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terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Cuba: Reforma ou Liquidação?

No último domingo o presidente cubano Raul Castro anunciou no parlamento algumas reformas político-administrativas para modernizar e dinamizar a economia da ilha. Para a grande imprensa empresarial brasileira, lembrando o feito de Gorbachov, reformar é o mesmo que liquidar. Contaminados por essa apologia, até mesmo nós militantes de esquerda ficamos apreensivos. Contudo nada pode conter o movimento dialético da história.

Cuba na década de 60 do século passado se encontrava em uma encruzilhada: apostar na sua industrialização, caminho mais longo e com maiores custos sociais, ou enveredar pela produção massiça de açucar, cuja produção já dominava, exportando para a URSS. A primeira opção parecia ser a ideal mais os fatos concretos impeliram para a escolha da segunda. Não foi o idealismo e sim o materialismo histórico que pautou a escolha.

Com o desmoronamento do estado burocrático soviético e com o embargo comercial imposto pelo império americano, Cuba teve comprometido a captação de poupança necessária para os investimentos que fariam o seu PIB continuar crescendo. Veio a estagnação. Reformar e modernizar já não é uma questão de opção e sim de necessidade. Entre as tantas reformas anunciadas por Raul Castro, uma é anunciada com a semente do renascimento capitalista em Cuba: maior liberação e apoio a criação de pequenos negócios familiares e empresas individuais. Sobre esse assunto transcrevemos abaixo parte do artigos do historiador Alex Lombello Amaral, membro do PCB:

"Sobre os pequenos negócios, devemos nos perguntar - eles são acaso perigosos para qualquer regime que seja? Então o perigo para o socialismo cubano virá dos donos de botequins, das cabeleireiras e das vendedoras de roupas? E eu que na minha inocência pensava que o socialismo só poderia ser derrotado pelos corruptos de dentro da máquina do Estado? Ora, que disparate! Acreditar que o socialismo está acabando porque as pessoas podem ter seus pequenos negócios, que é o mesmo que acreditar que para construir no Brasil uma sociedade melhor temos que fechar os pequenos negócios!!?? Só se for para preservar a saúde dos donos desses negócios, que são obviamente masoquistas. Não existe outro motivo plausível.

São na verdade trabalhadores sofridos, que normalmente trabalham muito mais horas que a massa dos empregados. Em suas horas de descanso, estão preocupados sempre, pois pequenos negócios são sempre inseguros. Eles colocam suas economias na pequena prisão que constroem para si mesmos e 80% acabam falindo. Devem ser reprimidos mais do que se reprimem sozinhos? Então um cubano tem um sonho de ter um bar. Minha vontade é dizer que sonha com isso porque é um "idiota", mas vou dizer que é porque assistiu na TV. Deve ser impedido? Para que? Deve ser jogado no colo do inimigo estrangeiro porque tem o sonho inocente de abrir uma birosca qualquer?

E no Brasil? Devemos deixar que os pequenos comerciantes, prestadores de serviço etc. continuem grudados aos seus carrascos capitalistas com medo de nós? Os capitalistas espalham aos quatro ventos que somos inimigos desses "coitados", enquanto Marx nos ensinou a ter dó deles. Os capitalistas espalham tanto essa mentira que convencem até mesmo pretensos comunistas carentes de estudos. Só um completo "asno" pode acreditar que essa massa de arraias miúdas desunidas até a extinção deve ser tratada como inimiga. Eles são o que são, e devem ser tratados como todos que não são o núcleo capitalista, como alvos de nossa política de aliança e neutralização. A história do PCB mostra, diga-se para encerrar, que dentre eles surgem bons comunistas, alguns dos quais deram suas vidas na luta pela liberdade e a democracia, e pela preservação do Partido."

para ler o artigo completo vá para:
http://www.diarioliberdade.org/index.php?option=com_content&view=article&id=5409:sobre-as-reformas-economicas-anunciadas-em-cuba&catid=69:batalha-de-ideias&Itemid=83

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