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quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

O vai e vem do PT.

Uma frase lapidar atribuída a Sêneca diz que: "nenhum vento é favorável àquele navegador que não sabe para aonde quer ir".  Consequentemente, poderiamos concluir que para aquele velejador experiente que sabe aonde quer chegar muitos ventos podem ajudar outros não. Há ventos de popa e esses são os melhores pois dão velocidade. Daí a expressão "de vento em popa". Em compensação, há ventos de proa que, se não conseguem parar o movimento, certamente o atrasam. Já os ventos de bombordo (que sopram da esqueda) e os de estibordo (que vem da direita), forçam o navegador a andar em zigue-zague, progredindo na diagonal rumo ao porto de destino. A viagem demora mais, contudo se chega lá.

Na política, perceber estes ventos e saber posicionar o barco da história é essencial. Exercer a atividade política conscientemente no rumo da construção dàquela situação social que se quer já é um bom começo; porém não é tudo. Claro que tem muita gente que se perde na caminhada por miopia política ou porque nunca teve na verdade uma visão correta daonde queria ir. Outros tem boa visão do futuro, sabem que o porto da utopia não é perto e que a jornada será longa; entretanto acreditam que só se pode navegar nos ventos de popa. Na ausência deste ventos, preferem jogar âncoras e não sair do lugar por medo de se perderem. Seus referenciais de direção são muito fracos.

A história da humanidade não é linear. O processo civilizatório, das cavernas até a sociedade capitalista de hoje, teve muitos vais-e-vens, muito andar sinuoso. Não será diferente daqui até a sociedade sem classes, sem exploradores e explorados. Quando o vento não nos for totalmente favorável teremos de andar na diagonal, de um lado para o outro, aproveitando os ventos do momento, dialeticamente.

Nesta metáfora histórica a classe trabalhadora que almeja o socialismo, tendo isso firmemente posto a sua frente, terá por vezes de se ajustar  em movimentos laterais firmando alianças táticas com forças que tem outros interesses mais imediatos. Alianças táticas não são para sempre, são de curto prazo, são amigos de momento. 

Enquanto não estudarmos e compreendermos o momento histórico ficaremos sempre perplexos com a lógica da política, a qual difere em muito da teologia. O conceito de bem e de mal na teologia é absoluto pois parte revelação da  vontade divina que é perfeita por definição. A política é uma construção a partir de conceitos humanos percebidos ao longo da história e está sempre se reformando, por vezes contraditoriamente. Para não perdermos o fio da meada e nem o rumo, é preciso a gente saber sempre aonde queremos chegar. 

Se o Partido dos Trabalhadores tiver o socialismo como objetivo claro, seus militantes sempre entenderão as alianças táticas que tiver que firmar.

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