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sábado, 19 de novembro de 2011

Urubulogia do endividamento dos trabalhadores

Segundo alguns economistas,  o poder aquisitivo da nova classe média advém do crédito bancário, que estaria antecipando o fluxo de renda futuro; ou seja as pessoas estariam hoje gastando o salário que ainda vão receber nos meses futuros. Com esse plus na renda agregada disponível aos consumidores, hoje há um boom no consumo, no crescimento econômico, no nível de emprego, nas vendas. Mas, como o tempo não pára, quando o futuro chegar e as pessoas estiverem endividadas, recebendo salários com parcelas dos empréstimos já descontadas, sem poder aquisitivo, sem poder comprar mais, o comércio sem vender, os estoques se acumulando, as indústrias diminuindo a produção e demitindo...; vai ser uma merda na popularidade de quem estiver no governo. 

Os partidários da "Revolução Democrárica", encantados com o crescimeno econômico do Brasil, achando que esse processo é ad eterno, denominam esses economistas pessimistas de URUBÓLOGOS. Qualquer um que ouse dizer que o capitalismo é um sistema que gera contradições irreconciliáveis, que é insustentável pela sua própria característica, seria URUBÓLOGO, herege contra o deus Mercado, que tudo resolve. Neste sentido, todos os socialistas que pregam e trabalham por uma ruptura histórica com o modo de produção capitalista, seriam URUBÓLOGOS.

Encantados com o próprio umbigo, os otimistas mais desvairados da "Revolução Democrática" juntam no mesmo saco, como se foram iguais, militantes radicalmente diferentes em seus motivos,   por terem em comum a audácia de contestar o modelo neodesenvolmementista e reformista do capitalismo ensejado desde Lula. Para eles, tanto a famosa urubóloga do PIG Míriam Leitão, como os camaradas do desvairio esquerdistas do PSTU, PSOL e do neoPCB, em colaboração com os direitista do PSDB e do DEM, são agentes subversivos e invejosos que só querem a ruina da imagem do governo.

Internamente no PT, os adeptos ideológicos da "Revolução Democrática" e os cooptados pelos holetites do governo, tratam os companheiros da esquerda socialistas, incluída a Articulaçao de Esqueda, como urubólogos e inimigos do governo. Alías o PT já não existiria para defesa dos interesses dos trabalhadores e sim do governo, pois este estaria resolvendo todos os problemas da classe trabalhadora, que com seus cartões de crédito no bolso anda em lua de mel com os governantes. Quero vê como essa mesma classe trabalhadora se comportará quando as maquinhinhas da Cielo começarem a recusar crédito.

As estatísiticas do IBOPE acerca da popularidade dos presidentes Lula e Dilma deixam os adeptos da "Revolução Democrática" delirantes de arrogância e prepotência achando que os números confirmam que a revolução ja está acontendo no Brasil. Recentemente no congresso de juventude, se ouvia coro de uma tendência interna do PT  se dizendo a "verdadeira esquerda do PT", tirando sarro da tendências momentanemente derrotadas. Esses companheiros deviam prestar atenção em outras estatisticas: segundo o IBGE, citado em matéria do portal R7:  "Metade da população brasileira tinha rendimento médio mensal per capita de até 375 reais no ano passado, e para 25 por cento das pessoas o valor máximo ficava em 188 reais, revelou o IBGE nesta quarta-feira, num detalhamento dos dados do Censo Demográfico de 2010." 

A renda média do trabalhador no Brasil ainda é muito pequena. Seu poder aquisitivo se baseia em crédito. Isso é insustentável, frágil e perigoso.  Ainda segundo o IBGE na matéria citada, "a parcela dos 10 por cento com os maiores rendimentos ganhava 44,5 por cento do total". Isso é "Revolução Democrática"?? A renda ainda permanece fortemente concentrada. Se os pobres estão consumindo é graças ao crédito, ao endividamento. Essa, como tantas outras bolhas de properidade do capitalismo, vai  estourar. Isso não é urubologia, é economia real, é capitalismo, é história. Mas não precisa ser assim. Outro mundo é possível. Nós da Articulação de Esquerda continuaremos a lutar pelo revolução. Hoje somos a voz que clama no deserto. Mais o tempo não pára. Esse fime ainda não acabou. Como um rio que sempre flui, a história nunca acaba. Não somos otimistas quanto ao capitalismo. Pelo contrário, como somos otimistas quanto a humanidade defendemos a sua transcendência, ir além dele: somos socialistas.

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