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segunda-feira, 4 de abril de 2011

As contradições de um partido de classe.

Qual o caminho a seguir ?
 Ao contrário das previsões de Marx a classe operária não se tornou a maioria na sociedade industrial. Tanto é assim que Lenin vem propor uma aliança de classe com os camponeses. Mesmos assim, ainda que somados, estes estratos sociais não tem identidade ideológicas enquanto igualmente explorados pelas classes dominantes, a burguesia.

Se não tem maioria, como os partidos que se dizem socialistas podem chegar ao poder pela via eleitoral?

Segundo Adam Przeworski, por se apresentarem como representantes da classe operária  os partidos socialistas estariam sempre condenados à derrota eleitoral para cargos do poder executivo.

Como o principal objetivo de qualquer partido é obter o poder, os partidos socialistas necessariamente teriam que incluir nos seu discurso os interesses de classes mais abastardas, mais propensas a identificação com os interesses burqueses. Assim tem que  optar por estratégias mais condizentes com seu objetivo e ser mais pragmática, ou seja, teriam que abrir seu discurso para outras classes.

Assim fazendo, ainda segundo Przeworski, nasceria o dilema. Os partidos socialistas teriam que escolher entre: a) tornarem-se partidos homogêneos, voltados somente para os interesses do operariado, porém condenado à derrota eleitoral,ou  b) voltarem-se para outras classes, porém correndo o risco de se afastar dos interesses e o apoio do operariado. (PRZEWORSKI, Capitalismo e Social Democracia).

Se o PT não tivesse aberto seu discurso para incluir outras pautas de reinvidicações, não necessariamente dos trabalhadores, teria chegado ao poder executivo? Chegou, e agora? Como viabilizar as transformações propostas aos trabalhadores quando o partido nasceu?

Criticar a trajetória do PT, sair e fundar outro partido, sem reconhecer o dilema de Przworski, e depois fazer o mesmo: é burrice, hipocrisia, ou oportunismo porque ficamos de fora dos cargos?

Ficar de fora da disputa eleitoral, denunciando seu limite enquanto luta pela instauração do socialismo, isolado do entendimento do povo; é ser radial ou porra-louca??

Ficar dentro do PT e resistir ao amansamento pelos oportunistas, sendo escanteado pela máquina dirigente, corneado pelos companheiros, não e fácil. Tem hora que dá vontade de vomitar e chutar tudo.

Revendo as lições da revolução pacífica do Chile, de Allende, compreendemos que a via pacífica chega numa hora que terá que endurecer. No momento em que o povo organizado estiver junto, então teremos de dar um salto dialético. Numa linguagem cristã, significa que até chegar a hora da colheita teremos que conviver, joio e trigo lado a lado.

Juntas, as correntes de esquerda do PT somam apenas 10%, os sociais-democratas reformistas, 80%; os oportunistas ocupam os demais 10%. É uma luta desigual e será sempre assim se os reformistas estiverem certos. Não cremos que o capitalismo seja reformável e humanizável ad infinito. A contradição cresce a cada dia. O modelo, qualquer que seja, tem seu limite de crescimento. Só o socialismo pode resolver as contradições inerentes ao modelo. Aí teremos de assumir as rédeas. A revolução é obra de milhões de pessoas e não ocorrerá nos blogs e sim nas ruas onde o povo real está. A cada dia damos passos nesta direção. A terra se move, apesar de não sentirmos.

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