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quarta-feira, 24 de outubro de 2012

As três fatias, segundo Gaspari.

Interessante no texto abaixo a análise de um dos desencantados com o desempenho do Serra e um dos porta-vozes da grande mídia direitista, o jornalista Élio Gaspari. Ele destaca três fatias do eleitorado: a petista convicta, a antipetista convicta e uma terceira que não é nem uma nem outra e transita ora para um lado ora paro o outro. O "lulismo" (SIC) faz sua pregação à fração petistas e não amplia sua margem. De mesmo modo os tucanos e amigos pregam para a parcela antipetista e também não ampliam seu contingente eleitoral. Para Gaspari, quando a oposição reforça seu discurso raivoso contra lula e o pt eles somente aumentam a ira de quem já era antipetista e não aumentam seus convertidos.

O articulista tem razão na divisão do eleitorado. Parece até a divisão dos torcedores de futebol: tem uns que amam o Flamento, outros odeiam , outros são indiferentes; outros ainda, nem de futebol gostam. No caso do colégio eleitoral, opino acrescentando que não são três frações de 30%, uniformemente distribuídas. Acho que a parcela de indecisos tem aumentado e nem petistas nem antipetistas tem conseguido um discurso de convencimento para estes. 

Se a hipotése é verdadeira, então precisamos de um novo discurso para este novo eleitorado. Precisamos conhecê-lo: qual seus valores de vida, quais seus sonhos, qual sua visão de futuro, qual sua concepção de política, qual sua percepção de realidade, ... etc.

Claro que a intenção de Gapari nesse texto é sinalizar soluções para a elite intelectual do antipetismo, mas podemos tirar nossos próprios encaminhamentos; tipo quando a gente houve a orientação do técnico do time adversário.

Leiam o artigo abaixo e comentem.

As três fatias do bolo eleitoral

por Elio Gaspari, na Folha.

FALTAM POUCOS dias para o desfecho da eleição municipal e são fortes os sinais de que o PT terá o que comemorar. Qual a explicação para o desempenho dos companheiros se a economia vai devagar, quase parando, e a cúpula do partido de 2005 está a caminho do cárcere?

Aqui vai uma tentativa: desde 2002, quando Lula assinou a Carta aos Brasileiros e venceu a eleição incorporando pilares da política econômica de Fernando Henrique Cardoso, o PT move-se livremente sobre o campo adversário (quem quiser, pode dizer que ele vai à direita, mas essa imagem é insuficiente).

Já a oposição, petrificada, não consegue sair do lugar. Em alguns momentos, radicaliza-se, incorporando clarinadas do conservadorismo europeu e americano.

O tema do aborto, do "kit gay" e a mobilização do cardeal de São Paulo ao estilo da Liga Eleitoral Católica dos anos 30, exemplificam essa tendência. (Registre-se aqui a falta que faz Ruth Cardoso. Com ela, não haveria hipótese de isso acontecer.)

Admita-se que o eleitorado se divide em três fatias. Uma detesta o PT e tem horror a Lula. Outra, no meio, pode ir para qualquer lado. O terceiro bloco gosta de Nosso Guia e não se incomoda quando ele pede que vote em seus postes. Se um bloco se move e o outro fica parado, sempre que houver eleição, o PT prevalecerá.

Some-se à paralisia da oposição uma ilusão retórica. Desde 2010 suas campanhas eleitorais estruturam-se como pregações aos convertidos. O sujeito tem horror a Lula, ouve os candidatos que o combatem e fica duas vezes com mais raiva. Tudo bem, mas continua tendo apenas um voto. Já o PT segue uma estratégia oposta. Sabe que os votos de esquerda vêm por gravidade e vai buscar apoios alhures.

A crença de que o julgamento do mensalão seria uma bala de prata para a oposição revelou-se falsa. Já as crendices petistas segundo as quais o Supremo se tornou um tribunal de exceção ou que o impacto de suas sentenças seria irrelevante são um sonho maligno.

As condenações podem ter sido eleitoralmente insuficientes para derrotar os companheiros, mas não foram irrelevantes. O PT deve prestar atenção à voz do Supremo, pois a corte não é uma mesa-redonda de comentaristas esportivos. Ela é o cume de um Poder da República.

Eleição não absolve réu, assim como o Supremo não elege prefeito. Se Lula e o PT acreditarem que o eleitorado respondeu ao Supremo, estarão repetindo o erro dos generais que viam nos resultados dos pleitos da década de 70 uma legitimação indireta do que se fazia, com seu pleno conhecimento, nos DOI-Codi.

O comissariado deveria ter a honestidade de admitir que acreditou na impunidade dos mensaleiros. Resta-lhe agora o vexame de reformar o estatuto do partido, que determina a expulsão dos companheiros condenados em última instância.

A oposição tem dois anos para articular uma agenda que lhe permita avançar sobre a plataforma petista. Ela não precisa se preocupar com a turma que detesta Lula, essa virá por gravidade, assim como os adoradores de Nosso Guia continuarão seguindo-o.

Fazendo cara feia para os programas sociais do governo, para as políticas de ação afirmativa nas universidades e para a expansão do crédito popular, ela organizará magníficos seminários. Eleição? É coisa de pobre. 

fonte: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/73791-as-tres-fatias-do-bolo-eleitoral.shtml

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