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domingo, 1 de janeiro de 2012

Lula costura aliança com PMDB

por Chico Barreira

Há meses o ex-presidente Lula vem defendendo a noção de que as eleições municipais do próximo ano, devem ser aproveitadas para garantir, desde já, a manutenção da aliança PT/PMDB, visando a reeleição da presidenta Dilma em 2014 e uma vitória sobre os tucanos, nesse mesmo ano, em alguns estados importantes, a começar por São Paulo.

Inicialmente a maioria das bases petistas locais torceu o nariz e não entendeu ou fingiu não entender a estratégia do Lula. É natural que vaidades e interesses pessoais predominem nas decisões políticas. Mas Lula insistiu e a própria dinâmica dos fatos mostrou que ele tinha razão. O resultado é que finalmente as principais correntes do PT aderiram à tese do ex-presidente. Sendo assim, nas capitais e nos municípios com mais de 150 mil eleitores, o PT deverá estudar (cada caso é um caso) a possibilidade de dar preferência a um candidato do PMDB, desde que, é caro, haja promessa de reciprocidade em 2014.

Vejamos o exemplo das duas principais cidades do País: Em São Paulo, Lula impôs um candidato, Fernando Haddad que se não chega ser inviável é pouco provável. A própria candidata natural do partido, Marta Suplicy, aborrecida, chegou a dizer a respeito do ministro da Educação: “Se é para perder, é um bom candidato”.

Seja como for, quem é do ramo aposta que Haddad chegará no final do primeiro turno atrás do candidato peemedebista (ex-tucano) Gabriel Chalita que é mais conhecido e possui maior desenvoltura no palanque. Além disso, vai “roubar” os votos da parte da classe média que votaria em José Serra. Então, vamos recordar que Lula reuniu-se com Chalita e com seu padrinho, o vice-presidente Michel Temer e propôs, assim na lata: No segundo turno nós apoiamos vocês, mas em 2014 vocês nos apóiam para o governo do Estado. OK? Temer e Chalita balançaram a cabeça afirmativamente.

No Rio, a situação é semelhante. Embora possuam candidatos de bom nível, os petistas locais foram praticamente obrigados a engolir o apoio à reeleição do atual prefeito peemedebista, também ex-tucano, Eduardo Paes. Ele pode ser definido como uma versão atualizada e light de Carlos Lacerda, com sua mania de choque de ordem e higienização (com valorização imobiliária) das partes deterioradas da cidade, onde vivem os pobres sobrantes. Aqui também, tanto Paes como seu padrinho, o governador Sérgio Cabral, comprometem-se a apoiar, em 2014, um candidato petista ao governo do Estado, provavelmente o meteórico Lindberg Farias.

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