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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

O Imperialismo e o MPA - Movimento dos Pequenos Agricultores.

Se o território for pensado para ser ocupado pelas comunidades camponesas, fica difícil que o campo fique à disposição dos grandes interesses corporativistas, dos grandes interesses econômicos, dos grandes interesses do império, como agora. Será necessário, então, não deixar que os camponeses tomem conta.

Na década de 90, o grande capital pensou no que fazer com o Brasil. Uma das coisas colocadas foi acabar com o campesinato. Este país deveria ser o campo para o agronegócio e não para as comunidades camponesas. No Brasil há uma grande crise, há pelo menos uma década, enfrentada pelo campo, de expulsão de comunidades camponesas de suas terras, falta de políticas de crédito voltadas para a realidade dessas comunidades. É nesta hora de crise que nasce o Movimento dos Pequenos Agricultores.

Este movimento surge diante do avanço das políticas voltadas para o agronegócio, diante da situação do campesinato brasileiro, do qual até então não se tinha clareza. A universidade brasileira, a academia brasileira, nunca buscou entender com profundidade quem é o campesinato, os diferentes modos de vida que formam o campesinato brasileiro. Nunca buscou entender porque também não houve interesse, porque o grande capital pensou o campo a partir de outra lógica, portanto, não havia interesse por tal conhecimento.

Nós, enquanto movimento, entendíamos, naquele momento, que era importante ter uma clareza maior sobre o campesinato brasileiro, quem ele realmente é, como se apresenta a este país. As teorias colocadas pelos estudiosos diziam: “está acabando, não tem futuro, o que interessa é trabalhar com as famílias que buscam responder à lógica do agronegócio, não adianta trabalhar com os ribeirinhos, com os quilombolas, com os camponeses de fundo de pasto, com os extrativistas, não adianta trabalhar com aqueles que não estão dentro da lógica do capital”.

No Brasil, a grande maioria do campesinato não tem documentação de posse da terra, a grande maioria do campesinato brasileiro está vivendo da terra e não tem a terra como propriedade, mas como meio para produzir comida, um meio para produzir seu alimento. Quando pensamos nos pomeranos no estado do Espírito Santo, alguns têm documento de terra, a grande maioria não tem e não quer ter a documentação da terra, porque quer a terra como espaço para produzir comida, a terra como espaço para garantir-lhes as suas vidas.

Nós procuramos estudar a sociedade e traduzir essa situação no chamado plano camponês. E o que é o plano camponês para nós? Este plano camponês se traduz, se afirma dentro do território brasileiro, como a nossa estratégia. Aonde nós queremos chegar com isso? Que táticas nós vamos articular para fazer que o plano camponês se efetive como uma ferramenta na construção do socialismo que nós queremos? A partir daí, estabelecer ações bem concretas, ações que viabilizem a construção do socialismo que nós temos como meta.

extraído de:
http://www.sedes.org.br/centros/cepis/O%20Imperialismo%20e%20o%20MPA%20-%20Movimento%20dos%20Pequenos%20Agricultores.html

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