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sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Fátima Cleide se reúne com Acir para discutir eleições municipais.

A ex-senadora Fátima Cleide (PT), se reuniu ontem, 28, com o senador Acir Gurgacz (PDT), em seu gabinete, para discutir as eleições municipais de 2012. A senadora se apresentou como pré-candidata do PT à prefeitura de Porto Velho.

O senador Acir Gurgacz disse que o PDT ainda esta estudando a possibilidade de lançar candidatura própria na Capital, mas que está aberto para alianças e terá a ex-senadora Fátima Cleide e o PT como aliados de primeira hora.

“Temos uma boa parceria com o prefeito Roberto Sobrinho, em Rondônia, e com a presidenta Dilma Rousseff, do âmbito federal, de modo que uma aliança com a ex-senadora Fátima Cleide seria algo natural, mas ainda é muito cedo para definirmos as coligações e, por hora, vamos continuar conversando”, disse Acir.

A ex-senadora Fátima Cleide disse que está otimista com a pré-candidatura e vê grandes possibilidades de construir uma frente ampla, com a participação de vários partidos que já compõem o quadro de aliados do PT. “Tivemos uma boa votação nas últimas eleições em Porto Velho e creio que precisamos continuar a parceria que temos hoje com a presidenta Dilma Rousseff e com os aliados na bancada federal”, disse Fátima.

Fonte: Portal do PT Rondônia.

Para CUT, Comissão da Verdade é para inglês ver

O secretário de Políticas Sociais da CUT, Expedito Solaney, afirmou em entrevista à repórter Lúcia Rodrigues que a Comissão da Verdade aprovada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira, 21, é para inglês ver. O texto chancelado pelos deputados impede, por exemplo, que militares que prenderam, sequestraram, torturaram e assassinaram ativistas de esquerda durante os anos de chumbo sejam punidos. O projeto segue para o Senado, e se aprovado vai à sanção da presidenta Dilma Rousseff. Solaney afirma que a CUT pretende pressionar os senadores a fazer alterações progressistas no texto.


Ouça a entrevista aqui:
http://www.redebrasilatual.com.br/radio/programas/jornal-brasil-atual/para-cut-comissao-da-verdade-e-para-ingles-ver

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

CAMPANHA ELEITORAL: A primeira impressão é a que fica.

Francisco Ferraz
A expressão é surrada, mas é a que melhor traduz não só a importância da imagem de um político, como o zelo com que ele deve tratá-la.

A disputa eleitoral se dá entre imagens e quem vota escolhe aquela que, no seu julgamento, for mais convincente e transmitir a maior credibilidade. Por isso, os políticos lutam até o último fôlego para defender e promover suas imagens. Sabem que, se ela for abalada, as chances de recuperação tornam-se muito remotas. Sendo um jogo de imagens, a política tem características que a aproximam do teatro - e outras que se assemelham às dos jogos. Assim, fazem parte dessa dinâmica esconder a verdadeira intenção, evitar compromissos definitivos, administrar a presença e a ausência, dissimular, ocultar fragilidades e expor pontos fortes, cuidar o que fala, entre muitas outras atitudes.

Em nome do cuidado com a imagem pessoal, os políticos cultivam a simpatiam e cumprimentam a todos, mesmo não conhecendo as pessoas que encontram

Um líder nunca será demasiado prudente com a primeira impressão que sua imagem vai deixar. Afinal, nunca haverá uma segunda chance para produzir um "novo" impacto inicial. Para a maioria das pessoas, ele é único e definitivo - e funciona como as lentes coloridas de um par de óculos: você passa a ver a realidade através delas, com todos seus tons. Se a primeira impressão for favorável, o público tende a ter boa vontade, tolerância e compreensão para com as aparições posteriores. Se acontecer o contrário, a imagem sofrerá um efeito exponencial negativo sobre erros e falhas que vierem a ser cometidos, legitimando e confirmando aquela primeira impressão hostil. Não é impossível revertê-la, mas é tarefa que demanda muito trabalho, tempo e nem sempre logra sucesso.

Há muitos projetos de governo que, por falhas de apresentação, adquirem logo uma "má fama" que, mesmo não correspondendo à realidade, "gruda" de tal maneira que persistem por anos e até décadas depois da proposta haver sido implementada. A mesma regra vale para a imagem pessoal. Se a primeira impressão for ruim, é certo que ela tende a perdurar, tornando-se "verdade". Isto ocorre porque um impacto inicial desfavorável sempre será mais marcante que um positivo. A percepção se difunde pela repetição e pela comunicação pessoal. Em breve, alguém agregará um apelido à imagem, emprestando-lhe fixidez, facilidade de retenção na memória e velocidade de propagação.

As primeiras impressões possuem tanta força porque são exatamente isso: as primeiras. Elas preenchem um espaço vazio na mente - antes delas, nada havia. Quando surgem, são retidas naquela lacuna de memória tal qual foram apreendidas. A partir daí, pertencem ao patrimônio perceptivo da pessoa, e não mais ao político que as produziu. Por isso, é tão difícil mudá-las. É preciso disposição para "apagar" as sensações gravadas, substituindo-as por outras. Como elas integram o imaginário de cada indivíduo, tudo vai depender de uma certa flexibilidade mental para aceitar transformações, vencendo a resistência natural frente a tentativas desta natureza.

O político está sempre despertando primeiras impressões nos eleitores potenciais

Por isso, os políticos investem pesadamente no cultivo da simpatia, que, ao longo do tempo, perde a espontaneidade para parecer um estratagema de sedução. Por isso, os políticos cumprimentam a todos, mesmo não conhecendo as pessoas que encontram. Por isso, os políticos hesitam tanto em assumir posições onerosas e desgastantes, preferindo e abraçando com fervor aquelas que são atraentes e populares. Por isso, os profissionais de marketing "produzem", nos mínimos detalhes, as imagens dos políticos, aparando arestas, corrigindo erros e alterando comportamentos. Por isso, os políticos cuidam muito de sua aparência pessoal e dos trajes que vestem.

Essas e outras medidas não podem ser tratadas, simplificadamente, como gestos demagógicos - embora muitos sejam. O que todos buscam é causar uma primeira impressão favorável, reforçando-a pela reiteração do contato. Depois de tanto praticar, tais atitudes se tornam hábitos consolidados e até mesmo cacoetes. Prova disso é a maneira jocosa de caracterizar uma pessoa que, socialmente, tem o hábito de agradar os outros e de mostrar simpatia, com a frase: "É um político". Na realidade, esses hábitos pretendem garantir impactos positivos diante das pessoas. Afinal, a todo o momento um político está despertando primeiras impressões em algum eleitor potencial.

fonte: http://www.politicaparapoliticos.com.br/

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Hermínio deixa o PT e filia-se ao PSD.

