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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

F de fascismo

por VLADIMIR SAFATLE  

Na década de 50, o filósofo alemão Theodor Adorno (1903-1969) uniu-se a um grupo de psicólogos sociais norte-americanos para desenvolver um estudo pioneiro sobre o potencial autoritário inerente a sociedades de democracia liberal, como os Estados Unidos.

O resultado foi, entre outras coisas, um conjunto de testes que permitiam produzir uma escala (conhecida como Escala F, de "fascismo") que visava medir as tendências autoritárias da personalidade individual.

Por mais que certas questões de método possam atualmente ser revistas, o projeto do qual Adorno fazia parte tinha o mérito de mostrar como vários traços do indivíduo liberal tinham profundo potencial autoritário.

O que explicava porque tais sociedades entravam periodicamente em ondas de histeria coletiva xenófoba, securitária e em perseguições contra minorias.

O que Adorno percebeu na sociedade norte-americana vale também para o Brasil. Na semana passada, esta Folha divulgou pesquisa mostrando como a grande maioria dos entrevistados apoia ações truculentas como a internação forçada para dependentes de drogas e intervenções policiais espetaculares como as que vimos na cracolândia.

Se houvesse pesquisa sobre o acolhimento de imigrantes haitianos e sobre a posição da população em relação à ditadura militar, certamente veríamos alguns resultados vergonhosos.

Tais pesquisas demonstram como a idealização da força é uma fantasia fundamental que parece guiar populações marcadas por uma cultura contínua do medo.

É preferível acreditar que há uma força capaz de "colocar tudo em ordem", mesmo que por meio da violência cega, do que admitir que a vida social não comporta paraísos de condomínio fechado.

Sobre qual atitude tomar diante de tais dados, talvez valha a pena lembrar de uma posição do antigo presidente francês François Mitterrand (1916-1996).

Quando foi eleito pela primeira vez, em 1981, Mitterrand prometera abolir a pena de morte na França. Todas as pesquisas de opinião demonstravam, no entanto, que a grande maioria dos franceses era contrária à abolição.

Mitterrand ignorou as pesquisas. Como se dissesse que, muitas vezes, o governo deve levar a sociedade a ir lá aonde ela não quer ir, lá aonde ela ainda não é capaz de ir. Hoje, a pena de morte é rejeitada pela maioria absoluta da população francesa.

Tal exemplo demonstra como o bom governo é aquele capaz de reconhecer a existência de um potencial autoritário nas sociedades de democracia liberal e a necessidade de não se deixar aprisionar por tal potencial.

quinta-feira, 19 de janeiro de 2012

Reforma agrária: saldo do Incra embaraça Dilma;


Balanço oficial do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária mostra inoperância do primeiro ano do governo Dilma na comparação com Lula. Menos assentamentos e famílias beneficiadas, poucas e tardias desapropriações. MST, que aponta 180 mil famílias acampadas à espera do prometido plano de reforma agrária, contesta dados e diz que situação foi ainda pior.

O artigo é de Najla Passos, publicado no site Carta Maior. Trancrevemos abaixo um pequeno trecho:

BRASÍLIA - A contribuição do governo Dilma à reforma agrária, no primeiro ano de mandato, foi cerca de três vezes menor do que a média registrada na gestão do antecessor, o ex-presidente Lula. É uma conclusão tirada a partir de dados oficiais, um balanço divulgado pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), que já está sendo contestado pelo principal movimento social que atua no campo brasileiro, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST).

No balanço, o Incra diz que, no período de oitos anos que vai de 2004 a 2011, o número total de assentamentos criados no país cresceu 73%. No fim de dezembro de 2003, havia 5.117 e, no final de 2011, tinham chegado a 8.864. Isso significa uma média de 468 novos assentamentos criados por ano. Mas apenas 116 foram implementados no governo Dilma, que baixou decretos de desapropriação de terras na última semana de dezembro. 

