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sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O dogma da liberdade de imprensa.

Episódio 1 - O Bolinhagate.
Durante a campanha eleitoral a Rede Globo mostrou no Jornal Nacional uma montagem distorcendo fatos e vendendo como verdade uma mentira. Estamos falando do episódio da bolinha de papel que virou na versão do PIG um "artefato" pesado que quase causou traumatismo craniano no fingido candidato. De tão absurda, a farsa não interferiu na eleição de Dilma. Entretanto, aquela não inocente montagem está capitulada como crime eleitoral na legislação brasileira. O blogueiro Marcelo Zelic lembra, em seu site, que a apuração do bolinhagate "É fundamental para que nas próximas eleições práticas subterrâneas como as que vivemos nas eleições 2010 sejam coibidas e o povo brasileiro possa escolher seus representantes sem a manipulação reincidente de uma emissora de tv e falsos debates em cima de fatos criados para atingir os adversários, distantes dos temas relevantes para uma boa decisão.

Para Zelic, se o Procurador Geral da República Sr. Roberto Gurgel decidir por se omitir e arquivar a apuração da farsa do bolinhagate; o estímulo à calúnia, à mentira visando ganho eleitoral e político, o jogo rasteiro do vale-tudo e a manipulãção estarão contemplados e liberados para a eleição de 2012. Caso o Procurador decida levar adiante a apuração de responsabilidade, é provável que a Rede Globo venha a público denunciar em editorial, perseguição, censura e quebra da liberdade de imprensa.

Episodio 2 - Lula e o WIKILEAKS.

Noutro episódio recente o Presidente Lula veio a público defender liberdade de imprensa ao site Wikileaks que divulgou material secreto relativo a comunicação das embaixadas dos Estados Unidos em diversos países do mundo, mostrando o clima conspirativo da diplomacia imperialista americana. De uma hora para outra começaram a pipocar denuncias contra o criador do Wikileaks, Julian Assange, que resultaram em sua prisão na Inglaterra.

Em contra ponto, no seu twitter, o senador tucano Eduardo Azeredo, aquele do mensalão mineiro, esquece das importantes informações divulgadas por Assange e o qualifica de hacker e acha um absurdo o Presidente Lula vir em sua defesa. Às favas com essa tal liberdade de imprensa quando ela incomoda a nós. É boa quando incomoda os adversários.

Episódio 3 - O blog do governador Confúcio.

Na data de hoje (10/12/2010) o governador eleito em Rondônia, Confúcio Moura, divulgou parte do seu secretariado. A novidade é que fez isso não em uma coletiva de imprensa, num hotel cinco estrelas, com boca livre para jornalista, senão diretamente no seu blog. Desde a sua campanha eleitoral, quando a imprensa só abria espaço positivo para o candidato governista agora derrotado, o doutor Confúcio, rompeu o monopólio e a filtragem da notícia se comunicando diretamente com seus eleitores mediante seu blog.
Li nos sites noticiosos, "jornalista" indignados com essa forma de divulgação direta e sem intermediários do governador eleito. Teve alguns que chegaram a chamar esta atitude do eleito de falta de coragem de encarar frente a frente, chamando o governador de covarde. Pelo contrário, sua excelência (quase) não vai precisar de menino de recados, ele mesmo dirá a todos.

Episódio 4 - É com você.

Pense um pouco e responda para sí mesmo. Liberdade de imprensa é um dogma indiscutível, ou há que impor os limites da ética e da verdade? A imprensa pode gozar de tão ampla liberdade que possa até publicar mentiras como fato verdadeiro?
Numa democracia ninguém está acima da lei, nem o Presidente, nem o congressista, nem os juízes dos tribunais, e nem tampouco os jornalistas e a imprensa.

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