"Eles venceram e o sinal está fechado pra nós" [Belchior]
É o fim do fogo amigo contra o prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho (PT). O deputado estadual Hermínio Coelho se desligou do PT e se filiou ao Partido Social Democrático (PSD), que teve o seu registro aceito ontem (27), pela justiça eleitoral.

Com a sua filiação ao PSD, Hermínio deve aumentar o tom das críticas ao prefeito da capital, agora com um motivo a mais: vai poder ser candidato à sucessão de Sobrinho.

Hermínio alimentava o sonho de sair candidato a prefeito de Porto Velho, mas teve a sua pretensão frustrada pelos companheiros. Além disso, as suas pesadas críticas lhe renderam puxões de orelhas da executiva petista e o clima ficou ruim.

Além de Hermínio, o PSD ganha nas suas fileiras o deputado estadual Jacques Testoni, que deixará o PP, presidido em Rondônia por Ivo Cassol. O irmão do deputado, o prefeito de Ouro Preto, Alex Testoni, vai sair do PTN e ingressar no PSD.

Na Assembleia, especula-se que o petista Ribamar Araújo pule fora da companheirada e junte aos novos “sociais democratas”, que nacionalmente é presidido pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.


Opinião.

A saída do sindicalista Hermínio Coelho do Partido dos Trabalhadores e seu ingresso no PSD, onde se perfilará ao lado do fazendeiro direitista Moreira Mendes, tem sua lógica já percebida pela imprensa local: "obter uma legenda para disputar a sucessão na prefeitura de Porto Velho". Dentro do Partido dos Trabalhadores, o deputado Hermínio provavelmente não teria este espaço.
No lugar de lutar por construir esse espaço político juntamente com todas os setores que resistem à hegemonia do grupo hoje dominante, o deputado prefere a solução mais curta para as suas pretenções eleitorais: sair.  Muitos grupos já saíram do PT; uns com posições oportunistas de direita e outros com vertente ultra esquerdista. Em comum: críticas, denúncias, alegada desilusão, etc, e tal. Como os companheiros do PSOL e do PSTU, hermínio agora fará cruzada contra o partido que ajudou a construir. A intenção de quem saí, tanto pelo lado direito como pelo ultra esquerdo, é o de liquidar o PT.
Nós da Articulação de Esquerda, que não somos movidos por interesses eleitorais imediatos e nem por cargos comissionados como valor em sí, temos como princípio de atuação continuar dentro do PT lutando por um partido de fato socialista, de massas e revolucionário; apesar das perseguições e intimidações impostas pelo grupo majoritário interno e suas práticas coronelistas.
Entretanto, aproveitamos este fato para denunciar a estratégia defendida por alguns setores da direção partidária que advogam abrir (ou alugar?) o partido para algumas manjadas "lideranças" como forma do partido aumentar sua bancada nas câmaras de vereadores. Chamamos isso de "aumentar pra perder". Se Hermínio que nasceu politicamente no movimento sindical, hoje abandona o PT, não sem antes tê-lo apunhalado; imagine o compromisso dessas "lideranças". Temos é que qualificar a atuação do partido e insistir na estratégia de colocar no parlamento os companheiros já provados na luta. Fora com os oportunistas, os vendidos e os traidores. Por que criar cobra? Os inimigos dos trabalhadores são de graça e sem esforço, inimigos do PT. 

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Segundo IPEA: 54% dos desempregados são jovens..

O desemprego é um fenômeno da população mais jovem, afirmou nesta quarta-feira Bruno Marques, técnico do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), durante divulgação de dados sobre o mercado de trabalho brasileiro. Levantamento apresentado nesta manhã pelo instituto revelou que a maior parte das pessoas que estão fora do mercado, apesar de se esforçarem para integrá-lo, está com idade entre 18 e 29 anos.

Embora esse grupo responda por somente cerca de 30% da amostra do instituto, perfazem 54% dos desempregados. A pesquisa detectou que 45% dos que não estão trabalhando procuram uma vaga há mais de seis meses. Dentro deste grupo, quase um quarto das pessoas está na condição de desempregado há mais de um ano.

"Uma parcela importante dos desempregados encontra-se, portanto, exposta ao desemprego de longa duração – situação preocupante tendo em vista a possível perda de habilidades e vínculos profissionais que daí decorre", afirmou a sondagem do Ipea.

Marques salientou, porém, que a cobertura do seguro-desemprego é de, no máximo, cinco meses, com média de quatro meses, o que identifica uma lacuna em termos de proteção social. "O seguro-desemprego deixa de cobrir uma parcela significativa de pessoas e é uma questão que se precisa estudar", afirmou o técnico do Ipea à imprensa.

A pesquisa verificou também que as expectativas salariais para esse grupo de pessoas são relativamente baixas, já que mais de 40% dos participantes responderam aceitar um valor igual ou até menor do que o salário mínimo atual (510 reais). Cerca de um quarto dos entrevistados identificaram a falta de qualificação ou experiência como o principal obstáculo nas seleções de emprego.

Negócio próprio – Poucos participantes da pesquisa, segundo o Ipea, mencionaram o desejo de abrir um negócio próprio, que seria uma alternativa ao emprego assalariado. "Em outros países, esta resposta provavelmente teria um peso maior. No Brasil, a porcentagem é baixa", comparou Amorim.

Segundo ele, a conjuntura econômica é um dos itens mais importantes para a ampliação do mercado de trabalho na avaliação dos que participaram da pesquisa do instituto. "Há a percepção de que a economia crescendo, com pessoas comprando, é muito mais importante para melhorar a situação do que o crédito e os impostos", explicou.

Dos que atuam por conta própria, o Ipea identificou que é baixa a contribuição com a Previdência Social. Para a maioria, porém, a não contribuição tem uma explicação clara: a consideração de que o rendimento é baixo. "Resumidamente, dizem que não têm renda para contribuir. Isso dá para ver como a questão da renda é importante. Apenas 6% acham que o valor pago pelo benefício é baixo. Ou seja, as pessoas querem contribuir, mas acham que não tem renda para tal", observou Amorim.

(com Agência Estado)

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Não confunda inimigos com adversários.


No site   http://www.politicaparapoliticos.com.br encontrei um artigo muito interessante, do qual transcrevo trechos abaixo com grifos nossos. Porém recomendo uma ida ao site indicado.

Inimigos... melhor não tê-los.