Em extensão de terras, a reforma agrária também ficou pior com Dilma. Dos 87 milhões de hectares em projetos de reforma agrária de toda a história brasileira, 50 milhões (57%) foram viabilizados nos últimos oito anos (2004 a 2011) – há assentamentos em mais de 10% do território nacional e em 2.081 municípios.

Entretanto, somente 2,5 milhões de hectares foram destinados à atividade no primeiro ano da presidenta. Menos da metade da média anual do período 2004-2011 (6,3 milhões de hectares). [continuar lendo >>]

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Rússia considera que Oriente Médio caminha para a guerra

por M.K. Bhadrakumar

A situação no Oriente Médio aproxima-se rapidamente do ponto crítico e o início do conflito já aparece nas cartas. Isso, em resumo, foi o que disse Nikolai Patrushev, secretário do Conselho de Segurança Nacional da Rússia (e ex-diretor do FSB, a organização que sucedeu a KGB) em entrevista à imprensa russa. 

... Patrushev, claro, tem acesso a inteligência de alto nível e falou baseado em dados que estão jorrando dos satélites e dos espiões e diplomatas russos. O Kremlin disparou um sinal de alerta. 

As entrevistas foram dadas em idioma russo. Posso entretanto reproduzir passagens. Patrushev disse: "Há informações de que membros da OTAN e de alguns estados árabes do Golfo Persa, agindo pelo cenário que se viu na Líbia, trabalham para transformar a atual interferência nas questões internas da Síria em intervenção militar direta." 

Foi específico. "As principais forças de ataque não serão francesas, nem britânicas nem italianas, mas, provavelmente, turcas." Disse que o primeiro passo será criar uma zona aérea de exclusão sobre a Síria, para criar um santuário em território sírio próximo da fronteira turca, para entrada de mercenários que possam ser apresentados como rebeldes sírios. Em resumo, é intervenção ocidental ao estilo "líbio"; e conduzida pela Turquia. [continue lendo >>]

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

8ª Jornada de Formação Política da AE inicia seus trabalhos


Esta já é a 8ª Jornada Nacional.

A 8ª Jornada Nacional de Formação Política da Articulação de Esquerda (AE) iniciou suas atividades neste último sábado (14/01), em Esteio (RS). Confira abaixo relatos dos trabalhos desenvolvidos nos dois primeiros dias da jornada, feitos pela equipe de comunicação do evento:

Olá companheiros e companheiras

Como informado pelos companheiros/as, chegamos aqui no RS e estava um tempo muito agradável, chuva torrencial. Mas a recepção foi calorosa.

As instalações do curso mostraram-se apropriadas para o desenvolvimento das atividades propostas pela jornada.

Os trabalhos começaram com as apresentações dos companheiros e companheiras de 8 Estados. Logo nas primeiras atividades as polêmicas demostraram a seriedade em se apropriar das resoluções da AE. A dinâmica de discussão do que é e como construir o socialismo, desenvolvida em vários grupos, propiciou debates acalorados. Todos, instigados pelas exposições do companheiro Licio Lobo.

No período noturno tivemos um momento cultural conhecido no RS como “Tertulia”, na América Latina como “’Penha” e que é o nosso velho e conhecido “Sarau”. O convidado foi o companheiro José Carlos Martins, ex-secretário de cultura de São Leopoldo no RS, cidade administrada pela AE.

No segundo dia, a companheirada levantou animada para as discussões, apresentando as sistematizações do debate de socialismo. A companheirada explanou, tendo vários pontos convergentes, mas as divergências permanecem. Será que se resolvem até amanha?. Tudo isso foi resultado do aprofundamento sobre o socialismo, a partir de nova explanação do companheiro Licio Lobo.

No final da tarde ocorreu entre os cursistas uma partida de futebol,  clássico “Camisa 13”, mas não sabemos se as divergências do debate se reproduziram dentro de campo.

