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sexta-feira, 13 de maio de 2011

Discussão do Código Florestal expõe a nova e estranha posicão do PCdoB sobre a questão agrária.

por Pedro Pomar e Rodrigo César


O PCdoB emitiu nota oficial sobre o novo Código Florestal e a atuação do deputado federal Aldo Rebelo. A chave do discurso do PCdoB para justificar o indefensável encontra-se no título da nota, que afirma que o relatório de Rebelo é a “base para o consenso entre produção e preservação ambiental”. Expressões como capital, latifundiários, agronegócio, reforma agrária, grilagem, indispensáveis à abordagem crítica das questões relacionadas à agricultura e à preservação dos biomas naturais em nosso país, estão ausentes desse estranho texto, que parece selar a extravagante aliança entre os comunistas do PCdoB e a bancada ruralistas.

Mais adiante, o PCdoB garante que o relatório de Rebelo “situa devidamente a dimensão da produção agropecuária no projeto nacional, levando em conta a situação de milhões de agricultores já estabelecidos de fato”, tudo isso com a finalidade de “harmonizar a produção agropecuária com a preservação ambiental, não em cenário abstrato, mas segundo o que é real e concreto no território brasileiro” (destaques nossos). Mais ainda: o relatório “cria condições para um consenso nacional – o máximo possível”. Assim, o partido finge ignorar as duras críticas de movimentos sociais, ambientalistas e até grupos de cientistas às enormes concessões feitas por Rebelo ao capital agrário (anistia, redução da cota de preservação da cobertura vegetal).

Em resumo: segundo esta visão, o novo Código Florestal, para garantir o dito “consenso nacional”, precisa legitimar a ocupação ilegal e predatória, que é o cenário concreto e real, fato dado. Mas que ocupação é esta? A que decorre das ações dos trabalhadores rurais sem terra? Não. O texto refere-se a “agricultores”, expressão genérica, mas normalmente utilizada para designar fazendeiros ou empresários rurais. Capitalistas agrários e grileiros, em sua imensa maioria sem qualquer compromisso com a preservação ambiental.

A cereja do bolo: o novo Código Florestal, segundo o relatório de Aldo Rebelo, irá “contribuir para combater a fome no mundo”. Como se isso fosse um problema de produção! Desse modo, o PCdoB, por intermédio do deputado, consolida sua aliança com setores de extrema-direita (ruralistas e militares de alta patente), já delineada por ocasião dos conflitos de Raposa-Serra do Sol, quando Rebelo, irmanado com os arrozeiros que ocupavam a área, se pronunciou contra a demarcação da reserva indígena, fazendo coro com outra figura de comportamento execrável: o senador petista Augusto Botelho, de Roraima. No obscuro nacionalismo de direita ora esposado pelo PCdoB não há lugar para os povos originários.

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