Francisco Ferraz

"Não tente mudar seus inimigos: tente controlá-los. Saiba onde estão, o que pensam, e em quem confiam"

Não confundir adversário com inimigo. Adversários o político sempre terá, contra eles vai concorrer, com eles vai disputar espaço político, prestígio, poder. Adversários entretanto são conjunturais, mudam com o tempo e as circunstâncias. O adversário de hoje pode ser o aliado de amanhã. 

O que distingue o conflito entre adversários e entre inimigos é a presença do ódio como fator dominante, como motivação principal

A disputa entre adversários pode e costuma ser dura, envolve ataques, acusações, hostilidade. Entre adversários, porém, não existe ódio.

O ódio é pessoal, irreversível, radical. É um sentimento que lança suas raízes no plano mais íntimo da individualidade das pessoas. Seu objetivo real, muitas vezes não reconhecido, é a eliminação completa do inimigo (eliminação seja no campo da política, da vida social, econômica, profissional, e no limite, o próprio desejo da morte física).

Na vida familiar, social, profissional, podemos ter adversários e até inimigos. O mesmo ocorre na política. As instituições democráticas são as formas mais desenvolvidas de convívio político, exatamente porque institucionalizam o conflito ao tempo em que fixam os seus limites.

O que são as eleições senão um conflito limitado entre adversários, com regras claras e explícitas para definir quem vence? Na política democrática então, como regra, o conflito ocorre entre adversários.

Na verdade, é comum dizer-se que os adversários estão nos outros partidos, os inimigos estão no nosso partido!

É um erro de graves conseqüências tratar adversários como inimigos e inimigos como adversários: os primeiros poderão acabar tornando-se inimigos e os segundos não mudarão seus sentimentos.

As leis do poder ensinam que não se deve tentar mudar os inimigos, porque eles não mudarão. O que compete fazer é tentar controlá-los, para evitar que o prejudiquem, porque mil amigos não são suficientes, um inimigo o é. Não existe inimigo inofensivo. 

Congresso Nacional boicota mais verbas para a Saúde Pública.


SUS exige verba mas mídia vende tributação insuportável, diz Jatene 
Em novo livro, diretor do Incor e ex-ministro da Saúde, Adib Jatene, diz que tecnologia impôs grandes mudanças à medicina em 40 anos. Frente a custos maiores e novo perfil epidemiológico do país, Sistema Único de Saúde precisa dobrar recursos. 'Esse é o grande problema', diz Jatene em entrevista exclusiva. 'Mídia faz população acreditar que carga tributária é insuportável.'
> LEIA MAIS Política | 23/09/2011

'Túmulo' da CPMF, Senado recebe de volta 'abacaxi' da saúde
Câmara conclui votação de projeto que disciplina gastos estatais em saúde e rejeita imposto que cobriria parte da carência de R$ 45 bi. Tributo foi aprovado, mas 355 deputados tornaram cobrança impossível ao excluir base de cálculo. Ouvidos, governadores omitiram-se. Texto volta ao Senado. 'A partir de agora, senadores, o abacaxi passa para suas mãos', diz líder do PMDB.
> LEIA MAIS Política | 21/09/2011

'Saúde pública precisa de mais recursos do que CSS poderia trazer'
Para o médico-cirurgião Nacime Salomão Mansur, superintendente da SPDM, uma organização social que gerencia 22 unidades de saúde em São Paulo, só proposta do senador Tião Viana (PT-AC), que fixa os gastos em saúde em 10% da receita corrente bruta, resolveria carência de recursos do setor. "Vergonhosamente, investimos per capita menos do que Argentina e Chile", disse ele à Carta Maior. 
> LEIA MAIS Direitos Humanos | 22/09/2011

Só no Brasil há saúde gratuita e universal mas gasto privado maior
Aos 21 anos, Sistema Único de Saúde (SUS) vive 'paradoxo'. É gratuito e aberto a todos mas tem menos dinheiro do que iniciativa privada gasta para atender menos gente. Em nenhum outro país é assim, segundo a OMS. Despesa estatal brasileira é um terço menor do que a média mundial. Para especialistas, SUS exige mais verba. 'Orçamento precisa dobrar', diz Adib Jatene. 
> LEIA MAIS Política | 19/09/2011

Carência financeira na saúde é consenso; solução tributária, não
Às vésperas da votação de projeto que disciplina gasto público em saúde, há consenso de que setor precisa de mais verba. Mas solução preferida pelo governo, a volta de imposto tipo CPMF, enfrenta resistências até de aliados. Para ex-ministro da Saúde, debate 'idelogizado' matou 'partido sanitário'. Mas ainda há defensores. 'Sou a favor de novo imposto', diz secretário paulistano. 
> LEIA MAIS Política | 19/09/2011

7° PIB, Brasil é 72° no ranking da OMS de gasto per capita em saúde 
Invstimento público em saúde é de US$ 317 por brasileiro, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Líderes do ranking de 193 países, Noruega e Mônaco gastam 20 vezes mais. Na América do Sul, Brasil perde para Argentina, Uruguai e Chile. No G-20, é o 15°. Segundo ex-ministro Temporão, dado é 'dramático'. Para Dilma Rousseff, baixa despesa per capita justifica mais verba à saúde. Secretário paulistano apoia novo imposto.
> LEIA MAIS Política | 14/09/2011

Saúde precisa de mais verba até para melhorar gestão, diz Temporão
Segundo José Gomes Temporão, ex-ministro da Saúde, reforço financeiro dos sistemas públicos está em debate no mundo todo. Avanço tecnológico e de expectativa de vida impõe alta de custos e exige novos recursos. Em entrevista à Carta Maior, Temporão defende subir taxação de cigarros e bebidas, condena 'aberração' brasileira de abater plásticas do IR e critica subsídio federal a convênio de servidor.
> LEIA MAIS Política | 12/09/2011

A problemática do sistema de saúde argentino
O sistema de saúde argentino ficou debilitado quando, em 1993, o Banco Mundial recomendou aos governos o seu receituário neoliberal: privatização, descentralização, quotas de recuperação, programas de nutrição e de medicamentos essenciais. Após o caos de 2001, a era da reconstrução do sistema começou com Nestor Kirchner.
> LEIA MAIS Direitos Humanos | 22/09/2011