Confiram mais fotos do Evento:

Equipe de Comunicação da 8° Jornada de Formação Politica da AE – Esteio – RS
Guilherme Ribeiro (MS), Junior (Campinas – SP), Samuel (MS), Rodrigo (RS)

sábado, 14 de janeiro de 2012

Eduardo Galeano: Jovens assistem à política “como se fosse um circo”


Em novembro de 2008, a TVE (Espanha) exibiu um documentário intitulado “A ordem criminosa do mundo”. Nele, Eduardo Galeano, Jean Ziegler e outras personalidades mundiais falam sobre a transformação da ordem capitalista mundial em um esquema mortífero e criminoso para milhões de pessoas em todo o mundo. Mais de três anos depois, o documentário permanece mais atual do que nunca, com alguns traços antecipatórios da crise que viria atingir em cheio também a Europa. Reproduzimos aqui o vídeo, legendado em português, e algumas das principais afirmações de Galeano e Ziegler:

“Os verdadeiros donos do mundo hoje são invisíveis”

“Os verdadeiros donos do mundo hoje são invisíveis. Não estão submetidos a nenhum controle social, sindical, parlamentar. São homens nas sombras que procuram o governo do mundo. Atrás dos Estados, atrás das organizações internacionais, há um governo oligárquico, de muito poucas pessoas, mas que exercem um controle social sobre a humanidade, como jamais Papa algum, Imperador ou Rei teve”. (Jean Ziegler)

“O atual sistema universal de poder converteu o mundo num manicômio e num matadouro” (Eduardo Galeano).

“A globalização é uma grande mentira”

“O capital financeiro percorre o planeta 24 horas por dia com um único objetivo: buscar o lucro máximo. A globalização é uma grande mentira. Os donos do grande capital que dirigem o mecanismo da globalização dizem: Vamos criar economias unificadas pelo mundo inteiro e assim todos poderão desfrutar de riqueza e de progresso. O que existe, na verdade, é de uma economia de arquipélagos que a globalização criou” (Jean Ziegler).

“Há três organizações muito poderosas que regulam os acontecimentos econômicos: Banco Mundial, FMI e OMC; são os bombeiros piromaníacos. Elas são, fundamentalmente, organizações mercenárias da oligarquia do capital financeiro invisível mundial” (Jean Ziegler).

“Eu não creio que se possa lutar contra a pobreza e criar uma estratégia de luta contra a pobreza sem lutar contra a riqueza, contra os ricos, pois os ricos são cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres” (José Collado, Missionário em Níger).

“Todos os dias neste planeta, segundo a FAO, 100 mil pessoas morrem de fome ou por causa de suas consequências imediatas” (Jean Ziegler).

“O dicionário também foi assassinado”

“Hoje as torturas são chamadas de “procedimento legal”, a traição se chama “realismo”, o oportunismo se chama “pragmatismo”, o imperialismo se chama “globalização” e as vítimas do imperialismo, “países em vias de desenvolvimento. O dicionário também foi assassinado pela organização criminosa do mundo. As palavras já não dizem o que dizem, ou não sabemos o que dizem” (Eduardo Galeano).

“Se hoje eu digo que faz falta uma rebelião, uma revolução, um desmoronamento, uma mudança total desta ordem mortífera e absurda do mundo, simplesmente estou sendo fiel á tradição mais íntima, mais sagrada da nossa civilização ocidental. O nosso dever primordial hoje deve ser reconquistar a mentalidade simbólica e dizer que a ordem mundial, tal como está, é criminosa. Ela é frontalmente contrária aos direitos do homem e aos textos fundacionais das nossas civilizações ocidentais” (Jean Ziegler).

“Se houvesse uma só morte por fome em Paris haveria uma revolta”

“A primeira coisa que devemos fazer é olhar para a situação de frente e não considerar como normal e natural a destruição, por exemplo, de 36 milhões de pessoas por culpa da fome e da desnutrição. Se houvesse uma só morte por fome em Paris haveria uma revolta. De nenhum modo devemos permitir que as grandes organizações de comunicação nos intimidem, nem as fábricas das teorias neoliberais das grandes corporações, pois todas as corporações se ocupam, primeiro, de controlar as consciências, de controlar como podem a imprensa e o debate público” (Jean Ziegler).

