123

quinta-feira, 31 de maio de 2012

O expontaneísmo passivo abre espaço para o oportunismo

por Jorge Werley
Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados. A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas "polis". Daí decorre que a atividade de organização e administração das pólis passa à história como política. (Wikipédia)

Como forma de atividade ou de práxis humana, a política está estreitamente ligada ao poder. Poder que tem sido tradicionalmente definido como "consistente nos meios adequados à obtenção de qualquer vantagem" ou, como "conjunto dos meios que permitem alcançar os efeitos desejados" (Wikipédia). O exercício do poder, e até mesmo as lutas pela sua conquista, consiste a face do que hoje é aceita pela maioria dos estudiosos dessa atividade.

Em política nada acontece por acaso ou surge do nada. Em verdade trata-se do resultado da intervenção de um sujeito ativo e consciente, que é o político. Nos ídos tempos do absolutismo monárquico, Machiavel escreveu sua mais famosa obra tecendo comentários e conselhos acerca da atuação do príncipe enquanto sujeito político. Modernamente, conforme indicou Gramsci, esse sujeito já não é uma pessoa e sim o partido.

Numa democracia representativa com é o caso do nosso país, a política transparece apenas como a atividade desenvolvida nos círculos do parlamento ou do executivo e assim se isola o povo como não participante dessa construção. Na contra mão desse entedimento, num ato de rebeldia, o Partido dos Trabalhadores foi fundado com a pretenção de romper com essa profissionalização da política e trazer as discussões para as ruas e envolver todo o povo trabalhador. Tão radicalizada foi essa posição que ficamos conhecidos pela caricatura de "os companheiros que se reunem para marcar a próxima reunião".

Tempo de discutir e tempo de atitude.

Marx já advertiu de que os filósofos gastam todo seu tempo tentanto explicar o mundo, mais o que importa é transformá-lo. Nas reuniões dos plenos dos diretórios petistas, sejam municipais, estaduais ou até nacional, nada está excluído de ser discutido. Nestes foruns se discute a política no seu sentido mais amplo e mais rico. Porém a política, vista pelo angulo da disputa eleitoral, com suas rápidas transformações conjunturais e mudanças de correlação de forças com outros grupamentos políticos/eleitorais, exige um núcleo dirigente menor e sempre pronto a intervir no processo. Por isso temos as comissões executivas em cada diretório, com mandato para dirigir o dia-a-dia do partido. Essa executiva não pode se furtar a obrigaçaõ de dirigir. Alí não há espaço para os tímidos e os titubeantes. Como numa partida de xadrez é preciso certa maestria nessa construção. Não se pode perder o tempo de agir e nem agir com menos ou mais força que o momento exige.

Aqui em Rondônia, desde a partida dos companheiros Odair Cordeiro, Eli Bezerra, Eduardo Valverde, Chico Cesário e outros, que o Partido dos Trabalhadores está sem direção. Como disse o poeta Sêneca: "nenhum vento é favorável àquele navegador que não sabe aonde quer chegar". Está faltando ousadia, conhecimento da nossa real força acumulada, da força dos adversários, da hora de avançar e de recuar, quando firmar solídas alianças táticas pelo tempo necessário e saber quando finaliza-las...

Principalmente depois do acidente com o companheiro Valverde, aqui em Rondônia o expontaneísmo passivo abriu espaço para o oportunismo dentro do PT. Como nos lembra a língua chinesa, que para escrever a palavra "crise" junta dois ideogramas, um significando perigo e o outro oportunidade, chegou a hora de dar um basta nessa nossa incompentência. E aqui faço questão de ressaltar a afirmação "nossa incompetência", pois não quero passar a impressão de que, se existem culpados, foram somente os companheiros da atual executiva que são responáveis pela situação crítica em que lançamos o nosso partido.

Por uma direção que dirija; sem medo de ser feliz.

Urge que o Diretório Estadual reorganize sua executiva e passe a dirigir o processo eleitoral desse ano. É preciso construir uma sinergia em torno das nominatas municipais de tal forma que consigamos aumentar nossa participação nas câmaras de vereadores e nos executivos municipais. É inaceitável que sequer pensemos na possibilidade de perder a Prefeitura de Porto Velho. Nossa participação no governo estadual também precisa ser qualificado e orientado em torno das propostas partidárias e renunciar a estar restrito a interesses eleitorais pessoais ou de pequenos grupos. Nenhum político petista sobrevive fora do PT. Sem um PT forte não há vida parlamentar para nenhum companheiro. Nem Lula sobrevive sem o PT.

Nenhum comentário:

Postar um comentário