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

SUS: Regulamentação aprovada na Câmara reduz os recursos da saúde


Por Paulo Navarro
Regulamentação da EC29 aprovada na Câmara reduz os recursos da saúde e desafia os militantes do SUS e a #PrimaveradaSaúde a uma reação firme e objetiva.
Após 11 anos de peregrinação, incluindo um estágio recente de quase 3 anos em uma gaveta, a Câmara Federal finalmente aprovou, com ares de comemoração, sua versão da regulamentação da Emenda Constitucional 29. O texto aprovado na Câmara tem o mérito de definir o que pode ser incluído como despesa em Saúde, mas não muda nada naquilo que era mais aguardado pelos defensores de um sistema público universal: a parcela que cabe à União do financiamento do SUS segue sendo o piso do ano anterior acrescido da variação nominal do PIB.
E o que parece mais surreal: ao excluir os recursos do FUNDEB das bases de cálculo estaduais e excluir a base de cálculo da Contribuição Social para a Saúde (CSS) – tornando-a inócua – a proposta aprovada na Câmara presenteia o Sistema Único de Saúde com uma redução de cerca de R$ 7 bilhões anuais, na semana em que o SUS completou 21 anos. O projeto segue para apreciação do Senado onde, espera-se, seja corrigida essa aberração.
Ao reduzir o orçamento global do SUS, a proposta aprovada na Câmara vem desafiar os militantes do SUS e o movimento #PrimaveradaSaúde a uma reação firme e objetiva. Em primeiro lugar, é preciso se ter clareza sobre qual proposta de regulamentação estamos defendendo, indo além da bandeira de “mais recursos para a saúde”. Além de definir o que pode ser considerado despesa com Saúde, ela deve:
  1. Garantir a responsabilização tri-partite pelo financiamento;
  2. Garantir a transparência e o controle social efetivo sobre a utilização dos recursos; e
  3. Garantir um piso mínimo de 10% da Receita Corrente Bruta da União vinculados ao orçamento do Ministério da Saúde.
Tendo clareza de que esta é a regulamentação que interessa ao SUS e ao povo brasileiro, é fundamental que o movimento, da maneira mais transparente possível, construa as bases políticas que permitam sua aprovação e efetivação. Para isso, é imprescindível manter um vínculo concreto com a realidade e com a correlação de forças políticas que existem no Brasil de hoje. E saber construir um vigoroso movimento na sociedade, um movimento que consiga fazer o diálogo, que aproxime as forças políticas que defendem a saúde pública, superando outras divergências no sentido de construir uma mudança nessa correlação de forças – que hoje favorece claramente os interesses dos grandes grupos econômicos.
Fazendo uma análise de conjuntura grosseira, não é difícil concluir que, apesar dos nossos anseios e da justeza da reivindicação, é absolutamente improvável uma virada brusca na política macro-econômica, que se faça uma ruptura com o capital financeiro de forma a cortar drasticamente o montante de recursos destinados ao pagamento da dívida pública, pondo em risco a tão propalada estabilidade e a segurança do mercado em prol de políticas públicas promotoras de cidadania. Uma virada desta natureza, na minha humilde avaliação, ainda requer uma mudança no patamar de conscientização da sociedade brasileira que determine uma alteração na correlação de forças que, infelizmente, ainda não está na ordem do dia.
O movimento terá que fazer, ao meu ver, uma escolha, consciente e às claras: trata-se de fincar bandeiras e demarcar campo apenas, ou trata-se também de, objetivamente, alcançar conquistas concretas para a população no campo da saúde? Faço sem quaisquer pudores a segunda opção, por entender que a conquista de direitos e da cidadania é o caminho mais eficaz para a conscientização que ainda se faz necessária para se construir uma nova hegemonia na sociedade brasileira.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O escândalo da segurança dos ex-governadores.

Em Rondônia os ex governadores, além de salário vitalício, também são assistidos com segurança particular garantida pelos cofres públicos. São dois oficiais, 28 soldados, 02 caminhonetas tipo Hilux, cabine dupla completa, e, claro, armamento, tudo da nossa Polícia Militar. Até o João Cahulla, que ficou no mandato por apenas 8 meses, tem essa mordomia paga com recurso público que tanto falta faz na saúde e educação, e que parece sobrar na segurança pública aos olhos dos legisladores estaduais.

Para acabar com essa farra injustificável, o deputado Hermínio Coelho (PT) bem que tentou fezer o seu papel. Apresentou projeto de lei que revogava a lei nº 2255, de 03 de março de 2010, a qual dispunha sobre esse vergonhoso privilégio da segurança de ex-governadores do Estado de Rondônia. O projeto de Hermínio era de grande relevância pelo aspecto ético, moral, preocupação com a coisa pública e respeito ao cidadão que paga, religiosamente, os seus impostos. Porém 14 outros deputados preferiram manter a mordomia.

Inacreditável... como os deputados fizeram isso??

No último dia 14 de setembro,  conforme relação levantada na ALE, catorze meninos “danadinhos” (Lourival Amorim, Jaques Testoni, Marcelino Tenório, Neodi, Luiz Cláudio, Ribamar Araújo, Luizinho Goebel, Valdivino Tucura, Marcos Donadon, Ana da 8, Jesualdo Pires, Lebrão e Glaucione), todos bem vestidinhos de deputados e deputadas estaduais, e sob a orientação do líder do governo, Edson Martins, não se constrangeram em votar pela manutenção da chamada Segurança de Ex Governadores. 

Trata-se de um vexatório privilégio mantido por suas excelências, os deputados estaduais acima relacionados, aos ex governadores do Estado de Rondônia que possuem “inimigos” em excesso pelo exercício probo do Executivo local. Na verdade, um miminho extra, além do salário vitalício, pago pelos contribuintes rondonienses, a disposição do Senador Cassol e o Senhor ex governador, por longos oito meses, João Cahula...
  
E a segurança do povo?

Para se ter uma idéia, esses dois cidadãos têm a sua disposição mais Policiais Militares do que 41 municípios de Rondônia com até 33 mil habitantes. A população de cada uma dessas cidades possui menos de 30 policiais para cuidar da segurança de todo o povo local. Reparem bem no que estamos falando e ousemos comparar: O distrito de Jacy Paraná, a 90km da capital, onde se constrói hoje a hidrelétrica de Jirau, possui uma população flutuante de 20 mil pessoas, com graves problemas de prostituição em todas as idades, drogas, violência e outras mazelas a espera de compensações que realmente compensem. Para lá, o poder público garante 5 PMs... Vale do Anari, com 10 mil habitantes, possui 08 PMs e Machadinho, com mais de 31 mil habitantes, possui 26 PMs.