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Dilma frustra os movimentos sociais


Estamos de olho nesse governo.

por Najla Passos, no síte Carta Maior :

O primeiro ano da presidenta Dilma Rousseff foi contraditório, para três dos principais movimentos sociais brasileiros. Embora problemas de relacionamento com Dilma, que tem um estilo bem diferente do "companheiro" Lula, tenham sido contornados pelo ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, o tempo de resposta às reivindicações deixou muito a desejar. Compromissos assumidos não teriam saído do papel, enquanto o empresariado arrancava concessões. Se não houver pressão, 2012 corre os mesmos riscos.

“O debate sobre a situação macroeconômica permeou todas as discussões. E, para nosso espanto, o governo adotou uma postura mais conservadora perante a crise, pautada pelos grandes veículos de comunicação”, avalia o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu.

No início de 2011, por exemplo, para conter a inflação, o governo anunciou um enorme arrocho fiscal de R$ 50 billhões, dos quais R$ 13 bilhões saíram do orçamento destinado à educação. Para o líder estudantil, durante todo o ano, Dilma foi contraditória, ao adotar medidas conservadoras, como no arrocho, e ao mesmo tempo respaldar a queda dos juros do Banco Central quando todo o “mercado” achava que não era hora.

“O governo Dilma ainda não tomou a decisão de que rumo seguir. A única maneira de ajudar este governo a dar certo é pressioná-lo o tempo todo. Até porque o capital esta fazendo pressão constante”, afirma Iliescu.

Para os trabalhadores do campo, o início do mandato de Dilma não foi nada promissor. “O ano foi muito ruim para a reforma agrária. Só foram assinados decretos de desapropriação depois do Natal e com potencial de assentar apenas duas mil famílias", afirma José Batista Oliveira, da coordenação geral do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST). 

Atualmente, segundo o MST, haveria 180 mil famílias acampadas no Brasil aguardando assentamento. A entidade esperava que o governo assentasse 20 mil famílias nesse primeiro ano, mas só efetivou a destinação de terras para seis mil. E, ao contrário do que prometera em agosto, após uma marcha camponesa em Brasília, o governo ainda não tem um plano de assentamentos para até o fim do mandato de Dilma. 

“Não foi apresentado um plano com metas para os próximos anos e não houve avanço na implementação do programa de agroindústria e de superação do analfabetismo nos nossos assentamentos”, critica João Batista.

A Central Única dos Trabalhadores (CUT) é quem mais reclama da relação de Dilma com os movimentos sociais. Para o secretário-geral da entidade, Quintino Severo, a dificuldade de interlocução foi a principal marca dos primeiros meses da presidenta e acarretou crises profundas, como greves sucessivas da trabalhadores de obras do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC).

“A CUT defendeu, desde o início do ano, que era preciso normatizar o trabalho nas obras do PAC, que envolve milhares de trabalhadores. Mas, só agora, em dezembro, nós conseguimos firmar um acordo”, esclarece.

Batizado de Compromisso Nacional Tripartite para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Indústria da Construção, esse acordo, de livre adesão, busca pactuar condições adequadas aos trabalhadores, desde o recrutamento e seleção, qualificação profissional, até a saúde e segurança do trabalho, além do direito do trabalhador ser organizado por local de trabalho nos canteiros de obras.

De acordo com Severo, a falta de interlocução do governo com os movimentos se expressou também nos debates sobre salário mínimo, correção da tabela do Imposto de Renda e desoneração da folha de pagamento da indústria. “Todos estes temas geraram crises entre governo e movimento sindical e os colocaram em posições conflitantes." 

