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segunda-feira, 28 de maio de 2012

Faz sentido hoje falar em revolução?


Luís Afonso (no site http://www.combate.info )

Greve de trabalhadores em Jirau, Rondônia
O ano de 2011 assistiu a mobilizações um pouco por todo o mundo. Das acampadas de Madrid ou Barcelona ao movimento Occupy nos Estados Unidos (que se estendeu bem para além de Wall Street), da Geração à Rasca ao 15 de Outubro, da praça Syntagma à praça Tahrir, a indignação saiu à rua. E voltou a ouvir-se, entre nós, a palavra revolução. Mas qual o sentido de falar, hoje e aqui, em Revolução? Qual a pertinência de usar o termo num tempo em que para a maioria das pessoas, parafraseando o filósofo Frederic Jameson1, o fim do mundo é bastante mais plausível que o fim do capitalismo? Que sentido faz falar de revolução num tempo em que toda a tentativa de transformação radical da sociedade parece ser vista como “totalitária” ou “terrorista”? E, já agora, o que é que revolução quer dizer? O que queremos nós dizer quando falamos disso? Referimo-nos a qualquer tipo de mudança? A um acontecimento redentor, a uma epifania? Ou, pelo contrário, a um processo longo, permanente? A um futuro prometido ou a momentos de autonomia no presente? Falamos da “tomada do poder” – sobretudo o poder de Estado - ou das pequenas transformações que fazem a densidade do nosso quotidiano? Falamos de “transformar o mundo” ou de “mudar a vida”? De um trabalho sobre nós próprios ou sobre o mundo exterior? A derrota da ideia de revolução não tornaria mais sensato abandonarmos essa palavra e falarmos em termos de cidadania, multidão, contrapoder, soberania ou, na melhor das hipóteses, de utopia?

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Três razões para continuarmos a falar de revolução, apesar de tudo
À pergunta que dá título a esta reflexão gostaria de responder com três sins.
O primeiro sim é este: apesar de serem uma coisa “normal” em termos históricos, as revoluções devem ser lembradas porque são raras e sobretudo porque revelam a potência transformadora que existe dentro de cada um de nós e colectivamente nas sociedades...

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A revolução como hipótese estratégica: entre acontecimento e processo
A questão da revolução é também a de saber como definí-la. Isto é, o que queremos exactamente dizer quando dizemos revolução. Basta assistir a um intervalo de anúncios na televisão e veremos que há revoluções para todos os gostos: o detergente que traz uma “revolução de brancura” à nossa roupa, um novo conceito “revolucionário” de sopa instantânea, etc. No entanto, do que aqui falamos não é da revolução enquanto metáfora ou hipérbole do que é novo. É de revolução enquanto processo social e político, essa transformação irregular e rápida, que interrompe a evolução, que vira o mundo ao contrário, que provoca mudanças estruturais. Ou seja, falamos de revolução como acontecimento e como processo. Mas é mais um ou o outro? ...

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