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terça-feira, 12 de abril de 2011

Romper com a domação e o amansamento do PT.

Em meio a tanta corrupção, o povo parece estar desacreditado de que uma mudança positiva possa vir desse sistema em decadência. Esta realidade é frequentemente considerada como um dos grandes motivos do afastamento do jovem das causas políticas. Isso explica a apatia face a atividade política institucional monopolizada pelos partidos políticos e protagonizada nos parlamentos.

Entretanto, não podemos deixar de perceber que muitos jovens estão afastados somente da política, e não necessariamente das causas sociais, reforçando a idéia de que o problema está no sistema e não exatamente no jovem. E não poderia ser diferente diante do noticiário televisivo que leva aos jovens a impressão de que o parlamento não é lugar de gente decente e que ali só tem bandido. A mídia burguesa é desmobilizadora e preservadora de preconceitos.

Existe também um grande contingente de jovens que não participa nem da política instituicional e nem dos movimentos sociais. Estes não encontram parceiros no mundo e sim rivais. Esses lutadores isolados tem medo de não ter como se sustentar, de não ter emprego, de que seus estudos não sejam o suficiente para lhe garantir uma vida tranqüila e independente de seus pais. Esse medo inibe estes jovens de pensar em causas alheias, porque seu tempo e esforço têm de ser dedicado a si mesmo, seu futuro está em constante perigo de ser um fracasso. O mundo é um ambiente onde apenas os mais aptos sobrevivem, então vale tudo. Que almas brutalizadas pelo capitalismo têm, coitados.

Por outro lado, o esvaziamento da juventude nas hostes petistas se deve a que o PT tem a cada dia se restringido aos parlamentos e palácios. O PT realiza apenas aquela política profissional regulada pelo TSE. Exatamente a parte da política que a mídia se esforça por denegrir. Exatamente aquela política que tem regras tão cristalizadas, como o mensalão e o financiamento espúrio das campanhas, que dá mais nojo do que apetite, do que paixão.

A democracia burguesa amansada no parlamento não tem apelo aos anseios de transformação que move a juventude. O PT dos palácios executivos tem feito mais do mesmo. A regra do jogo, chamado de direito administrativo, não permite inovações. Ou seja fazem exatamente aquilo que os outros fizeram, somente que agora usam  um blazer, um taleur, ou apenas um broche vermelho na lapela, que o diga Tony Palocci, o tucano travestido.

Sem demora, o PT precisa romper com essa domação, com esse adestramento, e voltar para a política dos movimentos sociais, das causas "perdidas" e da utopia. O PT precisa ser maior que o governo. Esse é apenas uma parte, importante, da luta; mas não é tudo. Apesar de que, nas ruas, as lutas não pagam diárias e nem tem holerite, tampouco camioneta com ar refrigerado à disposição.

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