Os ex presidentes da República do Brasil, só para comparar, possuem o direito a 4 seguranças. Por qual misteriosa razão, os nobres deputados acham que o nobilíssimo senador Cassol tem direito a 18 PMs, 02 caminhonetas tipo Hilux, cabine dupla completa, e custeamento de armamento? Teria sido sua administração tão persecutória que agora ele tem medo até da sombra? 

terça-feira, 20 de setembro de 2011

O fim da ética da IstoÉ, a revista que vende reportagens por quilo

Da Secretaria Nacional do MST

A revista IstoÉ publica na capa da edição desta semana um boné do MST bem velho e surrado, sob terras forradas de pedregulhos. Decreta na capa “O fim do MST”, que teria perdido a base de trabalhadores rurais e apoio da sociedade. Premissa errada, abordagem errada e conclusões erradas.

A mentira

A IstoÉ informa a seus leitores que há 3.579 famílias acampadas no Brasil, das quais somente 1.204 seriam do MST. A revista mente ou equivoca-se fragorosamente. E a partir disso dá uma capa de revista. Segundo a revista, o número de acampamentos do MST caiu nos últimos 10 anos. E teria chegado a apenas 1.204 famílias acampadas, em nove acampamentos em todo o país.

Temos atualmente mais de 60 mil famílias acampadas em 24 estados. Levantamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) aponta que há 156 mil famílias acampadas no país, somando todos os movimentos que lutam pela democratização da terra.

A revista tentou dar um tom de credibilidade com as visitas a uma região do Rio Grande do Sul, onde nasceu o Movimento, e ao Pontal do Paranapanema, em São Paulo. Se contasse apenas os acampados nessas duas regiões, chegariam a um número bem maior do que divulgou. A reportagem poderia também ter ido à Bahia, por exemplo, onde há mais de 20 mil famílias acampadas que organizamos. O repórter teve oportunidade de receber esses esclarecimentos e até a lista de acampamentos pelo país. Mas não quis ou não fez questão, porque se negou a mandar as perguntas por e-mail para o nosso setor de comunicação.

Outra forma seria perguntar para o Incra ou pesquisar no cadastro do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária da Universidade Estadual de São Paulo (Unesp). Tampouco isso a IstoÉ fez.
Se foi um erro, além de incompetente, a direção da IstoÉ é irresponsável ao amplificá-lo na capa da revista.
Se não foi um erro, há mais mistérios entre o céu e a Terra do que supõe a nossa vã filosofia, como escreveu William Shakespeare.

O desvio

A IstoÉ se notabilizou nos últimos tempos nos meios jornalísticos como uma revista venal. A revista é do tipo “pagou, levou”. Tanto é que tem o apelido de "QuantoÉ". Governos, empresas, partidos, entidades de classe, igrejas (vejam a capa da semana anterior) compram matérias e capas da revista. E pagam por quilo, pelo “peso” da matéria.

A matéria da IstoÉ não é fruto de um trabalho jornalístico, mas de interesses de setores que são contra os movimentos sociais e a Reforma Agrária. Não é de se impressionar uma vez que a revista abandonou qualquer compromisso com jornalismo sério com credibilidade, virando um “ativo” para especuladores.
Nelson Tanure e Daniel Dantas, do Grupo Opportunity, banqueiro marcado por casos de corrupção, disputaram a compra da revista em 2007. Com o que esses tipos têm compromisso? Com o dinheiro deles.

Reação do latifúndio

A matéria é uma reação à nossa jornada de lutas de agosto. Foram mobilizados mais de 50 mil trabalhadores rurais, em 20 estados. Um acampamento em Brasília, com 4 mil trabalhadores rurais, fez mobilizações durante uma semana e ocupou o Ministério da Fazenda para cobrar medidas para avançar a Reforma Agrária. A jornada foi vitoriosa e demonstrou a representatividade social e a solidez das nossas reivindicações na luta pela Reforma Agrária.

O governo dobrou o orçamento para a desapropriação de terras para assentar 20 mil famílias até o final do ano, liberou o orçamento para cursos para trabalhadores Sem Terra, anunciou a criação de um programa de alfabetização e a criação de um programa de agroindústrias. Interesses foram contrariados e se articularam para atacar o nosso Movimento e a Reforma Agrária. Para isso, usam a imprensa venal para alcançar seus objetivos. Os resultados da jornada e a reação do latifúndio do agronegócio, por meio de uma revista, apenas confirmam que o MST é forte e representa uma resistência à transformação do Brasil numa plataforma transnacional de produção de matéria-prima para exportação e à contaminação das lavouras brasileiras pela utilização excessiva de agrotóxicos.

A luta vai continuar até a realização da Reforma Agrária e a consolidação de um novo modelo agrícola, baseado em pequenas e médias propriedades, no desenvolvimento do meio rural, na produção de alimentos para o povo brasileiro sem agrotóxicos por meio da agroecologia.

Entrevista com Aparecido Felis da Silva (Cidão), Coordenador do Programa Terra Legal em Rondônia

O Coordenador do Programa Terra Legal em Rondônia, Aparecido Felis da Silva, mais conhecido como Cidão do PT, relata o principal objetivo do Programa e informa algumas ações já realizadas pelo Terra Legal no estado.


Incompetência no ministério, nova forma de atrasar a reforma agrária.


A matéria abaixo, de autoria do jornalista Roldão Arruda, foi publicado no O Estado de São Paulo. Por se tratar de um instrumento do PIG talvéz a intenção seja a de desestabilizar o Governo Dilma; entretanto apresenta informações pertinentes. Leia e tire suas próprias conclusões. Afinal, que a reforma agrária está travada, isto está mesmo. E não é culpa do Estadão. 

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''Verde'' em questões agrárias, ministro é escanteado pelo governo em sua área.


A perda de ministros em série e com velocidade inédita não é o único problema da presidente Dilma Rousseff com sua equipe de governo. Entre os que ficam, ela tem convivido com titulares ministeriais que, passados nove meses no cargo, ainda não entendem muito bem dos assuntos de sua pasta.

Um dos casos mais notórios é o de Afonso Florence, do Desenvolvimento Agrário. Citado nas rodas do poder como alguém que "não é do ramo", ele enfrenta tanta dificuldade para saber do que trata sua pasta que vem sendo alijado das decisões na área. Vai se transformando aos poucos em ministro fantasma, espécie de rainha da Inglaterra, coroada, mas sem poder.
Alijado. Afonso Florence não participa de negociações com o MST e ficou de fora do núcleo do programa Brasil Sem Miséria  - Andre Dusek/AE-3/1/2011
Florence não participa de negociações com o MST e ficou de fora do núcleo do programa Brasil Sem Miséria.
O cargo mais importante que Florence ocupou antes de ser ministro foi o de secretário do Desenvolvimento Urbano da Bahia, no primeiro governo de Jacques Wagner (PT). Pode-se dizer que é um caso raro, no processo de urbanização galopante do País, de alguém que migrou da cidade para o campo.


