123

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Fritar a Amazônia para salvar Palocci.

por Chico Barreira.
O Governo vai fritar uma boa  parte da Floresta Amazônica para impedir que sua  mola mestra, o ministro chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, seja fritado. O Plano é maquiavélico, mas não é difícil de se entender.

A presidenta Dilma, o Secretário Geral da Presidência, Gilberto Carvalho (que pensa sempre exatamente como pensa o ex-presidente Lula) e o próprio Palocci decidiram  permitir que o explosivo texto do novo Código Floresta seja votado amanhâ (terça, 24) na Câmara.

O novo Códico parido pelo relator, Aldo Rebelo, o deputado trapalhão (PCdo B-SP), é um atentado à inteligência, à higiene mental e a qualquer noção mínima de defesa ambiental.

Sua votação vai ser um escândalo, não só porque expõe o Barsil ao ridículo e à reprovação no exterior, como porque representa dez anos de retrocesso  nas poíticas de preservação ambiental.

Mas, o que o Governo quer é exatamente criar no Congresso (com repercussões na mídia) um grande  escândalo e um tumulto.

 O escândalo servirá para  encobrir,  como nas  camadas de um bolo de aniversário, o  Affaire  Palocci.  Assim, o chefe da Casa Civil , que vive como um acossado há dez dias, poderia respirar  um pouco.

Já o tumulto  visa protegê-lo contra a possibilidade de aprovação do requerimento da Oposição paa a criação de uma CPI mista (Câmara e Senado) que investigaria as atividades lobistas do superministro.

 É claro que exite  o risco de que seja aprovado o relatório orignal de  Rebelo, sem as alterações impostas pelo Governo que amenizam, parcialmente, as ropostas do relator francamente favoráveis aos desmatadores. Neste caso, as coisas seriam consertadas no Senado. E, em último caso, há a solução drástica do veto presidencial.

 Até a semana passada o Planalto pretendia adiar a votação da matéria até ter certeza de que não seria surpeendido. Entretanto, mudou de rumo para poder blindar Palocci.

 A derrota do governo não é improvável, porque o PSDB e o DEM, por rancor ou por automatismo  oposicionista, decidiram  aprovar o relatório orignal de Rebelo que oficializa  o crime ecológico e anistia  os desmatadores.

Calcula-se que se forem somados os votos  do DEM, do  PSDB e da Bancada Ruralista, pode-se construir uma   maioria eventual no Congresso.  Isto porque, os ruralistas espraiam-se por todos os partidos,  inclusive os da base governista, reunindo cerca de 200 parlamentares.

Estes deputados e senadores, embora se digam defensores do genérico Agronegócio e dos  pequenos produtores, na verdade  estão a serviço dos grandes proprietários, o famoso latifúndio,  com suas  históricas e conhecidas mazelas: grilagem, monocultura, destuição ecológica, trabalho escravo e pistolagem institucionalizada.

É de  se ver, aliás, que esta é a maior distorção das instituições brasileiras: na prática os grandes proprietários (menos que cinco por cento da população) são mais bem representados no Congresso do que todos os trabalhadores e pequenos proprietário juntos, sem falar nos Sem Terra.

O Mercado quer poupar Palocci

E surge aqui o grande dilema da  mídia brasileira. Os  jornalões picaretosos que comem na mão do Capital Financero (leia-se Núcleo Duro do Mercado) levantaram esta questão do enriquecimento prodigioso do Palocci. Só que chefe da  Casa Civil é fiador informal da política econômica do Governo. E os financistas temem que , sem ele, a presidenta  Dilma adote medidas macroeconômicas menos ortodoxas.

Vejam, a propósito,  estrevista concedida ao Globo,  neste domingo, por Luiz Carlos Mendonça de Barros, lugar-tennte de FHC na campanha das privatizações: ”A economia de Lula era continuidade da de FHC. Quando a inflação ameaçava subir, o BC aumentava juros. Está claro que Dilma já mexeu nessa lógica”. E garantiu que “se Palocci cair, o Mercado Financeiro vai ficar menos confiante”.

fonte: http://fatosnovosnovasideias.wordpress.com/perolasepilulas/

Nenhum comentário:

Postar um comentário