Na avaliação da CUT, a situação só não foi pior graças à atuação do ministro Gilberto Carvalho, ex-chefe de gabinete de Lula e mais acostumado a lidar com movimentos sociais do que Dilma.

Para o sindicalista, o lado bom desta longa crise que marcou o início da gestão Dilma foi que a central pode reafirmar sua autonomia perante o governo. “Muitos setores do movimento sindical acusavam a CUT de estar alinhada com o governo e estas crises sucessivas provaram que não”, afirma.

Em um balanço de 2011 feito em dezembro, Gilberto Carvalho admitiu que a relação entre sociedade civil e governo é necessariamente tensa, mas afirmou que o governo busca atender ao máximo essas demandas, apesar de estar limitado por questões orçamentárias, entre outras.

“Não nos iludimos confundindo o bom diálogo com a satisfação efetiva dos movimentos. Temos consciência de que existe um certo grau de frustração, mas apostamos na continuidade e no aprofundamento desse diálogo. Nossa aposta para 2012 é exatamente dar mais organicidade e estabilidade para essa relação e manter o diálogo cada vez mais claro, fraterno e transparente”, disse.

Críticas à parte, UNE e MST reconheceram também ter havido pontos positivos em 2011, como o que os movimentos chamam de "aprofundamento" do diálogo com o governo, ainda que sem resultar em consequências desejadas. “Este bom relacionamento é fruto do amadurecimento da democracia brasileira. Antes de Lula, os movimentos sociais sequer eram recebidos pelo Executivo”, afirma Iliescu. 

"A presidenta Dilma criou canais permanentes para discutir as demandas dos movimentos sociais. No entanto, saiu muito pouco do papel até agora, como a suplementação do orçamento e a renegociação das dívidas”, diz João Batista, do MST.

A direita perdida e as manipulações de Kátia Abreu em torno da "Classe C"


por Igor Felippe Santos (Editor da Página do MST).

O jornal O Globo publicou artigo intitulado “Orfandade da classe média”, assinado pela senadora Kátia Abreu, neste sábado (7/1), apresentando resultados de uma pesquisa coordenada por Antonio Lavareda sobre a chamada a Classe C.

A pesquisa aponta que os 100 milhões de trabalhadores desse segmento exigem mais empregos, redução de impostos (redução para quem?) e manutenção da estabilidade econômica (estabilidade para os trabalhadores ou para os bancos?), saúde, segurança e educação. 74% dos pesquisados são pelo aumento das oportunidades de emprego, em vez de ampliação dos programas sociais.
Os assessores que escrevem o artigo para a senadora seguem a cartilha estruturalista, de chamar de classe média uma categoria de trabalhadores brasileiros que ganham entre R$1.200 e R$5.200 mensais. A maioria deles está no setor de serviços e são  autônomos, mas também estão no operariado industrial melhor pago.
É sintomático que a CNA use dinheiro de seus associados e faça uma pesquisa (bem cara, inclusive) para saber a opinião de um segmento da população urbana. Certamente, interessa muito mais aos objetivos partidários da senadora e de seu novo partido de direita, o PSD...

Não é casual também que tenha contratado a empresa de Lavareda, que é um publicitário que participou ativamente de todas as campanhas dos tucanos, na coordenação delas em 98, 2002, 2006 e 2010. Aliás, o governo FHC dava como troca de favores a esses publicitários a conta de vários ministérios, inclusive do Incra e Ministério do Desenvolvimento Agrário, comandados por Raul Jungmann (PPS).

Será que o artigo não foi escrito pelo próprio Lavareda? É tanta a saudade do Plano Real, que concentrou a renda, desvalorizou os salários e gerou desemprego no nosso país...
Se existe uma nova classe trabalhadora que aumentou seus rendimentos (e que a classe dominante quer conquistar ideologicamente para o campo conservador da “classe média”) é por conta das políticas de geração de emprego, valorização do salário mínimo e fortalecimento do mundo do trabalho do governo Lula, que não tem nada a ver com Plano Real.

