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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O agricultor Anselmo de Jesus será o Secretário de Agricultura.

O anúncio da indicação do deputado federal Anselmo de Jesus (PT) para a Secretária de Estado da Agricultura e Regularização Fundiária vem mostrar o tom que o governador eleito, Dr. Confúcio Moura (PMDB), quer dár ao seu mandato. Da mesma forma que na sua gestão a frente da Prefeitura de Ariquemes, a Agricultura Familiar é percebida como um importante setor a ser apoiado com medidas que vão além do mero discurso.

Neste contexto é muito apropriado a indicação de Anselmo de Jesus (foto) por este ter toda sua vida dedicada à luta em defesa da agricultura familiar. Na Câmara Federal foi defensor constante desse segmento. Como dirigente sindical e presidente da Fetagro sempre esteve à frente da organização dos trabalhadores rurais.

Há quem tenha opinião de que o deputado Anselmo não defende o setor produtivo e sim os trabalhadores. Tanto, que o tambem deputado federal e fazendeiro Rubens Moreira Mendes (PPS), se arvorando a falar em nome do “setor agropecuário” chegou a dar conselho ao governador eleito para que reveja sua intenção. Em nota o PT classificou a manifestação de Moreira Mendes como preconceituosa e inoportuna. Inoportuna porque, como o seu apoiado no segundo turno perdeu a eleição, não lhe compete dar palpite ao vencedor.

O preconceito a qua se refere a nota do PT vem na verdade de um conceito de classe do deputado fazendeiro. Para ele o “setor agropecuário” é dividido entre pequenos produtores e grandes produtores. Entretanto, essa é uma divisão falsa e que esconde uma realidade mais dura. Na verdade a agropecuária compreendida dentro do modo de produção capitalista é dividida entre agricultores familiares e agricultores patronais. Os primeiros exploram suas propriedades utilizando preponderantemente a sua mão de obra e a de sua familia, enquanto os segundos, os fazendeiros, utilizam mão de obra assalariada. Enquanto os primeiros gastam sua renda no mesmo município em que a ganham, os segundos podem até nem morar no Estado. O efeito multiplicador na economia local da renda do primeiro grupo é conseguido de forma muito mais imediato, gerando desenvolvimento disperso por toda extensão geográfica do Estado.

Indo além do enfoque economicista, a agricultura não pode ser vista apenas como a aplicação de um conjunto de técnicas, mas como uma atividade humana e, portanto, devendo ser entendida com uma construção social que, além de ser ambientalmente determinada, também está subordinada a condicionantes socioculturais, caracterizan-do-se por ser um processo multilinear. Em todas as atividades agropecuárias altamente intensivas de aplicação de trabalho a agricultura familiar leva vantagem. Por outro lado em todas as atividades em que é possível a aplicação intensiva de capital, o agronegócio empresarial leva vantagem. Por isso no Brasil temos o Ministério da Agricultura e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. O primeiro focado na questão produtiva de commodities para exportação e o segundo na produção de alimentos para a messa dos brasileiros. No momento histórico que vivemos há espaço para os dois modelos. Com isso reconhecemos que os grandes fazendeiros tem também alguma importância.

Em Rondônia a nossa Secretaria de Estado da Agricultura e a Emater tem muito mais parcerias e convênios com o MDA do que com o MAPA. Daí que é mais oportuno e produtivo a indicação de alguém vinculado com a Agricultura Familiar. Conseguentemente o governador ao indicar o deputado Anselmo de Jesus acertou em cheio, mostrando com sua inteligência porque ele venceu a turma do fazendeiro Moreira Mendes na eleição.

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