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segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Socialistas, Sociais-Democratas e Liberais-Sociais.

Nos anos 80, o PT afirmava o caráter plenamente capitalista da sociedade brasileira; afirmava o caráter dependente, monopolista e antidemocrático deste capitalismo; afirmava o alto nível de integração entre o latifúndio, o imperialismo e o desenvolvimento capitalista nacional; afirmava o caráter central das contradições entre o Capital e o Trabalho; e afirmava até a atualidade do socialismo.

Ao longo dos anos 90, muitos petistas mudaram de opinião acerca do socialismo, distanciando-se do “socialismo democrático” e aproximando-se da “social-democracia”.

Para os petistas social-democratas, o “socialismo” deixava de ser uma organização social distinta do capitalismo e passava a ser um conjunto de “valores” que supostamente iluminariam a ação da esquerda, a quem caberia disciplinar o capitalismo, onde uma “economia de mercado” conviveria com um “Estado democrático”, a quem caberia garantir o bem-estar da maioria da população. Parte importante destes petistas, principalmente com o advento do primeiro mandato de Lula, flertariam abertamente com teses liberais, defendendo as “virtudes” de uma linha de continuidade com aspectos essenciais da política econômica do tucanato. 

No PT de hoje, mais à direita ainda dos sociais-democratas, podemos dizer que se constituiu, inclusive, uma corrente social-liberal, que disputa com os social-democratas e com os socialistas.

Para os petistas socialistas, o socialismo continua a ser uma forma distinta de organizar a produção, a distribuição, a circulação das riquezas e as relações de poder na sociedade. Para os petistas socialistas, o mundo e o Brasil precisam de um forte movimento socialista, assumidamente anticapitalista, que defenda a propriedade pública dos grandes meios de produção, o planejamento democrático e ambientalmente orientado, a mais profunda democratização política e a cooperação internacional para enfrentar os grandes problemas mundiais, a começar pela desigualdade.

As diferenças entre petistas socialistas e petistas social-democratas repousam, em parte, nas diferentes análises que cada setor faz das tradições da esquerda mundial e brasileira, especialmente das experiências social-democratas e das tentativas de construir o socialismo ao longo do século XX; e das diferentes visões sobre o que se passou no mundo, e no Brasil, a partir dos anos 1990.

A social-democracia surgiu no último quartel do século XIX, como corrente socialista & revolucionária. Na Primeira Guerra Mundial, a social-democracia deixou de ser revolucionária. Após a Segunda Guerra Mundial, deixou de ser anticapitalista. E, e no final do século XX, amplos setores da social-democracia abandonaram até mesmo o propósito de reformar o capitalismo.

O grande problema, mesmo para esta variante light da social-democracia, é que ela depende, em última análise, do “bom funcionamento” do sistema capitalista. Entretanto, o capitalismo não suporta uma ampliação permanente e ininterrupta da qualidade de vida para todos. A reação do capitalismo, frente à ampliação do bem-estar social e da democratização, é a redução do investimento e a financeirização da economia. Essa reação gera desemprego numa ponta e crise fiscal na outra, criando um ambiente político favorável para que a direita chegue ao governo e desmonte o “Estado de bem-estar social”.

fonte: Resoluções da X Conferência Nacional da AE.

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