É significativo que esses trabalhadores achem que toda propriedade deve ser respeitada, mas admitam que é necessário fazer a Reforma Agrária. E por que não distribuir a propriedade da terra, das fábricas e do comércio para todos (como dizia o grande Leonel Brizola) já que defendem tanto o direito de propriedade?

De acordo com a pesquisa, esses trabalhadores exigem um Estado que garanta saúde, educação e segurança. Daí a ilustre senadora conclui que é esse o programa é social-liberal. Ou é ignorância ou uma oportuna manipulação.

O que o povo brasileiro defende é o programa de um Estado de Bem Estar Social, que só governos de esquerda aplicaram no mundo – e que os de direita, alinhados a Kátia Abreu, destruíram.
Foram justamente as forças políticas que sustentam a senadora, sob a direção da Privataria Tucana, que privatizaram o Estado brasileiro - inclusive os instrumentos de segurança da população. uma vez que no estado de São Paulo há 600 mil guardas de empresas privadas e apenas 300 mil membros das polícias militar e civil.

A direita está perdida politicamente, sem programa partidário e sem uma base social e intelectual consolidada, andando às escuras à procura de bandeiras para acenar para esse setor da classe trabalhadora, que está desorganizado fora dos sindicatos e dos partidos.Pelas pretensões do artigo, para piorar a situação deles, parece que a direita está sob direção do setor mais atrasado do país, o latifúndio representado por Kátia Abreu.

fonte: http://mst.org.br

* Igor Felippe Santos é jornalista, editor da Página do MST, do conselho político do jornal Brasil de Fato e do Centro de Estudos Barão de Itararé.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Diante dos desafios, aproveitar as oportunidades.

Wladimir Pomar 
O companheiro Wladimir Pomar publicou no dia 20 de dezembro no portal Página13 uma otima avaliação da situação político-econômica internacional, onde trata das oportunidades que a crise capitalista mundial apresenta para os partidos de esquerda no Brasil. Abaixo republicamos um trecho do artigo que pode ser lido na íntegra no link ao fim indicado:

"...o Brasil pode se aproveitar da crise internacional para forçar os capitais estrangeiros a investirem fundamentalmente nos setores produtivos e para reforçar a presença de empresas nacionais,em particular nos ramos hoje oligopolizados pelas multinacionais. Há inúmeros mecanismos políticos, econômicos e administrativos que podem induzir os capitais externos a realizarem associações com empresas nacionais, de tal forma que estas ganhem autonomia após algum tempo e constituam um setor industrial nacional.

Essa é a maneira mais segura de reforçar o mercado interno, seja pelo consumo, ampliando consideravelmente o número de trabalhadores industriais e comerciais, seja pela produção, reforçando a presença de capitais brasileiros para ampliar o produto nacional bruto e garantir
a permanência de parte do produto interno bruto no país. O que aumenta a capacidade competitiva da verdadeira indústria nacional, aumenta a soberania do país, reduz o poder interno dos monopólios e oligopólios e cria um ambiente propício para a redução de custos e preços.

Este também parece ser o momento histórico mais favorável para resolver a contradição entre uma enorme área territorial aproveitável para a produção agrícola e a existência de alguns milhões de camponeses sem terra. A população brasileira já deu conta de que a reduzida produção de alimentos destinada ao mercado interno, hoje quase totalmente nas costas das unidades agrícolas familiares, é um dos principais fatores de pressão inflacionária.

Portanto, há justificativas de sobra, sociais, econômicas, financeiras e políticas, para assentar rapidamente os dois a três milhões de camponeses sem terra e incorporá-los à produção alimentar, ampliando a seguridade alimentar e reduzindo as pressões inflacionárias, estas devidas à oferta insuficiente de cereais, verduras e legumes..."


leia todo o artigo em:

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

2011: o avanço da onda grevista


Por Altamiro Borges

O Departamento Intersindical de Estudos e Estatísticas Sócio-Econômicas (Dieese) ainda não concluiu seu balanço sobre o número de greves em 2011, mas tudo indica que o movimento paredista continuou em ascensão no ano passado. Categorias de peso, tanto no setor público como no privado, cruzaram os braços em longas paralisações – como bancários, funcionários dos Correios, trabalhadores da construção civil, metalúrgicos de vários estados, professores, servidores do judiciário, entre outras.



