrir diálogo com os movimentos sociais e grupos da sociedade civil que lutam para democratizar as mídias no país;

II. No mesmo sentido, exortar o governo a cortar ou reduzir substancialmente o pacote de isenções concedido às empresas de telecomunicações, lembrando que esses recursos farão falta em áreas mais sensíveis, como saúde e educação; a reiniciar o processo de recuperação da Telebrás; e a manter a neutralidade da Internet (igualdade de acesso, ameaçada por grandes interesses comerciais);

III. Apoiar a iniciativa de um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações, proposto pelo Fórum Nacional pela Democratização daComunicação (FNDC), conclamando a militância do Partido dos Trabalhadores a se juntardecididamente a essa campanha;

IV. Convocar a Conferência Nacional Extraordinária de Comunicação do PT, a ser realizada ainda em 2013, com o tema “Regular a Mídia para Democratizar o Brasil”.