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sexta-feira, 14 de setembro de 2012

A macroeconomia de um país em transição

por Renato Rabelo. em dezembro de 2011

Historicamente as crises cíclicas do capitalismo aceleram mudanças, alteram a correlação de forças, radicalizam posições, criam condições objetivas e subjetivas para saltos qualitativos. Abrem-se novos horizontes políticos. Não necessariamente fortalecem movimentos progressistas.

O nazismo e a atual escalada de violência do imperialismo atestam que a radicalização tem dois lados bem definidos. A crise financeira iniciada em 2008 sedimentou o fato de que estamos em um mundo em plena transição, com mudanças de eixos gravitacionais do Atlântico Norte para a Ásia. A América Latina e a África seguem esse mesmo rumo.

O Brasil é parte essencial deste “mundo em transição” e seu papel deverá ser de maior ou menor grandeza de acordo com o andamento de nossas disputas internas. A disputa é se vamos aproveitar – mais uma vez – a oportunidade dada pela conjuntura internacional e crescer com maior velocidade ou nos atolarmos de vez na areia movediça de uma orientação macroeconômica ultrapassada e desmoralizada.

Mesmo os bancos centrais dos EUA, da Europa e Japão estão necessitando agir coordenadamente para impedir uma crise de liquidez em seus sistemas financeiros. Claro que esta coordenação corre o risco de não ter grandes resultados em curto e médio prazos, dado o fato político de o poder político (na Europa e EUA) ainda ser monopólio dos responsáveis pela atual situação. Países como o Brasil, numa reviravolta histórica de 180 graus, são chamados a aumentar sua cooperação financeira no esforço de tirar a Europa da lama. Isso não é pouca coisa, diga-se de passagem.

Entre idas e vindas iniciadas entre o segundo mandato de Lula, as medidas anticíclicas de 2009, a eleição de Dilma e o advento da segunda fase da crise financeira, podemos afirmar que o saldo é positivo. A terceira queda seguida das taxas de juros (que agora se situa no patamar de 11%), acrescida do pacote anunciado de estímulo ao consumo e a produção indicam que, sim, estamos em um país cuja macroeconomia expressa uma transição lenta, dura e mesmo dolorosa tamanha a dimensão da luta e radicalização do ambiente político.

A taxa de investimentos precisa responder positivamente a esta indução macroeconômica, a valorização do dólar não pode ser impedida e a busca incessante por um novo pacto político envolvendo todos os setores interessados no avanço da produção deve ser implementada. A luta política prossegue cada vez mais renhida. A correlação de forças está claramente em processo de mudança. A agenda positiva do governo Dilma Rousseff é fato auspicioso diante da ação diuturna dos porta-vozes de nossa extrema-direita – mais raivosa do que nunca.

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