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sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

É a dívida, estúpido!

Nesse período de natal, ano novo, férias e shoping Center lotados, muita gente abusa do cartão de crédito ou dos carnêzinhos das lojas. A grande massa de assalariados realiza gastos no presente utilizando rendimentos futuros mediante operações de crédito.

O problema é quando o futuro chega e as pessoas estarão endividadas. Consequentemente o nível agregado do consumo também cai. Sem consumo a produção despenca, cresce os estoques e o nível de emprego baixa.

Todo ano é assim: passamos o primeiro quadrimeste do ano pagando dívidas. Se entrarmos numa situação de endividamento tal que não possasmos nos recuperar até a chegada do próximo fim de ano, e nesse turbilhão estiverem muitos outros cidadãos, o país entra em estagnação.

Essa é uma explicação simplória para ilustrar a função do crédito, palavra sinônima de dívida.

Sobre Dívida, Jorge Nascimento Rodrigues escreve um texto muito didático, do qual transcrevemos abaixo seuo trecho mais assustador:

"Para o leitor poder ficar com uma radiografia rápida, é possível fazer um resumo dos principais – e chocantes – indicadores:

- A dívida externa total no mundo é já de 98% do PIB mundial; em 31 de Dezembro de 2009 somava 56,9 biliões de dólares (triliões, na designação anglo-saxónica) face a um PIB mundial em 2009 de 58,07 biliões;

- A dívida externa dos 30 países ricos do grupo OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico) é 79% da dívida externa mundial;

- Os quatro BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) emergentes representam apenas 2,1% da dívida externa mundial; os quatro “cavaleiros” da dívida do Terceiro Mundo nos anos 1980 (Argentina, Brasil, México e Venezuela) detém, hoje, apenas 0,95% da dívida externa mundial;

- A dívida externa da União Europeia representa 61,5% da dívida externa mundial e a Zona Euro detém 44%;

- Os Estados Unidos têm uma dívida externa que é 23,6% da dívida externa mundial;

- Os seis países com o maior endividamento em relação ao PIB são: Irlanda (1005%); Holanda (470%); Reino Unido (416%), Suíça (269%), Bélgica (266%); Portugal (225%). A média da União Europeia é de 216% e os EUA têm um rácio de 93%;

- A situação dos cinco PIIGS (designação humorística pejorativa para o grupo mais frágil da zona euro) que têm estado em foco na recente crise de risco de default é a seguinte: Portugal com uma dívida externa total de 231% do PIB; Irlanda com 1009%; Grécia com 164%; Espanha com 160%; e Itália com 115%;

- O mundo desenvolvido sofre de uma “maldição da dívida” que se vai estender por décadas: 15 países ricos vão levar mais de dez anos a conseguir fazer regressar o seu nível de dívida pública a 60% do PIB, segundo o indicador de “stresse da dívida” criado pela escola de negócios suíça IMD; para 2010, a estimativa de demora na resolução era de 74 anos para o Japão, 50 anos para Itália, 27 para Portugal, 25 para a Bélgica, 23 para os Estados Unidos, 21 para a Islândia, 20 para a Grécia, 19 para a França e 18 para a Alemanha e Reino Unido; no grupo de 17 países considerados pelo indicador 10 pertencem à zona euro e 12 à União Europeia."

para ler na íntegra o texto de Jorge Rodrigues, visite:

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