Greves prolongadas e fortes

O ano passado confirmou a recente retomada da onda grevista no Brasil, o que dá maior poder de barganha ao sindicalismo para negociar os frutos do crescimento da economia. A redução do número de desempregados e de trabalhadores informais – somada ao clima de maior democracia existente no país – deu maior confiança para os trabalhadores reivindicarem seus direitos. A maior parte das categorias, mesmo sem expressivas mobilizações, conseguiu aumento real de salário.

Estas tendências de fortalecimento da ação sindical já tinham se manifestado em 2010 – ano em que a economia cresceu 7,5%, um recorde na fase recente. Segundo o Dieese, naquele ano as greves ficaram 57% mais longas do que em 2009. Elas somaram 44.870 horas paradas (quase 5.609 dias). O número de paralisações até recuou – de 518 em 2009 para 446 em 2010 -, mas sua musculatura aumentou. De greves localizadas, parciais, elas adquiriram uma abrangência maior, em categorias estratégicas.

Causas da maior mobilização

Para o professor José Dari Krein, do Centro de Estudos Sindicais da Unicamp (Cesit), a duração das paralisações cresceu em 2011 devido ao desemprego menor, “o que dá mais segurança para o trabalhador se arriscar em greves”, e também devido aos temores diante da crise mundial, o que deixa o patronato menos inclinado a conceder ganhos reais de salário. Em condições mais favoráveis para lutar, os assalariados cruzaram os braços para exigir os seus direitos e não se intimidaram diante do terrorismo patronal.

Algumas greves foram emblemáticas desse período mais favorável. A dos trabalhadores dos Correios durou 28 dias – a mais longa desde 1994. Já os bancários paralisaram suas atividades por 21 dias, na maior greve desde 2004. No setor privado, a mais longa paralisação foi a dos metalúrgicos da Volkswagen do Paraná (37 dias). No caso dos professores de Minas Gerais, a truculência do governo tucano de Antonio Anastasia forçou uma greve de quase três meses – a mais prolongada e heróica do ano passado.

Retrocessos no governo Dilma

As greves de 2011 também indicaram uma mudança de postura do governo federal. Esgrimindo o fantasma da crise mundial para justificar maior aperto fiscal, a presidenta Dilma orientou sua equipe a endurecer no trato com o sindicalismo. Esta regressão ficou patente na paralisação dos Correios. O ministro Paulo Bernardo, das Comunicações, negou o seu próprio passado de sindicalista e rotulou a greve de “férias”. A empresa chegou a antecipar o pagamento da folha para efetuar o desconto dos dias parados.

“Em oito anos de governo Lula negociei seis greves, uma delas de 21 dias. Negociamos com o próprio Lula e não houve desconto dos dias parados. Houve compensação”, criticou o secretário-geral da Federação Nacional dos Trabalhadores nos Correios, José Rivaldo da Silva. Para ele, o desconto dos dias parados e o discurso reacionário da gerência da empresa, falando em “reeducação” dos sindicalistas, sinaliza que a presidenta Dilma tem menos sensibilidade para as demandas trabalhistas.

Terrorismo da mídia patronal

Esta mudança de postura foi aplaudida pela mídia patronal. “A presidente Dilma Rousseff endureceu a política de greve e irritou o mundo sindical. A necessidade de ajuste fiscal e o receio de uma escalada inflacionária levaram o Executivo a atacar o ‘bolso dos grevistas’ com corte de ponto – prática raramente vista na gestão Lula”, elogiou a Folha tucana.

