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terça-feira, 20 de setembro de 2011

Incompetência no ministério, nova forma de atrasar a reforma agrária.


A matéria abaixo, de autoria do jornalista Roldão Arruda, foi publicado no O Estado de São Paulo. Por se tratar de um instrumento do PIG talvéz a intenção seja a de desestabilizar o Governo Dilma; entretanto apresenta informações pertinentes. Leia e tire suas próprias conclusões. Afinal, que a reforma agrária está travada, isto está mesmo. E não é culpa do Estadão. 

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''Verde'' em questões agrárias, ministro é escanteado pelo governo em sua área.


A perda de ministros em série e com velocidade inédita não é o único problema da presidente Dilma Rousseff com sua equipe de governo. Entre os que ficam, ela tem convivido com titulares ministeriais que, passados nove meses no cargo, ainda não entendem muito bem dos assuntos de sua pasta.

Um dos casos mais notórios é o de Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário. Citado nas rodas do poder como alguém que "não é do ramo", ele enfrenta tanta dificuldade para saber do que trata sua pasta que vem sendo alijado das decisões na área. Vai se transformando aos poucos em ministro fantasma, espécie de rainha da Inglaterra, coroada, mas sem poder.
Alijado. Afonso Florence não participa de negociações com o MST e ficou de fora do núcleo do programa Brasil Sem Miséria  - Andre Dusek/AE-3/1/2011
Florence não participa de negociações com o MST e ficou de fora do núcleo do programa Brasil Sem Miséria.
O cargo mais importante que Florence ocupou antes de ser ministro foi o de secretário do Desenvolvimento Urbano da Bahia, no primeiro governo de Jacques Wagner (PT). Pode-se dizer que é um caso raro, no processo de urbanização galopante do País, de alguém que migrou da cidade para o campo.


Sinais de desconforto com Florence - que é formado em história - podem ser observados por toda parte. O Movimento dos Sem Terra (MST), cuja bandeira principal, a defesa da reforma agrária, é intimamente atrelada à pasta do ministro, o ignora. Consultados pelo Estado, integrantes da cúpula da organização demonstraram dificuldade para acertar o nome do ministro. Em reuniões políticas da militância, costumam ler, em tom sarcástico, trechos de uma entrevista dele à revista Carta Capital, na qual demonstra falta de conhecimento sobre assuntos que constituem o "feijão com arroz" da pasta, como assentamentos, regularização de terras de quilombolas e financiamento da agricultura familiar.


Segundo plano. Desde a ascensão de Dilma, o interlocutor absoluto do governo com o MST é o titular da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ministro sem orçamento e sem estrutura operacional, mas influente. Quando o debate desce a detalhes técnicos, chama-se o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa Lacerda, engenheiro agrônomo que fez carreira na instituição e é respeitado por ser do ramo.


Em agosto, durante a onda de protestos que o MST promoveu pelo País, com ocupações de edifícios públicos, foi Carvalho quem tomou as rédeas das negociações. Também coube a ele anunciar publicamente a liberação de mais R$ 400 milhões dos cofres públicos para obtenção de terras para a reforma. A participação de Florence no episódio foi insignificante e quase desastrada. Durante uma reunião de um grupo de ministros, para analisar a questão das dívidas de assentados, foi interrompido por Dilma quando falava sobre o tema. Demonstrando estar melhor preparada para o encontro, a chefe disse ao subordinado que os números citados por ele não batiam com o relatório que ela tinha recebido.

Loteamento político. Último nome a ser anunciado na montagem do ministério de Dilma, em dezembro do ano passado, Florence não foi escolhido pela presidente. Chegou lá em decorrência do loteamento de cargos entre as diferentes tendências políticas do PT.
Desde o primeiro mandato de Lula, o Desenvolvimento Agrário faz parte da cota destinada à tendência Democracia Socialista. Os dois gaúchos que dirigiram a pasta, o cientista social Miguel Rossetto (hoje na presidência da Petrobrás Biocombustível), e o engenheiro civil Guilherme Cassel (atual diretor de crédito do banco gaúcho Banrisul) são militantes da tendência.


O mesmo critério foi imposto a Dilma, acrescido de outra exigência, originária de governadores petistas e da base aliada do Nordeste: o escolhido teria de ser nordestino. A presidente ainda tentou, dentro desses limites, garimpar um nome com perfil técnico, mas, na última hora, engoliu o do urbanista baiano, cacifado por Wagner.


Desde a posse, Florence tem sido tolerado no poder. Uma demonstração disso foi o fato de ter ficado praticamente à parte nos debates que deram origem ao Brasil Sem Miséria, plano do qual o seu ministério é um dos executores. Florence já admitiu que tem estudado muito para superar as dificuldade que enfrenta. Impacientes, seus críticos dizem que os resultados deste esforço ainda não apareceram.


Seu caso não é singular. A petista catarinense Ideli Salvatti também não tinha familiaridade com o mercado de peixes quando foi indicada para a pasta da Pesca. A sorte de Ideli foi que, passados pouco mais de cinco meses, Dilma tratou de socorrê-la, com a transferência para a Secretaria de Relações Institucionais. Encarregada de fazer a ponte política entre a Presidência e o Congresso, ela passou a se sentir em casa.  Florence não teve a mesma oportunidade. Continua como um peixe fora d"água, embora fiel aos seus padrinhos: de acordo com a agenda divulgada no site do ministério, predominam visitas de representantes de governos do Nordeste e viagens a Estados da região.

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