Sinais de desconforto com Florence - que é formado em história - podem ser observados por toda parte. O Movimento dos Sem Terra (MST), cuja bandeira principal, a defesa da reforma agrária, é intimamente atrelada à pasta do ministro, o ignora. Consultados pelo Estado, integrantes da cúpula da organização demonstraram dificuldade para acertar o nome do ministro. Em reuniões políticas da militância, costumam ler, em tom sarcástico, trechos de uma entrevista dele à revista Carta Capital, na qual demonstra falta de conhecimento sobre assuntos que constituem o "feijão com arroz" da pasta, como assentamentos, regularização de terras de quilombolas e financiamento da agricultura familiar.


Segundo plano. Desde a ascensão de Dilma, o interlocutor absoluto do governo com o MST é o titular da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, ministro sem orçamento e sem estrutura operacional, mas influente. Quando o debate desce a detalhes técnicos, chama-se o presidente do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), Celso Lisboa Lacerda, engenheiro agrônomo que fez carreira na instituição e é respeitado por ser do ramo.


Em agosto, durante a onda de protestos que o MST promoveu pelo País, com ocupações de edifícios públicos, foi Carvalho quem tomou as rédeas das negociações. Também coube a ele anunciar publicamente a liberação de mais R$ 400 milhões dos cofres públicos para obtenção de terras para a reforma. A participação de Florence no episódio foi insignificante e quase desastrada. Durante uma reunião de um grupo de ministros, para analisar a questão das dívidas de assentados, foi interrompido por Dilma quando falava sobre o tema. Demonstrando estar melhor preparada para o encontro, a chefe disse ao subordinado que os números citados por ele não batiam com o relatório que ela tinha recebido.

Loteamento político. Último nome a ser anunciado na montagem do ministério de Dilma, em dezembro do ano passado, Florence não foi escolhido pela presidente. Chegou lá em decorrência do loteamento de cargos entre as diferentes tendências políticas do PT.
Desde o primeiro mandato de Lula, o Desenvolvimento Agrário faz parte da cota destinada à tendência Democracia Socialista. Os dois gaúchos que dirigiram a pasta, o cientista social Miguel Rossetto (hoje na presidência da Petrobrás Biocombustível), e o engenheiro civil Guilherme Cassel (atual diretor de crédito do banco gaúcho Banrisul) são militantes da tendência.


O mesmo critério foi imposto a Dilma, acrescido de outra exigência, originária de governadores petistas e da base aliada do Nordeste: o escolhido teria de ser nordestino. A presidente ainda tentou, dentro desses limites, garimpar um nome com perfil técnico, mas, na última hora, engoliu o do urbanista baiano, cacifado por Wagner.


Desde a posse, Florence tem sido tolerado no poder. Uma demonstração disso foi o fato de ter ficado praticamente à parte nos debates que deram origem ao Brasil Sem Miséria, plano do qual o seu ministério é um dos executores. Florence já admitiu que tem estudado muito para superar as dificuldade que enfrenta. Impacientes, seus críticos dizem que os resultados deste esforço ainda não apareceram.


Seu caso não é singular. A petista catarinense Ideli Salvatti também não tinha familiaridade com o mercado de peixes quando foi indicada para a pasta da Pesca. A sorte de Ideli foi que, passados pouco mais de cinco meses, Dilma tratou de socorrê-la, com a transferência para a Secretaria de Relações Institucionais. Encarregada de fazer a ponte política entre a Presidência e o Congresso, ela passou a se sentir em casa.  Florence não teve a mesma oportunidade. Continua como um peixe fora d"água, embora fiel aos seus padrinhos: de acordo com a agenda divulgada no site do ministério, predominam visitas de representantes de governos do Nordeste e viagens a Estados da região.

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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Aprofunda-se a crise para os trabalhadores – Momento de revidar


por Fred Goldstein
A economia capitalista inclinou-se rumo a uma renovação da crise quando o governo dos EUA anunciou que nenhuns novos empregos foram criados no mês de Agosto. Esta notícia desastrosa para os 30 milhões de trabalhadores desempregados e subempregados nos EUA verifica-se contra um pano de fundo de uma ameaçador arrefecimento da economia mundial.

Além do crescimento zero no número de empregos de Agosto, tanto os números de Junho como de Julho da criação de empregos foram revistos para baixo num total de 58 mil. O número de zero empregos [criados] faz parte de uma tendência descendente firme.

Se bem que isto seja má notícia para os desempregados, aqueles que continuam a trabalhar também levaram uma pancada no mês de Agosto. Quanto maior o desemprego, maior a pressão sobre aqueles trabalhadores que ainda têm empregos. Esta pressão verifica-se nas estatísticas mais recentes.

As horas semanais trabalhadas caíram de 34,3 para 34,2, enquanto os salários horários declinaram numa média de 3 centavos. Estes números parecem pequenos mas eles somam-se a um declínio médio em salários semanais de quase 5 por cento numa base anual.

Além disso, houve um aumento de 430 mil trabalhadores em "tempo parcial involuntário" — trabalhadores que necessitam um emprego em tempo integral mas têm de trabalhar em tempo parcial, tanto por terem sido colocados em horários curtos como porque era o que o patronato oferecia nas novas contratações.

O patronato aprecia o desemprego em massa devido à competição que cria entre trabalhadores, tornando mais fácil cortar salários, forçar acelerações, cortar benefícios e portanto arrancar cada vez mais lucros do suor dos trabalhadores. E, muito importante, quanto mais alto o nível de desemprego, maior a ameaça aos sindicatos, pois tanto empresas como governos têm como alvo os contratos colectivos, sabendo que greves são difíceis de efectuar durante períodos de alto desemprego.

Os efeitos racistas do desemprego tornaram-se ainda mais dramáticos em Agosto quando a taxa de desemprego para afro-americanos atingiu oficialmente os 16,7 por cento ao passo que para os latinos foi de 11,3 por cento. Quando se olha para o número de trabalhadores que caíram fora da força de trabalho e não são contados nas estatísticas do desemprego, a percentagens de trabalhadores oprimidos sem trabalho são muito maiores.

Dois anos após a recuperação sem empregos, uma nova crise está em fermentação 

Fazem agora mais de dois anos desde a chamada "recuperação". O sistema de lucro capitalista, o chamado "mercado livre", deixou dezenas de milhões sem emprego a tempo inteiro. A taxa de pobreza está em ascensão; um sexto da população sofre de fome, incluindo um quarto das crianças; milhões estão a enfrentar arrestos [hipotecários] e expulsões das casas.