Como já é tradição, a mídia patronal criminalizou todas as greves do ano passado. O jornal Valor, que nestas horas não esconde o seu caráter de classe, chegou a publicar editorial exigindo maior rigor contra as paralisações no setor público e a regulamentação “urgente” de uma nova lei anti-greve. O jornal das famiglias Marinho e Frias não poupou nem a presidenta Dilma: 

Direito de greve na berlinda

“Em 2007, diante da inexistência de legislação específica, o Supremo Tribunal Federal (STF) estendeu ao funcionalismo as regras da Lei de Greve (7.783/89), que rege os trabalhadores do setor privado. Em tese, portanto, o governo já poderia cortar o ponto de funcionários em greve. Lula não o fez e a presidente Dilma Rousseff também tem evitado recorrer a esse dispositivo legal”.

O Estadão também publicou editorial raivoso, intitulado “Greves sem regras”, para atacar a própria luta dos trabalhadores. “Não tem sentido sobrepor o direito de greve, essencial à democracia, a outros direitos igualmente relevantes ou, em muitos casos, de importância maior para a maioria das pessoas”. Para a famiglia Mesquita só a tal liberdade de imprensa é um direito absoluto!

fonte: http://altamiroborges.blogspot.com/2012/01/2011-o-avanco-da-onda-grevista.html

domingo, 1 de janeiro de 2012

Lula costura aliança com PMDB

por Chico Barreira

Há meses o ex-presidente Lula vem defendendo a noção de que as eleições municipais do próximo ano, devem ser aproveitadas para garantir, desde já, a manutenção da aliança PT/PMDB, visando a reeleição da presidenta Dilma em 2014 e uma vitória sobre os tucanos, nesse mesmo ano, em alguns estados importantes, a começar por São Paulo.

Inicialmente a maioria das bases petistas locais torceu o nariz e não entendeu ou fingiu não entender a estratégia do Lula. É natural que vaidades e interesses pessoais predominem nas decisões políticas. Mas Lula insistiu e a própria dinâmica dos fatos mostrou que ele tinha razão. O resultado é que finalmente as principais correntes do PT aderiram à tese do ex-presidente. Sendo assim, nas capitais e nos municípios com mais de 150 mil eleitores, o PT deverá estudar (cada caso é um caso) a possibilidade de dar preferência a um candidato do PMDB, desde que, é caro, haja promessa de reciprocidade em 2014.

Vejamos o exemplo das duas principais cidades do País: Em São Paulo, Lula impôs um candidato, Fernando Haddad que se não chega ser inviável é pouco provável. A própria candidata natural do partido, Marta Suplicy, aborrecida, chegou a dizer a respeito do ministro da Educação: “Se é para perder, é um bom candidato”.

Seja como for, quem é do ramo aposta que Haddad chegará no final do primeiro turno atrás do candidato peemedebista (ex-tucano) Gabriel Chalita que é mais conhecido e possui maior desenvoltura no palanque. Além disso, vai “roubar” os votos da parte da classe média que votaria em José Serra. Então, vamos recordar que Lula reuniu-se com Chalita e com seu padrinho, o vice-presidente Michel Temer e propôs, assim na lata: No segundo turno nós apoiamos vocês, mas em 2014 vocês nos apóiam para o governo do Estado. OK? Temer e Chalita balançaram a cabeça afirmativamente.

No Rio, a situação é semelhante. Embora possuam candidatos de bom nível, os petistas locais foram praticamente obrigados a engolir o apoio à reeleição do atual prefeito peemedebista, também ex-tucano, Eduardo Paes. Ele pode ser definido como uma versão atualizada e light de Carlos Lacerda, com sua mania de choque de ordem e higienização (com valorização imobiliária) das partes deterioradas da cidade, onde vivem os pobres sobrantes. Aqui também, tanto Paes como seu padrinho, o governador Sérgio Cabral, comprometem-se a apoiar, em 2014, um candidato petista ao governo do Estado, provavelmente o meteórico Lindberg Farias.