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segunda-feira, 1 de março de 2010

O insustentável consumo norte-americano

por Ronaldo Gusmão

Ao reduzirem temporariamente o consumo, os Estados Unidos imprimiram em todo o mundo uma instabilidade econômica generalizada. Mais do que nunca, norte-americanos são levados a consumir mais energia, água, alimentos, a fim de "salvar o mundo" da recessão econômica.

Medidas como acréscimos na devolução do imposto de renda, redução da taxa de juros, alívio no financiamento das dívidas com os cartões de créditos e hipotecas para que o cidadão possa consumir mais. Os Estados Unidos são mesmo um país consumista. Chegaram ao ponto de terem um índice nacional de intenção de compras. Tantos estímulos ao consumo são apontados como remédios para a enferma economia norte-americana.

O que se conclui disto tudo?

Se a estabilidade econômica mundial depender da manutenção insustentável do consumo norte-americano, então estamos "perdidos". Isso porque a lógica do crescimento econômico infinito não existe pois a economia real é baseada em recursos naturais finitos.

Este é o padrão de desenvolvimento que os Estados Unidos apresenta ao planeta. Seu estilo perdulário e consumista é exportado para todo o mundo através da sua eficiente indústria de comunicação. O país detém 5% da população mundial, contribui com 36% das emissões de gases de efeito estufa e usam 25% da energia mundial.

No que se refere ao pequeno grupo dos países desenvolvidos, aí incluído os EUA, estes congregam 20 % da população mundial. Esta minoria, porém, consome 75% de todos os recursos naturais hoje explorados. Para os 80 % da população restante no mundo, sobram apenas 25% de recursos.

Este dado é preocupante, uma vez que sabemos que esta população está adotando o mesmo estilo consumista pregado pelos norte-americanos. A conta ambiental simplesmente não fecha. O mundo já consome 25% a mais de recursos naturais que a capacidade de regeneração do planeta. Se o modelo norte-americano fosse igualmente incorporado pelo Bric, sigla que reúne os quatro maiores países em desenvolvimento (Brasil, Rússia, Índia e China), responsáveis por 65% da população mundial, necessitaríamos de mais três planetas como este para consumirmos, infelizmente (ou felizmente) isso só existe no filme Avatar.
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Pandora é aqui no terceiro mundo.

Para que possamos melhorar a qualidade de vida dos excluídos, os americanos terão de optar por consumir só o que podem produzir utilizando os recursos naturais que ele possuem em seu país. Quem é bobo para acreditar que eles farão isso pacificamente, levante o braço. Eles já colonizaram as elites entreguistas do Afeganistão, do Iraque, da Colombia, do Haiti, ... A quarta frota já está de prontidão no Atlântico Sul. Tão de olho nas reservas do Pré-Sal a partir das Ilhas Malvinas invadidas a séculos pela Inglaterra.

Pense nisto.

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