Agora, a acumular a esta recuperação sem empregos está a ameaça de uma nova onda de despedimentos. O crescimento da economia estado-unidense arrefeceu para 1 por cento no primeiro semestre deste ano. Por todo o mundo o capitalismo está de facto a desacelerar, seja na Europa, incluindo a Alemanha, França e Inglaterra, seja na Ásia, incluindo o Japão, Coreia do Sul, Índia e China, ou na América Latina, incluindo a sua maior economia, o Brasil.

Crescimento económico e trabalhadores sob o capitalismo 

A questão do crescimento económico é crucial para a condição da classe trabalhadora. Sob o capitalismo os trabalhadores têm apenas duas condições em relação a empregos. Um trabalhador ou está a ser explorado por um patrão capitalista ou por alguma instituição do governo e portanto tem um emprego, ou um trabalhador está desempregado. Não há nada de intermediário.

O crescimento da produção capitalista significa que mais trabalhadores são necessários para serem explorados e os serviços precisam expandir-se. Portanto trabalhadores têm empregos, mesmo se cada vez mais destes empregos são de baixo salário, tempo parcial e/ou temporário.

A contradição do crescimento capitalista significa que trabalhadores não necessários para o patronato e são despedidos. As receitas do governo declinam mas os bancos continuam a exigir o seu juro e o principal destes governos e os gastos militares continuam aos milhões de milhões — assim trabalhadores do governo são despedidos.

A mais recente e mais perigosa ameaça para trabalhadores do governo vem do U.S. Postal Service, o qual está a ameaçar despedir 120 mil trabalhadores, encerrar mais de 3000 agência de correio e livrar-se de mais outros 100 mil trabalhadores pelo desgaste.

Superprodução e desemprego 

Por que o crescimento do capitalismo estado-unidense está a desacelerar? O patronato está sentado em cima de US$2 milhões de milhões de cash. Por que não está a contratar e, ao invés disso, está a despedir? Não é por causa d incerteza, como afirmam seus apologistas. Não é por causa de regulamentações do governo, tão pouco.

É por causa da contradição fundamental do próprio capitalismo — a superprodução. A produção capitalista cresce cada vez mais rápido quando os patrões aplicam mais tecnologia, aceleram trabalhadores, terciarizam e deslocalizam produção em busca de lucro. Cada vez mais trabalhadores, não só nos Estados Unidos como no mundo todo, produzem cada vez mais em cada vez menos tempo por salários cada vez mais baixos.

O pagamento que os trabalhadores levam para casa não só não aumenta, ele está a diminuir enquanto a produção de mercadorias que devem ser vendidas com um lucro expande-se a um ritmo galopante. O poder consumidor do povo ou se leva a um ritmo de lesam ou realmente vem abaixo.

Quanto mais tecnologia o patronato utiliza, menos e menos trabalhadores ele precisa. Hoje há 131 milhões de trabalhadores em folha de pagamento, o que é menos do que o número de trabalhadores em folha de pagamento no ano 2000. Hoje a economia dos EUA está no mesmo nível de produção que estava em 2007, antes do estouro da bolha habitacional e da crise económica que atingiu o mundo.

Isso significa que os patrões precisam pelo menos 10 a 11 milhões de trabalhadores hoje do que precisavam há quatro anos atrás. Esta é a razão da eliminação de empregos com a tecnologia capitalista e a globalização do sistema de exploração com baixos salários.

Exigência de um maciço programa do governo para o emprego 

Está previsto que o presidente Obama faça um discurso sobre "empregos" dentro de poucos dias. Este discurso não apresentará um programa que possa inverter o desastre do desemprego no país. O único meio de começar a tratar o desemprego em massa, o qual se tornará pior se houver um novo período de baixa, é lançar um maciço programa de empregos promovido pelo governo.

Tem ser à escala do Works Progress Administration (WPA) durante a Grande Depressão. Sete milhões de trabalhadores receberam empregos e construíram tudo, desde barragens e pontes a parques, escolas e rodovias; eles criaram arte, escreveram peça, plantaram árvores e fizeram trabalho socialmente útil.

Naquela época, tal como hoje, os patrões não contratavam porque numa depressão eles não podiam expandir os seus lucros vendendo o que era produzido. O povo estava sem dinheiro e não podia comprar. Mas, sob a pressão de manifestações em massa de desempregados, greves gerais e tomadas de fábricas, o governo federal foi forçado a tornar-se o empregador principal. Palácios do governo e municipalidades tornaram-se a antecâmara do emprego. Milhões que queriam trabalhar obtiveram trabalho.

Quando uma nova crise ameaça, a única possibilidade de minimizar uma nova onda de despedimentos e reverter o que aconteceu é lançar uma luta maciça por empregos ou rendimento e serviços a todos nível de governo — federal, estadual e local. Os republicanos estão abertamente contra a resolução da crise, enquanto o Partido Democrático também está ligado à Wall Street e nada avançou para o ataque à crise.

Ambos os partidos e governos, a todos os níveis, estão a afirmar que não têm dinheiro. Mas o chamado debate do défice é um debate falso. Trabalhadores, comunidades, juventude e estudantes vêm em primeiro lugar.

O direito dos trabalhadores a um emprego, alimentação, habitação, educação é um direito fundamental, superior aos direitos de milionários e bilionários, superior ao direito de banqueiros viverem à custa de fundos públicos, superior ao direito do complexo militar-industrial ficar rico com lucros de guerra quando expandem guerras de conquista e ocupação.

Uma luta de massa por uma classe trabalhadora mobilizada por toda a parte nas ruas e lugares de trabalho pode começar a sacudir o dinheiro solto nos sacos de dinheiro da classe dominante capitalista. Isto é o único meio de fazer esta crise recuar.

No longo prazo, mesmo um programa governamental de empregos sob o capitalismo pode ser apenas um remendo temporário. O WPA não ultrapassou a depressão; o desemprego em massa prevaleceu até a II Guerra Mundial.

A única solução permanente para a crise de empregos é livrarmo-nos juntos do sistema do lucro e colocar a economia a trabalhar para as necessidades humanas e não para a cobiça humana. A distribuição da riqueza criada pela classe trabalhadora deve ter lugar com base na necessidade social e económica. Isso chama-se socialismo e funciona melhor onde o nível de produtividade é alto — o que é exactamente onde o capitalismo fracassa.
Articles copyright 1995-2011 Workers World. Verbatim copying and distribution of this entire article is permitted in any medium without royalty provided this notice is preserved.

O original encontra-se em http://www.workers.org/2011/us/workers_crisis_0915/ 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Lula: “a crise se enfrenta com consumo e emprego”

“Não é com arrocho”, disse o ex-presidente em Portugal, criticando a especulação dos bancos dos Estados Unidos e da Europa
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na terça-feira (6), em visita a Portugal, que “não é com arrocho [aperto fiscal] que se deve enfrentar a crise”. Ele recordou que, em 2008, quando ainda era presidente, foi à televisão apelar para que os brasileiros consumissem.
Na palestra, destinada a autoridades e empresários, cujo tema foi “Um Mundo em Crise ou um Mundo de Oportunidades”, Lula disse ainda que “aumentar o salário mínimo não produz inflação”. “Esse, aliás, foi um dos tabus econômicos quebrados durante o meu governo”, salientou. O ex-presidente explicou a uma platéia de mais de 300 pessoas que “sem consumo não há emprego, sem emprego não há comércio e sem comércio a economia não cresce”. A palestra foi organizada pela InterCement, empresa pertencente ao grupo Camargo Corrêa, e uma das maiores produtoras de cimento e concreto da América do Sul.
Após a conferência, Lula encontrou-se com o presidente Aníbal Cavaco Silva, em Belém. Na saída do encontro, ele disse aos jornalistas que “a crise não é um momento para fazermos lamentações e sim de colocarmos a cabeça a funcionar, sermos criativos e tentar encontrar uma solução”. O ex-presidente permanece em Portugal até esta sexta-feira.
Lula falou também sobre a crise que atinge a Europa e criticou as pressões contra os países menos desenvolvidos do continente. Sublinhando que a crise “não é de Portugal”, Lula lembrou que a mesma foi causada “sobretudo, a partir dos Estados Unidos” e contaminou a Europa, “porque os bancos europeus também estavam envolvidos na especulação imobiliária”. “Não é justo que Portugal, Grécia e Espanha (e outros países menos desenvolvidos) paguem por uma crise causada pela especulação bancária americana”, acrescentou o ex-presidente, defendendo que “é importante que os ricos do mundo assumam responsabilidades para a recuperação da economia mundial”.
“É preciso que as pessoas compreendam que parte das decisões são políticas e não econômicas”, disse o ex-presidente. “Acho que neste momento a Europa, que tem um estágio de desenvolvimento social muito avançado, pode se recuperar rapidamente”, mas para isso “é preciso que haja disposição política”, declarou.
Esta é a segunda visita de Lula a Portugal desde que passou a faixa presidencial a Dilma Rousseff. No mês de março, o ex-presidente veio a Portugal para receber o título de doutor honoris causa concedido pela Universidade de Coimbra. Após deixar o governo, Lula cumpre uma extensa agenda de viagens nacionais e internacionais. Nos últimos meses falou em vários países, como a Espanha, Inglaterra, México, EUA e Qatar. Entre o final de agosto e início deste mês, esteve em Bogotá, onde participou da abertura do I Fórum Empresarial Brasil-Colômbia.
Em julho, foi ao Chile para participar das comemorações do bicentenário do Congresso Nacional, tendo sido recebido pelo presidente Sebastián Piñera, com direito a fotografia ao lado dos mineiros que sobreviveram ao acidente na mina San José.
Esteve também em Luanda, Angola, onde falou sobre o modelo de desenvolvimento brasileiro e as possibilidades de cooperação entre Brasil e África. Passou pela Guiné Equatorial, onde discursou na 17ª sessão da Assembleia Geral da União Africana, e ainda, pela Guiné-Conacry e Senegal.
Lula disse que discutiu com o presidente da República, Cavaco Silva, e com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, as formas que Portugal pode contribuir para o crescimento da indústria naval brasileira. “Por conta da descoberta de petróleo, vamos ter de construir muitos barcos, navios petroleiros e plataformas e precisamos de contar com a excelência de Portugal”, afirmou Lula, adiantando que conversou com os governantes portugueses sobre os estaleiros de Viana do Castelo.
Lula defendeu ainda um reforço das relações comerciais entre o Brasil e Portugal, sublinhando que a relação entre os dois países não pode ser meramente sentimental. “Brasil e Portugal estiveram durante muitos anos afastados. Em 1500 foi Portugal que descobriu o Brasil, agora é a nossa vez de descobrir Portugal, brincou.

“É muito pouco o fluxo comercial entre o Brasil e Portugal”, frisou Lula. “Penso que nós podemos ter um fluxo comercial infinitamente maior”, acrescentou. Para o ex-presidente, o problema é que, “durante muito tempo, Portugal olhou só para a Europa e o Brasil olhou para o mundo inteiro menos para Portugal”.
fonte: http://www.horadopovo.com.br/


domingo, 11 de setembro de 2011

Militância também é setorial


Por Direção Nacional da AE
Estamos na reta final de mobilização para a OPÇÃO SETORIAL.
A orientação geral é de que todo militante da Articulação de Esquerda faça sua opção setorial.
“Os Encontros Setoriais são abertos à participação de todos(as) os(as) que se filiaram ao PT até o dia 27 de novembro de 2010, que atuem juntoao respectivo setor de atividade partidária e estejam quites com sua contribuição financeira ao Partido.”
Temos no partido tanto setoriais ligados à secretarias específicas como Mulheres,Combate ao Racismo como setoriais ligados à Secretaria Nacional de Movimentos Populares do PT.
Reforçamos à militância da Juventude do PT que também façam sua opção setorial, já que desde 2008 a JPT não é mais setorial.
É fundamental que toda nossa militância participe do debate setorial do partido, participando da coordenação sempre quando possível.
Todo filiado poderá fazer sua opção setorial até o dia 15 de setembro, da seguinte forma:
a) no seu diretório zonal ou municipal, em lista com opção setorial que será fornecida pela SORG Nacional; (em anexo)
b) Por meio da página eletrônica Comunidade PT, no item MEUS DADOS NO PT, onde consta a opção Setorial; http://sisfil.pt.org.br:8080/comunidade/
c) Junto à Secretaria de Organização do Diretório Estadual correspondente;
d) Junto ao setorial estadual de sua militância.
A DNAE acompanhará a mobilização dos estados e sugere que as direções estaduais encaminhem parabrunoelias.jpt@gmail.come / pomar.valter@gmail.com informes e os contatos por setorial em que estaremos participando.
  Formulário opção setorial 2011 (20,9 KiB, 1 hits)